Uso recreativo de drogas pode dobrar risco de AVC, alertam estudos com 100 milhões de participantes
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Uso recreativo de drogas ilícitas pode mais do que dobrar os riscos de ter um AVC
O uso recreativo de drogas ilícitas pode mais do que dobrar o risco de ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Isso é o que aponta uma revisão de estudos envolvendo mais de 100 milhões de participantes realizada por pesquisadores da Universidade de Cambridge.
A meta-análise utilizou dados de 32 pesquisas para entender a possível relação entre a utilização de substâncias ilícitas e o risco aumentado de AVC. O trabalho foi publicado na revista científica "Internacional Journal of Stroke", principal publicação da World Stroke Organization (WSO).
🧠Um AVC acontece quando há uma obstrução total ou parcial dos vasos sanguíneos no cérebro. Ele é considerado uma das principais urgências médicas globais, sendo a terceira principal causa de morte em todo o mundo. (saiba mais abaixo)
➡️Os resultados mostraram que os usuários de anfetamina são os que correm mais risco de sofrer um AVC, com 122% mais chance do que aqueles que não fazem o uso da droga. Ou seja, o entorpecente mais do que dobra o risco de ter o problema vascular.
Uso de anfetamina é o que traz mais risco de AVC.
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Altas porcentagens também foram observadas nos usuários de cocaína e de cannabis, com 96% e 33% mais chance de sofrer um AVC, respectivamente.
Ainda que a relação tenha ficado evidente para o uso dessas drogas, o mesmo não aconteceu no caso dos opioides.
"Esta é a análise mais abrangente já realizada sobre uso de drogas recreativas e risco de AVC e fornece evidências convincentes de que drogas como cocaína, anfetaminas e cannabis são fatores de risco causais para o AVC", destaca Megan Ritson, pesquisadora da Universidade de Cambridge e primeira autora do estudo.
Consumo de drogas e risco de AVC
Para a análise, o grupo utilizou uma técnica conhecida como randomização mendeliana. Ela usa variações genéticas naturais associadas a fatores de risco para avaliar se existem evidências de uma relação causal no fenômeno observado.
A partir disso, os pesquisadores descobriram que alguns mecanismos biológicos podem explicar a relação entre o uso de cada uma das drogas e a alta no risco de AVC:
Cannabis - constrição dos vasos cerebrais, comprometimento da função vasomotora cerebral, flutuação da pressão arterial e maior formação de coágulos;
Cocaína - elevações súbitas da pressão arterial e vasoespasmo;
Anfetamina - elevações agudas da pressão arterial, vasoconstrição cerebral e arritmias.
E os diferentes entorpecentes também foram associados a tipos diferentes de AVC.
O uso de cannabis, por exemplo, elevou o risco especialmente dos AVCs por doenças de grandes artérias. Já a utilização de cocaína foi mais relacionada ao aumento da ocorrência de AVCs cardioembólicos – quando um coágulo se forma no coração e migra para o cérebro.
No caso dos uso de anfetaminas, a maior associação foi com AVCs hemorrágicos (quando há um rompimento de um vaso), apesar de a droga elevar o risco para todos os tipos de AVCs.
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Alerta para a saúde pública
Os pesquisadores acreditam que os resultados servem como um alerta para a saúde pública.
"Em conjunto, os achados reforçam a importância de avaliar o uso de substâncias ao investigar o risco de AVC", destacam na conclusão do trabalho.
Eles ainda pontuam que os dados expõem a necessidade de medidas de saúde pública para reduzir o abuso de drogas como estratégia de prevenção do AVC.
Riscos do AVC
O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, sendo uma preocupação de saúde global.
🫀No Brasil, em 2025, o AVC tirou a vida de um brasileiro a cada seis minutos, totalizando mais de 64 mil mortes por conta da condição somente entre janeiro e outubro.
👉É importante lembrar a diferença entre os dois tipos de AVC:
Isquêmico (85% dos casos) – acontece quando há entupimento de um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro, levando a um bloqueio parcial da irrigação. Está ligado à pressão alta e a doenças cardíacas.
Hemorrágico (15% dos casos) – ocorre quando há rompimento de um vaso, provocando sangramento no tecido cerebral. É menos comum, mas mais grave, com risco elevado de sequelas e morte.
Entre as principais sequelas deixadas pelo AVC estão:
Fraqueza ou dificuldade nos movimentos
Rigidez muscular
Problemas na fala
Problemas na memória e o raciocínio
Alterações emocionais