Tribunal de Hong Kong condena editora do Wall Street Journal por tentar impedir repórter de assumir cargo em sindicato

  • 10/09/2026
(Foto: Reprodução)
Selina Cheng, presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong e ex-repórter do The Wall Street Journal, antes de falar com repórteres, após o veredicto. Kanis Leung/AP Um tribunal de Hong Kong considerou culpada nesta quinta-feira (10) um editor do The Wall Street Journal por tentar impedir uma de suas repórteres de assumir um cargo de liderança em um sindicato local de jornalistas. A empresa, porém, foi absolvida da acusação de ter demitido a jornalista por causa de suas atividades sindicais. A ex-repórter do WSJ Selina Cheng, que também é presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong, abriu uma ação penal privada contra a Dow Jones Publishing Co. (Asia) Inc. após perder o emprego em julho de 2024. O caso levantou preocupações sobre a liberdade de imprensa no território chinês. Cheng e a associação de jornalistas defendem a liberdade de imprensa, mas atuam sob pressão desde que o governo reprimiu veículos pró-democracia e a dissidência política. O governo também tem feito críticas ao sindicato. Cheng afirmou anteriormente que seu supervisor disse que sua participação na eleição sindical era problemática e que precisava discutir o assunto com a direção do WSJ em Nova York e com os advogados internos da Dow Jones. Segundo ela, foi informada de que seu cargo no sindicato seria incompatível com seu emprego. Agora no g1 A Dow Jones afirmou que respeitosamente discorda da decisão e que está avaliando os próximos passos. A empresa disse que o Journal tem uma "longa e orgulhosa história" como empregador em Hong Kong. "Durante todo esse período, mantivemos profundo respeito pelas leis trabalhistas locais e apoiamos os direitos de nossos funcionários, enquanto publicamos um jornalismo excelente e imparcial sobre a região", afirmou a empresa. Vitória parcial para Cheng Ao condenar a empresa, o juiz David Cheung destacou a exigência de que a jornalista obtivesse aprovação da companhia antes de se candidatar à eleição para um cargo de liderança no sindicato. Cheung afirmou que a eleição não ocorreu durante o horário de trabalho da jornalista. O juiz, porém, disse que a defesa apresentou dúvidas razoáveis suficientes em relação à segunda acusação, sobre a demissão. A defesa havia tentado convencer o tribunal de que Cheng foi demitida por causa de uma redução de quadro. A Dow Jones se declarou inocente no ano passado das duas acusações previstas na legislação trabalhista de Hong Kong. Cada uma delas prevê multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong (cerca de US$ 12.750). A primeira acusação afirma que a empresa impediu ou tentou dissuadir Cheng de exercer seus direitos de participação sindical. A segunda sustenta que a companhia encerrou o contrato da jornalista por ela exercer esses direitos. O advogado Benson Tsoi, que representa a Dow Jones Publishing Co. (Asia) May James/AP Durante o julgamento, a defesa argumentou que a acusação não havia comprovado suficientemente que a direção da empresa havia dado instruções ao supervisor de Cheng. A empresa também acusou a jornalista de ter usado de forma abusiva o processo criminal em uma audiência anterior. O juiz, porém, não considerou que a ação penal privada movida por Cheng tivesse sido motivada por qualquer objetivo impróprio. A sentença com a pena deve ser anunciada posteriormente. Cheng afirmou a jornalistas que o juiz foi justo com as duas partes. Ela disse que o caso chamou atenção para a repressão sindical em Hong Kong e que esperava que os empregadores entendessem que não têm o direito de exigir que funcionários consultem a empresa antes de entrar em um sindicato. Para Cheng, os direitos trabalhistas dos jornalistas são importantes para a liberdade de imprensa. "O direito de trabalharmos sem preocupação, sem estresse, sem riscos é a base da liberdade de imprensa de Hong Kong, mais do que qualquer outra coisa", afirmou. Ela disse que ainda discutirá com sua equipe jurídica se irá recorrer da absolvição do WSJ na acusação relacionada à demissão. Ambiente de imprensa em Hong Kong piorou A demissão de Cheng, em 2024, alarmou muitos jornalistas, especialmente porque veículos estrangeiros tradicionalmente enfrentavam menos pressão do que os meios de comunicação locais em Hong Kong. Depois que Pequim impôs uma lei de segurança nacional em 2020, dois veículos locais conhecidos pela cobertura crítica ao governo, Apple Daily e Stand News, foram obrigados a fechar após a prisão de integrantes de suas diretorias. Jimmy Lai, fundador do Apple Daily, foi condenado a 20 anos de prisão em fevereiro. Integrantes da equipe do jornal receberam penas que variam de seis anos e nove meses a 10 anos. Hong Kong, antiga colônia britânica que voltou ao domínio chinês em 1997, ocupa atualmente a 140ª posição entre 180 países e territórios no ranking mundial de liberdade de imprensa mais recente da organização Repórteres Sem Fronteiras. Em 2002, a cidade estava na 18ª posição entre 139 regiões, sua melhor colocação. Em 2020, Hong Kong ocupava a 80ª posição.

FONTE: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/09/10/tribunal-de-hong-kong-condena-editora-do-wall-street-journal-por-tentar-impedir-reporter-de-assumir-cargo-em-sindicato.ghtml


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