TRE nega registro de Ricardo Abrão e confirma candidatura de Waguinho ao Senado
29/09/2026
(Foto: Reprodução) PF cumpre mandado de busca e apreensão contra o deputado federal Ricardo Abrão, do PSDB
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira (29), indeferir o registro de candidatura do deputado federal Ricardo Abrão (PSDB), que tenta a reeleição nas eleições de 2026. Por sua vez, o órgão autorizou a candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo Waguinho (Republicanos) ao Senado.
No caso de Abrão, o julgamento havia sido interrompido na semana passada após um pedido de vista e foi retomado nesta terça. Com a decisão, o TRE-RJ também determinou o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para apuração de eventuais responsabilidades relacionadas à aceitação da candidatura pelo partido.
Nesta terça, o relator do caso, o desembargador Guilherme Calmon, mudou o voto que havia apresentado anteriormente, quando defendia a liberação da candidatura.
Segundo Calmon, novas provas incluídas no processo alteraram o conjunto de elementos analisados e passaram a indicar, de forma suficiente, a aplicação do artigo 17, §4º, da Constituição Federal, que proíbe a utilização de organização paramilitar por partidos políticos.
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) também se manifestou contra o registro. De acordo com o órgão, documentos incorporados ao processo apontam que Ricardo Abrão teria atuado como financiador de uma estrutura clandestina voltada à compra de votos em Nilópolis durante as eleições municipais de 2024.
Em seu voto, o relator citou a investigação sobre o chamado "QG 40", em Nilópolis, onde 24 pessoas foram presas às vésperas da eleição do ano passado. Segundo os autos, agentes encontraram dinheiro em espécie, armas de fogo, listas de eleitores e cadernos com registros de pagamentos que somavam R$ 161,75 mil.
Ricardo Abrão, deputado federal que assumiu o mandato de Chiquinho Brazão
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Calmon também mencionou mensagens extraídas de celulares apreendidos na investigação. Em uma delas, aparece a frase: "Ricardo Abrão esteve lá e deixou o carvão". Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, a palavra "carvão" seria uma referência a dinheiro em espécie supostamente entregue pelo deputado.
Outra mensagem citada no julgamento registra um operador afirmando que tentaria "arrumar um dinheiro com o Ricardo" para resolver situações relacionadas à compra de votos.
Para o desembargador, as mensagens, as apreensões e os demais elementos reunidos na investigação formam um conjunto de indícios "robustos, precisos e concordantes" sobre a suposta participação de Ricardo Abrão no financiamento da estrutura.
A defesa do deputado ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Alvo da PF
Ricardo Abrão é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
No começo do mês, Abrão foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) contra corrupção eleitoral.
Agentes cumpriram 1 mandado de busca e apreensão contra o parlamentar na residência dele, em um condomínio de casas de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
O mandado foi expedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dino pediu ainda a quebra do sigilo de dados de equipamentos eletrônicos do parlamentar.
O g1 tenta contato com as assessorias de imprensa do deputado e do PSDB.
Waguinho pode concorrer
O ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Waguinho (Republicanos), em entrevista ao Estúdio i.
Reprodução/GloboNews
No caso de Waguinho (Republicanos), por unanimidade, os desembargadores rejeitaram as ações que pediam a impugnação do registro do ex-prefeito.
O principal questionamento do Ministério Público Eleitoral (MPE) era a rejeição das contas de governo de 2021 e 2022 pela Câmara Municipal, após pareceres contrários do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Segundo a Procuradoria, Waguinho teria cometido irregularidades graves ao deixar de pagar parcelas de dívidas previdenciárias de exercícios anteriores.
Relator do caso, o desembargador Paulo Cesar Salomão Filho entendeu que, apesar da rejeição das contas, não ficou comprovado o dolo necessário para enquadrar o candidato nas hipóteses de inelegibilidade previstas pela Lei da Ficha Limpa. O voto foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte.
Durante a tramitação do processo, o TRE-RJ chegou a adiar o julgamento para pedir mais informações sobre uma investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), após questionamentos do desembargador Fábio Porto Ribeiro sobre a referência a Waguinho como "envolvido" no inquérito. O magistrado afirmou, na ocasião, que era necessário esclarecer o significado da expressão antes de qualquer conclusão.
Com a decisão desta terça, o tribunal concluiu que não havia elementos suficientes para impedir a candidatura do ex-prefeito, garantindo sua participação na disputa por uma vaga no Senado nas eleições deste ano.
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