Trump, ano 2: analistas preveem presidente dos EUA ainda mais imprevisível em 2026

  • 20/01/2026
(Foto: Reprodução)
Trump completa um ano de retorno à Casa Branca Salvo algumas surpresas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seguiu, em seu primeiro ano de mandato, a agenda que havia prometido durante sua campanha eleitoral. Na semana passada, ele mesmo disse que "já cumpri todas as minhas promessas de campanha". Já a partir desta terça-feira (20), quando Trump dá o pontapé inicial ao segundo ano de gestão, uma nova etapa será aberta, desta vez mais imprevisível. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Especialistas e análises consultadas pelo g1 apontam para tentativas de expansão territorial e protecionismo da América Latina ante rivais geopolíticos, com uma releitura da Doutrina Monroe. No âmbito nacional, a tendência será fechar as portas para a imigração e tentar reagrupar seu partido para evitar uma derrota eleitoral. Em 2026, a avaliação é que Trump: Dobrará a aposta nas políticas anti-imigração, agora fechando as portas para novas chegadas; Seguirá aplicando a chamada "Doutrina Donroe", com a qual expandirá sua influência na América Latina e buscará liderar um protecionismo no Ocidente para fazer frente à China e à Rússia; Tentará reagrupar o Partido Republicano, hoje fragmentado, e fará campanha agressiva para as eleições de meio de mandato; Travará uma batalha entre estados e gigantes da Inteligência Artificial para a regulamentação do uso da IA nos EUA; Manterá a imprevisibilidade, marca de seu estilo de governo. A demora em resolver conflitos internacionais, o desgaste por conta das prisões de imigrantes ao redor dos EUA e a divisão interna crescente em seu partido também devem obrigar o presidente a rever suas prioridades, segundo as análises. Aposta dobrada no combate a imigrantes Novas imagens feitas por agente do ICE mostram momento em que mulher é morta nos EUA Antes de assumir seu segundo mandato à frente da Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump prometeu expulsar todos os imigrantes que residem nos Estados Unidos em situação irregular. Como previsto por analistas, isso não ocorreu, mas a campanha de Washington anti-imigração foi bastante agressiva. Em questão de semanas, Trump colocou nas ruas milhares de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), para caçar e deter, muitas vezes sem mandado de prisão, estrangeiros em situação irregular, mesmo que estivessem em processo de regularização. O modelo, repetido ao longo do ano e por todos os EUA, foi ganhando críticos e protestos crescentes e acabou o ano de 2025 desgastado — prefeitos de diversas cidades e até moradores vêm tentando proibir as ações do ICE, e os próprios republicanos começaram a criticar a política. Inclusive, Trump enfrenta uma onda de protesto no estado de Minnesota, após um agente de imigração matar a cidadã americana Renee Nicole Good, no último dia 7. ➡️ Ainda assim, em 2026 Trump deve dobrar a aposta: as perspectivas para seu segundo ano de governo indicam endurecimento nas políticas anti-imigração. A diferença, agora, é que ele deve se concentrar nas restrições à entrada de estrangeiros e à concessão de vistos. "Ele basicamente vai desativar o sistema de imigração legal dos Estados Unidos", prevê a diretora de relações governamentais da Associação de Advogados de Imigrantes dos EUA, Shev Dalal-Dheini. Washington já começou a executar políticas de restrição de vistos. Em dezembro, o governo Trump suspendeu a solicitação de visto a cidadãos de 19 países, entre eles o Afeganistão, o Irã, Cuba e Venezuela. Em janeiro, congelou a emissão de vistos de imigrantes para mais 75 países, incluindo o Brasil. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A estratégia militar e de política externa dos Estados Unidos que seu governo lançou no início de dezembro prevê o "fim da era da migração em massa" e fala da necessidade de "proteger as fronteiras contra migração descontrolada, terrorismo, drogas, espionagem e tráfico humano". O ajuste na polícia migratória, para Dheini, mira na tentativa de conter a fuga de seu eleitorado trumpista, ao manter ativa a agenda anti-imigração evitando colocar em destaque a expulsão de imigrantes que possam ter alguma relação de proximidade com eleitores. Este foi o caso, por exemplo, de Miami, onde os eleitores, em maioria republicanos, elegeram uma prefeita democrata (leia mais abaixo) por um possível desgaste das prisões de imigrantes pelo ICE. Uma pesquisa do Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press e do Instituto Norc, da Universidade de Chicago, feita no último semestre deste ano, mostrou que a aprovação da política de Trump para imigrantes caiu de 49% para 38%, na comparação com o primeiro semestre. SANDRA COHEN: Vitória de democrata em Miami reflete a irritação de comunidade latina com a política linha-dura migratória de Trump Manifestante ergue cartaz contra agentes do ICE, órgão responsável pelo controle da imigração nos EUA Daniel Cole/Reuters A 'Doutrina Donroe' e o protecionismo com o Ocidente Trump diz que EUA vão administrar Venezuela por anos A ofensiva sobre a Groenlândia, a invasão da Venezuela e um documento de política externa divulgado em dezembro sinalizam que, em 2026, a política externa de Trump vai focar em marcar posição diante do que o norte-americano vê como seus principais rivais: China e Rússia. No documento que destrincha a estratégia militar e a política externa dos EUA, divulgado em dezembro pelo Pentágono, Washington cita nominalmente a intenção de resgatar a Doutrina Monroe, a política que os EUA estabeleceram em 1823 para reivindicar a soberania de Washington sobre o Ocidente e, principalmente, o continente americano. Na prática, a América Latina virou o principal quintal dessa doutrina, e a operação militar que as Forças Armadas dos EUA na Venezuela. A ideia é utilizar a doutrina não só para expandir operações e influência na América Latina, mas, principalmente, fazer frente a outras duas potências que ele vê como ameaça: a China e a Rússia, na avaliação o professor de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (Nenam) da escola, Roberto Uebel. "A América Latina sim é uma prioridade, mas Trump está olhando para o Ocidente como um todo, principalmente a Europa", afirma Uebel. "O que fica claro é que o Trump entende que existem três grandes potências: Estados Unidos, China e Rússia. É uma volta de um nacionalismo econômico e uma visão de mundo multipolar centrada nessa visão de mundo das três potências". "Ele tentará colocar o Ocidente inteiro sob o guarda-chuva dos Estados Unidos", prevê o professor. Campanha 'agressiva' nas eleições de meio de mandato Moradores de Nevada votam nas eleições de meio de mandato em Las Vegas, nos Estados Unidos, em 8 de novembro de 2022. REUTERS/David Swanson Em novembro de 2026, os EUA renovarão boa parte do Legislativo, no que o país chama de eleições de meio de mandato, por ocorrer no meio do mandato de um presidente, eleito dois anos antes. Serão renovadas todas as vagas da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. O pleito, além de poder redefinir as maiorias em ambas as Casas, também é visto como um termômetro do governo em curso — historicamente, o partido de oposição costume vencer as eleições de meio de mandato. Embora analistas ainda não se arrisquem em prever resultados do pleito, já há um consenso sobre reequilíbrio de poderes em Washington – o que significa a perda de poder do Partido Republicano. Isso porque a sigla de Trump, que começou 2025 unida em torno do atual presidente, está atualmente fragmentada e vem sofrendo várias derrotas em eleições locais recentes, incluindo em redutos fortemente republicanos, caso de Miami. “Se você é um republicano e não está preocupado (com as eleições de meio de mandato), então está vivendo em uma caverna”, disse o senador Jim Justice, republicano da Virgínia Ocidental Em dezembro, o próprio Trump reconheceu que seu partido pode sair derrotado, mas disse também que vai buscar o que seja para fazer isso acontecer, segundo sua própria chefe de gabinete, Susie Wiles. Wiles já afirmou que Trump fará uma campanha agressiva em 2026 e que o partido efetivamente “o colocará na cédula”. Regulamentação da IA Outra batalha, e das grandes, também espera o governo Trump em 2026: a regulamentação da Inteligência Artificial. A tendência é que o presidente norte-americano intervenha pouco na matéria. Isso porque as gigantes da tecnologia, encabeçadas pela Nvidia, têm pressionado Donald Trump para isso, argumentando que o ônus de muita regulamentação dificulta a inovação. O desafio, no entanto, é que essas regulamentações já vêm sendo feitas nos EUA, embora em âmbitos locais. Ao longo do ano, 38 estados dos EUA adotaram legislações próprias regulamentando o uso da tecnologia. As leis locais vão desde a proibição de perseguição por meio de robôs com IA até o veto a sistemas de IA que podem manipular o comportamento das pessoas. Em dezembro, Trump, atento à pressão das gigantes da IA, assinou uma ordem executiva para alterar essas leis estaduais de inteligência artificial e fala de estrutura nacional para IA "minimamente onerosa". Sua intenção, em 2026, é unificar a legislação para a IA para intervir o mínimo possível na tecnologia, segundo estabelece sua ordem executiva. "Teremos uma grande batalha pela regulamentação da IA ​​— como regras sobre segurança de modelos, acesso de crianças a chatbots, construção de data centers —, e Trump está totalmente comprometido com uma abordagem de não intervenção", disse o jornalista político norte-americano Sasha Issenberg, autor de "The Victory Lab: The Secret Science of Winning Campaigns (O Laboratório da Vitória: a Ciência Secreta das Campanhas Vitoriosas, em tradução livre)". Imprevisibilidade Embora haja agendas pré-definidas, Trump deve manter sua imprevisibilidade, uma das grandes marcas de sua política, segundo o analista-chefe da consultoria de risco dos EUA Washington Southern Pulse, Sam Logan. "Não há como prever o que Trump fará em 2026 além de enaltecer a si mesmo, sua família e seus amigos, e buscar o chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe. Assim como (o ex-presidente dos EUA Richard) Nixon, sua imprevisibilidade é possivelmente sua ferramenta mais poderosa em política externa", disse Logan ao g1.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/20/trump-ano-2-analistas-preveem-presidente-dos-eua-ainda-mais-imprevisivel-em-2026.ghtml


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