Voltar a beber após anos sóbrio é seguro? O que declaração de Brad Pitt revela sobre luta contra o vício

  • 20/08/2026
(Foto: Reprodução)
Brad Pitt no Oscar 2021 AP Photo/Chris Pizzello Após sete anos sóbrio, o ator Brad Pitt afirmou em uma entrevista recente à revista Esquire que voltou a beber, ainda que de forma moderada. "Posso tomar algumas [taças de vinho]. Mas não posso exagerar. Tenho de encarar isso com profissionalismo", disse. Em 2017, ele admitiu enfrentar um consumo excessivo de álcool ao longo de toda a vida e comentou deixou de beber durante o processo de separação da atriz Angelina Jolie. Apesar de o ator afirmar ter consciência que o hábito não lhe faz bem, se mostrou confiante ao dizer que passou a beber de um jeito mais controlado. Mas diferentemente do que fez Pitt, os especialistas alertam: para quem já enfrentou problemas com vício, não é seguro voltar a beber. "É comum que a pessoa retome em poucas semanas o padrão de consumo que levou anos para se instalar. A dose que hoje parece inofensiva costuma ser o início de uma nova escalada", comenta Olivia Pozzolo, médica psiquiatra e pesquisadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). 👉Na matéria abaixo, você entende: Quais os riscos envolvidos na retomada do hábito de beber Em que medida o excesso de confiança pode atrapalhar a recuperação de quem enfrenta o vício Quais são os sinais de que a pessoa está caminhando para uma recaída Quando o consumo de álcool pode ser considerado seguro VEJA TAMBÉM: Agora no g1 Os riscos de voltar a beber O principal ponto quando o assunto é retomada do hábito de beber para quem já enfrentou o vício em álcool é o funcionamento do organismo. Arthur Guerra, psiquiatra especialista em dependência química e presidente do Instituto Perdizes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (centro para tratamento de doenças relacionadas ao uso de álcool e drogas), explica que o corpo da pessoa que teve problemas com o consumo de álcool guarda uma memória biológica em relação a ingestão excessiva dessa substância. "Ainda que ela tenha vontade de beber de forma moderada, na prática, ela não consegue. Ela facilmente perde o controle", comenta Guerra. Pozzolo ainda acrescenta que o conceito de moderação para essas pessoas não se aplica da mesma forma do que para aqueles que bebem apenas socialmente. "O cérebro não volta à estaca zero: os circuitos ligados ao desejo e à recompensa seguem sensibilizados mesmo depois de muito tempo sem beber", analisa. Por isso, quantidades que em um primeiro momento parecem que não são excessivas podem desencadear um processo de recaída, mesmo que o indivíduo não perceba e independentemente do tempo de abstinência. Excesso de confiança e a recaída Nesse contexto, um dos grandes perigos é o excesso de confiança que a pessoa desenvolve ao conseguir passar períodos sem beber. O próprio Brad Pitt, na entrevista, afirma que algumas vezes se sentiu confiante demais nesse processo e percebeu que a bebida, em excesso, não lhe fazia bem. Guerra detalha que, quando a pessoa enfrenta problemas com álcool e para de beber, a tendência é que diversos aspectos da vida melhorem: boa qualidade do sono, perda de peso, novas amizades, mais foco profissional e em relacionamentos – mas tudo isso pode levar a uma falsa impressão de que o vício foi superado. "Esse excesso de confiança muitas vezes faz com que a pessoa perceba que não quer beber como antes, mas decida beber de forma moderada, social. Só que não existe garantia de que será uma quantidade segura. Essa confiança é um gatilho muito forte, fundamental para a recaída", analisa. Pozzolo também acrescenta que, quanto mais tempo o indivíduo passa sem beber, mais a memória do sofrimento envolvido nesse hábito desbota, sobrando somente a "lembrança seletiva do prazer". O fato da vida estabilizar, reforça a leitura de que o problema ficou para trás. Só que era justamente a sobriedade que permite e sustenta esse novo estilo de vida. "Confiar na própria recuperação protege. Ter certeza de que se controla a substância é outra coisa, e essa certeza costuma anteceder a recaída", avalia a psiquiatra. LEIA MAIS: A cada hora, uma mulher busca ajuda para enfrentar o alcoolismo; procura cresce em canais de A.A. Internações por alcoolismo crescem no país: 4 pessoas são hospitalizadas por hora Sinais da recaída e a necessidade de acompanhamento profissional Os especialistas alertam que, muitas vezes, a recaída acontece em um momento que a pessoa não espera e não necessariamente dá sinais claros. Para Pozzolo, a criação de regras para beber costuma ser um indício de que algo não vai bem. "O primeiro [alerta] costuma ser a criação de regras: só cerveja, só no fim de semana, só em ocasiões sociais. Quando essas regras começam a ser flexibilizadas, o alerta já está aceso", diz. A partir daí, a tendência é que a pessoa aumente a frequência e a quantidade da bebida, com maior tolerância, passe a beber sozinha ou escondida, e se afaste de quem acompanhava a recuperação. Arthur Guerra afirma que, em alguns casos, uma sobriedade de 10 ou 20 anos pode ser perdida em questão de minutos, com a volta para o padrão compulsivo e patológico. "A recaída muitas vezes é imediata. É como se fosse uma nuvem branca no céu azul, aparece do nada, é impressionante", compara o psiquiatra. Nesse cenário, o acompanhamento profissional é fundamental, principalmente para tentar evitar que a pessoa volte a beber. Os especialistas ainda comentam que a vontade de testar se é possível voltar a beber é um dado clínico relevante, porque quase sempre existe algo por trás: um estresse, uma perda, um incômodo que não está sendo nomeado. "Vale dizer: recaída não é fracasso moral, faz parte da história de uma doença crônica. Quanto antes se pede ajuda, mais curto tende a ser o episódio", defende Pozzolo. Existe consumo seguro de álcool? Para os psiquiatras, em poucas situações se considera segura a retomada do consumo de álcool. Pozzolo pondera que, para pessoas com vício, uma minoria consegue beber de forma social, sem que isso volte a ser um problema. 👉Mas o perfil, nesses casos, é bem específico. Tratam-se de: Quadros mais leves Sem histórico de perda de controle Sem sintomas de abstinência Com boa rede de apoio A grande questão é que poucos sabem de antemão em qual grupo estão e o custo de errar é muito alto. Por isso, a opção mais segura é sempre não voltar a beber. Para aqueles que nunca tiveram uma relação de dependência do álcool, escolheram reduzir por questão de saúde ou bem-estar e não enfrentaram perda de controle, a retomada eventual do hábito não configura recaída. "A diferença central não está na quantidade que se bebia, está na relação com a bebida: na dependência existem compulsão, tolerância e a manutenção do consumo apesar do prejuízo evidente. É a perda de controle que separa os dois quadros", compara a psiquiatra. Mas os especialistas reforçam que a ressalva vale para todos: não existe dose segura de álcool, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/08/20/voltar-a-beber-apos-anos-sobrio-e-seguro-o-que-declaracao-de-brad-pitt-revela-sobre-luta-contra-o-vicio.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes