União Europeia pede 'transição pacífica para a democracia' na Venezuela
04/01/2026
(Foto: Reprodução) "Vocês terão acesso às riquezas roubadas de vocês", diz Trump a venezuelanos
Os países membros da União Europeia divulgaram, neste domingo (4), uma declaração conjunta defendendo uma transição pacífica para a democracia liderada pelos venezuelanos.
"Respeitar a vontade do povo venezuelano continua a ser a única forma de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual”, acrescentou o comunicado.
O grupo também reafirmou que Nicolás Maduro “não possui a legitimidade de um presidente democraticamente eleito”.
O bloco pede “calma e moderação por todas as partes” e reforça que os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados, apontou a agência de notícias Reuters.
“Mantemos contato próximo com os Estados Unidos, assim como com parceiros regionais e internacionais, para apoiar e facilitar o diálogo com todas as partes envolvidas”, afirmou a UE.
O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, alertou ainda que o caso levanta "graves questões do ponto de vista do direito internacional", segundo a agência de notícias France Press.
"Como organização regional multilateral dedicada à democracia, aos direitos humanos e ao Estado de direito, o Conselho da Europa considera que, todo recurso à força no território de outro Estado suscita graves questões à luz do direito internacional, em particular, dos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas sobre a soberania, a integridade territorial e não ingerência", disse em um comunicado.
Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, Berset alertou para o risco de "agravamento da polarização na Venezuela, em toda a região e em escala mundial, entre aqueles que condenam uma grave violação do direito internacional e os que consideram justificada".
"Quer se trate de mudança de regime ou de influência estrangeira, com muita frequência aplica-se um duplo critério, ditado por interesses estratégicos ou afinidades ideológicas, em vez de por princípios jurídicos partilhados e coerentes", escreveu Berset.
"O direito internacional é universal ou não faz sentido. Um mundo regido por exceções, por dois pesos e duas medidas, ou por esferas de influências rivais é um mundo mais perigoso", insistiu.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou, no sábado (3), que os Estados Unidos têm a intenção de "conduzir" a transição na Venezuela, enquanto o secretário-geral do Conselho da Europa apelou para uma transição "pacífica, democrática e respeitosa da vontade do povo venezuelano".
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