Vídeos de alimentos e objetos falantes criados com IA inundam as redes com dicas de como usá-los
23/01/2026
(Foto: Reprodução) "Eu sou a casca de banana e não sou lixo. Me pique e jogue na terra que eu viro adubo poderoso para as suas plantas que estão lá morrendo", diz a própria banana, em tom raivoso, em um vídeo publicado no TikTok que já soma 159 mil visualizações. 🍌😡
"Geladeira me deixa duro e sem graça. Meu lugar é fora, vivendo em paz", alerta um pão de forma em outro vídeo, desta vez no Instagram. 🍞
Vídeos como esses, criados com o uso de inteligência artificial, têm se espalhado pelo Instagram e no TikTok, onde já é possível encontrar perfis dedicados exclusivamente a esse tipo de publicação.
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Em comum, eles mostram alimentos ou objetos com expressões ranzinzas dando dicas sobre como devem ser usados ou conservados, quase sempre sem citar a origem das informações apresentadas.
O g1 verificou que parte desses vídeos foi criada com o Veo 3, IA do Google que gera vídeos ultrarrealistas e que já havia sido usada em outras virais ao longo de 2025, como a apresentadora fictícia Marisa Maiô.
Vídeos de alimentos que dão dicas viralizam nas redes sociais
Reprodução/TikTok
Embora também apareçam vídeos de outros itens, como geladeira, pasta de dente e esponja de lavar louça, a maioria dos posts traz dicas relacionadas a alimentos, como macarrão, morango, brócolis, salsicha, alho, cenoura e abacaxi, para citar alguns.
No TikTok, já são centenas de publicações com a hashtag #alimentosfalantes e #objetosfalantes.
Nos comentários, as reações costumam variar entre quem acha o conteúdo fofo, quem se diverte com o alimento "dando bronca" e quem elogia a possível utilidade das informações ali passadas.
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Para analisar esse tipo de trend, o g1 conversou com Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, área que estuda os impactos da tecnologia no comportamento humano.
Segundo ela, trata-se de um fenômeno em que o público acaba acreditando que, por ser uma geladeira "falando", o eletrodoméstico saberia automaticamente como os alimentos devem ser conservados, mesmo quando a informação não tem base técnica.
"Mas alguns desses vídeos que vi trazem regras duvidosas, principalmente sobre conservação de alimentos. Por isso, é importante checar a informação ali apresentada", completa Mari.
Ela aponta que o uso de uma linguagem simples e acessível, mesmo quando o alimento "briga" com você, ajuda a criar proximidade com quem assiste.
"Nem sempre as pessoas conseguem absorver uma instrução, por exemplo, do Ministério da Saúde sobre como higienizar um alimento. Hoje, essa informação costuma funcionar melhor quando é apresentada de forma gamificada, infantilizada ou narrativizada", completa.
O fenômeno também impulsionou uma nova trend no TikTok: a de pessoas que passam a seguir, em tom de humor, os "conselhos" dos alimentos falantes, como no vídeo abaixo, que soma quase 300 mil visualizações.
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Vídeos têm uma pegada 'Brain rot'
Vídeos de 'Brain rot' também se espalharam no TikTok.
Reprodução/TikTok
Os vídeos de alimentos falantes também se aproximam do chamado brain rot, termo usado para descrever a sensação de desgaste mental provocada pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais, especialmente nas redes sociais.
A expressão ganhou força a ponto de ser eleita a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford, após registrar cerca de 130 mil buscas ao longo do ano.
O brain rot virou um fenômeno nos últimos anos, principalmente no TikTok e no YouTube, com vídeos que apresentam objetos ou animais com características humanas, inseridos em narrativas simples.
Entre os exemplos mais populares estão personagens como "Tralalero Tralala", um tubarão usando tênis; "Ballerina Cappuccina", uma xícara vestida de bailarina; e "Tum Tum Tum Sahur", uma madeira com um taco (veja na imagem acima).
Em geral, esses personagens não transmitem informações consideradas úteis. Ainda assim, os vídeos costumam seguir uma lógica de continuidade, com histórias recorrentes, como se cada publicação fosse um novo episódio de uma série.
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