Tutores de 'frentiscão' de Campinas voltam ao Brasil após morte do cachorro na Argentina: 'Buscar justiça'
20/07/2026
(Foto: Reprodução) Tutores de Poze, um dos 'frentiscães' de Campinas, voltam ao Brasil após animal ser encontrado morto na Argentina
Reprodução/Instagram
Os tutores de Poze, um dos "frentiscães" de Campinas (SP), decidiram retornar ao Brasil após o cachorro ser encontrado morto durante uma viagem à Patagônia, na Argentina. O trajeto de cerca de 3,3 mil quilômetros deve durar ao menos 40 horas.
Em publicação nas redes sociais, onde os "frentiscães" somam mais de 1 milhão de seguidores, os tutores disseram que ainda não podem explicar o que aconteceu e afirmaram que vão detalhar o caso após consultarem uma advogada.
"Sei que todo mundo quer saber o que aconteceu, e hoje encontramos uma advogada especialista em casos de maus-tratos que, por coincidência, também está na Argentina e conhece pessoas que podem nos ajudar a buscar justiça pelo Poze", escreveram.
Segundo eles, uma força-tarefa prevista para o último sábado (18) foi cancelada após surgirem novas informações sobre o caso.
"Ainda não podemos explicar publicamente tudo o que aconteceu. Pela nossa segurança e para que possamos tomar as medidas necessárias da maneira correta, precisamos agir antes de falar", afirmaram.
Na tarde de domingo (19), os tutores publicaram uma despedida ao cachorro. "Te amo, Poze. Obrigado, Poze. Você está descansando em um lugar muito lindo agora", escreveram.
Ao g1, o tutor Giovanni Fernandes disse que ainda está "entendendo juridicamente o que pode ser dito" antes de se manifestar. Ele confirmou a morte do animal.
Frentiscão de Campinas desaparece durante viagem com a família pela Patagônia
Desaparecimento
Poze, de cinco anos, desapareceu na noite de domingo (12), durante uma viagem de trailer com a família em El Bolsón, na Patagônia argentina.
Resgatado ainda filhote e conhecido no posto de combustíveis administrado por Giovanni, o cachorro sumiu após ser solto em um camping onde a família estava hospedada.
Na última semana, os tutores fizeram buscas, espalharam cartazes e mobilizaram moradores e a imprensa local na tentativa de encontrá-lo. A procura, porém, enfrentou dificuldades.
A região é de difícil acesso, com rodovia, rio e trilhas de montanha, além de chuva e baixas temperaturas. O rastreador usado por Poze também não funcionava porque dependia de celulares da mesma marca conectados à internet nas proximidades, o que não havia na área rural.
Além disso, a família enfrentou problemas durante a viagem: a hidráulica do trailer quebrou, deixando o grupo sem banho e cozinha, enquanto a ração dos outros cães e o dinheiro estavam acabando.
''Frentiscão' de Campinas desapareceu durante viagem à Patagônia; família colou cartazes e mobilizou buscas
Reprodução/Redes Sociais
Últimos momentos
A família viajava com quatro cães e havia parado em um camping localizado a cerca de dez minutos de uma estação de esqui.
Na noite do dia 12, os tutores recolheram os animais para gravar uma publicidade e, depois, voltaram a soltá-los em uma área cercada do camping, que tinha um bosque ao fundo. Os outros três cães retornaram, mas Poze desapareceu.
Segundo Giovanni, era comum deixar os animais soltos no local. Ele descreveu Poze como um cachorro sociável, acostumado a interagir com outros cães desde a época em que vivia nas ruas.
O tutor também relembrou a última interação com o animal.
"Ele veio pedir carinho de um jeito que não era dele. Pediu tanto carinho, não parava. A gente até brincou: 'Nossa, como você está carinhoso, nem parece você'. E foi a última interação que a gente teve com ele."
Tutores informaram morte de Poze, um dos 'frenticães' de Campinas
Redes sociais
Quem era Poze
Ex-cachorro de rua, Poze apareceu em uma das unidades da rede de postos da família de Giovanni e acabou sendo adotado. Primeiro foi acolhido no estabelecimento do Jardim Novo Campos Elíseos e, meses depois, passou a viver com o gerente, ganhando uniforme de frentista.
No posto, ele se juntou a Matuê, um vira-lata caramelo que foi o primeiro "frentiscão" da unidade e sobreviveu a um grave atropelamento.
A popularidade dos cães uniformizados levou Giovanni a criar um perfil nas redes sociais, que hoje reúne mais de 1,1 milhão de seguidores e mostra a rotina de Poze, Matuê, Nagalli e Flávia.
Por que esses nomes? Matuê, Poze e Nagalli receberam os mesmos nomes de artistas brasileiros do trap e do funk.
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