Trump brinca sobre disputar mais uma eleição nos EUA em evento com imprensa internacional

  • 25/07/2026
(Foto: Reprodução)
EUA: Justiça acusa atirador em jantar de correspondentes de tentativa de assassinato de Trump O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em tom de brincadeira nesta sexta-feira (24) que pretende disputar um novo mandato na Presidência do país. A declaração foi feita durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington, diante de jornalistas e autoridades. "Para mostrar o quanto me importo com a imprensa e salvar a audiência de vocês, quero anunciar minha intenção de concorrer a um quarto mandato como presidente dos Estados Unidos", disse. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ele afirmou que já venceu três disputas eleitorais e disse que uma nova campanha seria fácil. "Estou ficando muito bom em concorrer à Presidência. Fiz isso três vezes e fui muito bem na segunda", declarou. A fala faz referência a vitória dele em 2016 e nas últimas eleições americanas, em 2024. A terceira vitória seria a do pleito de 2020, em que o democrata Joe Biden saiu vitorioso. Trump, entretanto, contesta o resultado e alega fraude eleitoral - apesar de não haver provas. 🔍 A Constituição dos Estados Unidos limita o presidente a dois mandatos, o que impede Trump de disputar novamente a eleição presidencial de 2028. Apesar disso, ele já havia sugerido em outras ocasiões a possibilidade de buscar uma nova candidatura. Durante o discurso, Trump também voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral americano e afirmou que o país precisa "melhorar" seus processos de votação. Noite de gracinhas O presidente Donald Trump discursa no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca no Waldorf Astoria Washington DC, na sexta-feira, 24 de julho de 2026 AP Photo/Mark Schiefelbein O encontro do presidente com a imprensa internacional foi marcado por piadas com jornalistas. Em seu discurso, ele ironizou a cobertura da imprensa sobre seu governo e brincou com o atentado que interrompeu a edição anterior do evento. "Às vezes, eu acho que alguns de vocês não gostam de mim", disse o presidente. Em seguida, afirmou ter lido um relatório segundo o qual recebe "93% de cobertura negativa" da imprensa. "Como diabos eu consegui vencer a eleição com tanta folga?", questionou. "Não acredito que seja 93%. Talvez na casa dos 80%, mas 90% já é demais." O presidente ainda fez referência ao ataque a tiros que interrompeu o jantar realizado em abril. Segundo ele, os jornalistas "tiveram sorte" de a cerimônia ter sido interrompida antes de seu discurso. "Eu tinha preparado algo para provocar vocês. Ia pegar pesado", disse. "Agora fico até triste por não poder fazer aquilo. Deve ter sido uma grande decepção." Apesar das alfinetadas, Trump afirmou que costuma atender ligações de jornalistas para tentar evitar reportagens negativas. "Quando você fala com a imprensa, tem uma chance de conseguir uma boa reportagem. Quando não fala, quase sempre sai uma matéria ruim", declarou. O jantar, que acontece anualmente há mais de 100 anos, costuma ter discursos do presidente, homenagens a profissionais da imprensa, entrega de bolsas de estudo para estudantes de jornalismo e, tradicionalmente, momentos de humor e provocações entre o chefe da Casa Branca e os jornalistas. 🔍Criado em 1914 pela Associação de Correspondentes da Casa Branca, o jantar anual reúne o presidente dos Estados Unidos, jornalistas que cobrem a Presidência, autoridades, empresários e convidados. O primeiro presidente a participar do evento foi Calvin Coolidge, em 1924, iniciando uma tradição mantida por quase todos os ocupantes da Casa Branca desde então. Guerra do Irã Um dos poucos momento em que o presidente deixou o tom descontraído e os assuntos amenos foi para falar sobre o conflito com o Irã. O republicano afirmou que a nação persa sofreu perdas significativas após os ataques americanos e voltou a dizer que não permitirá que o país desenvolva armas nucleares. "Nós atingimos o Irã com muita força. A Marinha deles praticamente deixou de existir. A Força Aérea também foi destruída. Eles perderam cerca de 250 aviões de combate e 159 embarcações", declarou. Trump também disse que Teerã voltou a manter contato com Washington, mas afirmou que ainda não vê condições para um acordo. "Eles estão conversando conosco neste momento. Gostariam muito de chegar a um acordo. Não acho que estejam prontos para isso. Mas estou disposto a ouvi-los", afirmou. O presidente reiterou que os Estados Unidos não aceitarão que o Irã obtenha armamento nuclear. "Não queremos ver Washington, nenhuma cidade americana, Israel ou qualquer parte do Oriente Médio destruída por uma arma nuclear. Não vamos permitir que isso aconteça", disse. Após o ataque Convidados se abaixam após barulho de tiros em jantar de correspondentes da Casa Branca, em abril de 2026. REUTERS/Evan Vucci O evento anual acontece sob forte esquema de segurança, após ter sido interrompido por um ataque a tiros na edição anterior, em abril. ➡️ Na ocasião, um homem armado tentou entrar no salão onde ocorria o jantar, evento anual tradicional em que o presidente dos Estados Unidos se reúne com jornalistas estrangeiros que cobrem a Casa Branca. O homem trocou tiros com agentes do Serviço Secreto, que o interceptaram na entrada. Trump foi retirado às pressas, e os jornalistas tiveram de se esconder sob as mesas (veja no vídeo acima). O Serviço Secreto reforçou a proteção no entorno do hotel, isolou ruas da região e montou um amplo perímetro de segurança para evitar novos incidentes. Por conta dos tiros, o jantar foi adiado e remarcado para esta sexta. Desta vez, no entanto, o evento ocorrerá com novas e reforçadas medidas de segurança — em abril, jornalistas relataram falhas de segurança. Um dos vídeos capturados por câmaras do hotel mostrou que o atirador conseguiu furar o bloqueio de agentes do Serviço Secreto. O evento deste ano também acontece em um novo endereço. A cerimônia foi transferida do Washington Hilton para o Waldorf Astoria. Segundo os organizadores, o hotel é menor e permite um controle mais rigoroso da entrada dos convidados. 👉 O atirador, identificado como Cole Allen, um californiano de 31 anos, declarou-se inocente das acusações do Ministério Público contra ela, incluindo a tentativa de assassinato do presidente. Fachada do hotel que recebe o jantar entre Donald Trump e os jornalistas correspondentes internacionais que cobrem a Casa Branca Kent Nishimura / AFP Discurso de Trump No evento desta noite, Trump deverá proferir o discurso que não pôde fazer em abril — no evento, é também tradição que o presidente fale aos jornalistas. Embora se esperasse que Trump fizesse um discurso contundente contra a imprensa no evento original, resta saber qual será o tom adotado no jantar remarcado. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a repórteres na quinta-feira que Trump "celebrará a liberdade de expressão e a Primeira Emenda [da Constituição] com todos vocês, membros da mídia". "O presidente está ansioso para terminar o que começou antes que uma tentativa de assassinato desprezível interrompesse o evento original", acrescentou Leavitt, que também estará presente. Leavitt afirmou ainda que o discurso do presidente será uma combinação de "algo unificador e, ao mesmo tempo, implacável; sério e, ao mesmo tempo, muito engraçado". "Se é que vocês conseguem imaginar isso. Uma coisa posso garantir: será um discurso muito divertido", afirmou a porta-voz. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, batendo continência no início do jantar promido pela Casa Branca aos jornalistas correspondentes internacionais. Mandel Ngan / AFP As batalhas de Trump contra a imprensa Trump processou diversos veículos de comunicação, classificou reportagens desfavoráveis como "fake news" e frequentemente criticou e ridicularizou jornalistas. Seu governo retirou a agência de notícias Associated Press do grupo de jornalistas com acesso privilegiado à Casa Branca e restringiu o acesso de muitos profissionais ao Pentágono, entre outras medidas. A Casa Branca defendeu essas ações, afirmando que elas visam proteger informações sensíveis, reforçar a segurança e aumentar a responsabilização do que considera organizações de mídia tendenciosas. Falando a jornalistas mais cedo nesta sexta, Trump defendeu intimações federais contra jornalistas do "New York Times" — posteriormente retiradas — afirmando que a segurança nacional estava em jogo. Os repórteres haviam publicado informações sobre a segurança do novo avião presidencial Air Force One, doado pelo Catar. "Não estamos atrás dos jornalistas. Estamos atrás dos vazadores de informações. Estamos atrás de pessoas covardes, antipatrióticas e, em muitos casos, traidoras. E a maneira de encontrá-las é por meio dos jornalistas", declarou Trump no Salão Oval. Mesmo intensificando suas ações contra a imprensa, Trump tem dado aos repórteres mais acesso direto do que presidentes recentes, respondendo perguntas durante aparições públicas sem roteiro definido e conversando regularmente com jornalistas por telefone. Centenas de jornalistas veteranos, juntamente com oito organizações profissionais de jornalismo, assinaram uma carta pedindo que a Associação de Correspondentes da Casa Branca aproveite o jantar para condenar o que classificaram como ataques de Trump à Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos - que protege a liberdade de expressão e de imprensa. Jantar dos Correspondentes nos EUA: entenda a importância do evento de Trump com imprensa

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/24/trump-inicia-seu-discurso-no-jantar-da-casa-branca-com-correspondentes-internacionais.ghtml


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