'Tem queda que faz a gente voar': a história de Deise do Tombo, que virou influencer do Complexo do Alemão após viralizar como meme

  • 07/07/2026
(Foto: Reprodução)
Deise Gouveia: por trás do tombo, uma história que emocionou o Brasil “Tem queda que faz a gente voar” é a frase que Deise Gouveia usa para definir a sua vida nas redes sociais. A jovem, hoje com 26 anos, viu sua vida mudar depois que o vídeo de um tombo que ela sofreu no Complexo do Alemão viralizou nas redes sociais. Deise Gouveia é mais uma entrevistada da série Influência de Cria, que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do "Influência de Cria" para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Quem acompanhou a história na época pode até não saber de cara quem é Deise Gouveia, mas “Deise do Tombo” muitos se lembram rapidamente. O vídeo gravado em 2020 mostra Deise subindo um morro no Complexo do Alemão com um copo de bebida alcoólica na mão. Segundos antes da queda, a responsável por gravar a imagem questiona: "Não chega de beber, não, Deise?". Mas ela acena que não, se apoia no portão da casa, que abre, e rola pela escadaria. Por sorte, não se machucou, e o vídeo viralizou divertindo as redes sociais. Duas vidas começavam a mudar ali: a da própria Deise, que começou a ganhar milhares de seguidores e deu início à sua carreira de influenciadora; e a de Paula, a moradora da casa, que se tratava de um câncer e recebeu mais de R$ 130 mil em uma vaquinha online. Deise Gouveia Arte g1 As duas se conheceram quando Deise voltou à casa onde tinha caído para pedir desculpas. Deise estava debilitada enfrentando a doença. Com a mobilização nas redes, Paula passou a contar com ajuda para transporte até o INCA, alimentação, fraldas, medicamentos e conseguiu comprar uma casa para passar o resto da sua vida, já que a doença não tinha mais cura. Paula morreu dois anos depois. Hoje, Deise cursa Publicidade e Propaganda na Unisuam com bolsa integral e trabalha com as redes sociais e acredita que o episódio teve um propósito. A jovem é seguida por mais de 400 mil pessoas no Instagram. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Em entrevista ao g1, ela relembra o dia em que a cena foi gravada, conta como nasceu a corrente de solidariedade que emocionou milhares de pessoas e fala sobre a nova fase da carreira, sem esquecer das origens na comunidade onde cresceu. Como você chegou na internet? Faz quanto tempo? “Hoje eu tenho 26 anos, o vídeo foi em 2020, já tem seis anos. Eu só tinha 20 anos e um belo dia eu fui sair com as minhas amigas e na volta pra casa estava muito louca, bêbada. E aí eu achei que era o muro, encostei e caí. Inclusive, até hoje eu passo achando que é um muro, mas não é um portão. E aí eu caí lá embaixo, que foi o vídeo que viralizou, que todo mundo viu. E daí todo mundo conheceu a Deise do Tombo, né? 'Deise do Tombo' no vídeo que virou meme Reprodução Por consequência do destino, a dona dessa casa sofria de câncer e aí eu conheci ela através desse tombo. Conversei com ela porque, depois que viralizou, minha mãe falou ‘você caiu na casa de alguém, vai lá pedir desculpa’, um auê todo e aí eu voltei para pedir desculpa. E nisso que eu voltei pra pedir desculpas ela me contou a história dela, que tinha câncer no reto e no ovário, e nisso já tinha viralizado o vídeo. Já tinha muita gente me seguindo e aí eu perguntei se eu poderia contar a história dela. Ela deixou contar a história, contei a história dela, mostrei quem era a dona da casa e aí todo mundo se mobilizou com aquilo, com a situação que ela vivia." Deise Gouveia levou tombo em casa de desconhecida e viralizou nas redes Reprodução E como era a situação que ela vivia? "Uma mulher de idade que sofria de câncer, tinha muito sangramento e não tinha recursos. Não teve ajuda. E aí um amigo meu falou ‘Deise, faz uma vaquinha online’. Eu nunca nem tinha ouvido falar sobre a vaquinha online, que eu era muito leiga na internet. Eu entrava, olhava e saía. Não era nem de postar nada. E aí quando aconteceu isso, eu falei a ele ‘não sei como que é’. E aí ele até falou assim ‘Ah, vamos colocar um valor de R$ 5 mil que as pessoas ajudam e tal, mas não ajudam tanto’. Titia Paula, ajudada pela Deise do Tombo Reprodução Só sei que a gente postou e aí começou a subir, subir, subir, subir. A vaquinha chegou num valor de R$ 132 mil e a gente botou uma meta de R$ 5 mil e ultrapassou. A Paula não tinha conta. Aí eu falei pra ela abrir uma conta, tudo direitinho. Expliquei tudo pra ela, todo o passo a passo. Porque quando se fala em dinheiro, a gente tem que ser transparente, tem que ser honesto, porque muita gente achou assim ‘Ah, vocês dividiram o dinheiro?’ Não. O dinheiro foi dela, a vaquinha fizeram para ajudar ela e o dinheiro foi pra ela. Quando ela falou pra mim que não tinha conta, falei pra ela abrir. Ela correu atrás, abriu a conta e aí demorou mais ou menos um mês para o dinheiro cair na conta dela. Foi em 2020, final de dezembro, e o dinheiro caiu para ela em 2 de janeiro de 2021 e com isso ela comprou a casinha dela, teve um descanso em paz, que depois de uns dois anos ela veio a falecer. Mas durante esse tempo ajudei como eu pude e ela ficou toda feliz com a casa, houve quem julgasse falando que com o dinheiro ela pagaria um tratamento, só que o câncer dela já não tinha mais jeito, já não tinha mais o que fazer e aí ela optou por ter um conforto pelo menos no final da sua vida. E foi a escolha dela, o dinheiro dela e ela fez o que ela quis e ela ficou muito feliz com isso. E desde então surgiu a Deise do Tombo e aí eu trabalho com divulgação na internet até hoje." Como foi essa ajuda nos anos seguintes? "Então ela se tratava no INCA e aí ela não tinha condições de ir. Na época, o seu Cláudio, que é um amigo nosso também, que se disponibilizou a levar ela pra lá. E aí foram muitas pessoas se sensibilizando com a história dela. Deise e Paula Arquivo pessoal A Cris que vendia quentinha, ela ficou de dar todo dia, mandar uma quentinha pra ela e outro restaurante também se disponibilizou a mandar a quentinha pra ela também. E aí com isso, um mandava no almoço, um mandava na janta e eu fechava parcerias locais, por exemplo, doando uma fralda, que ela usava muita fralda. E tinham campanhas onde doando um pacote de fralda, você ganha uma entrega grátis da lanchonete, você ganha um lanche em dobro. A gente tentou juntar as parcerias dessa forma e a gente conseguiu bastante fralda. Conseguimos bastante ajuda porque ela sangrava muito e como ela não era aposentada ainda também, foi uma ajuda muito boa que a gente conseguiu para ela durante esse tempo. E aí deu pra ela aproveitar a casinha dela pelo menos uns dois anos." Vocês continuavam tendo contato? "Eu cheguei a ir na casa dela, cheguei a visitar ela. Sempre ia de máscara, né? Porque na época tinha o coronavírus. E por ela ter esses problemas de saúde, não confiava de ir mesmo de máscara. Evitava estar muito presente pessoalmente, mas todo dia mandava mensagem, entrava em contato e quando eu via que ela estava melhorzinha eu ia visitar ela e ela me recebia com alegria, sabe? Com aquela felicidade que não parecia uma pessoa que estava sofrendo com aquilo, sabe? Ela vinha com palavras de conforto que você se sentia acolhida. A presença dela era uma presença muito boa. Momentos inesquecíveis que ficaram na minha mente, coisas que eu vivi com ela, mas que creio que pra ela também foi muito significante, que ela sempre também foi muito grata." Deise e Paula Arquivo pessoal Como você enxerga o significado do seu tombo? "Eu acredito que seja um propósito de Deus para os dois lados, tanto para ela quanto para mim, porque Deus sabia da necessidade das duas. A vida de ninguém é perfeita. A vida de ninguém é um mar de rosas. E aí, no caso dela, ela sofria de câncer e no meu caso, eu moro com a minha avó paterna, que eu chamo de mãe. Hoje em dia mora minha tia também, que minha tia até é acamada, mas antes era só eu e ela. Meu pai faleceu, ficamos nós duas vivendo lá em casa. E aí teve um dia que choveu muito, muito forte e a gente tinha a nossa condição ali, sabe? Minha mãe era aposentada, eu estava procurando um emprego, fazia um ou outro para receber R$ 50 num dia, R$ 200 numa semana e quando tinha alguma coisa. E aí nessa que chovia muito, chovia mais dentro de casa do que fora. E teve um dia que eu e minha mãe ficamos desesperadas dentro de casa porque não tinha mais balde, não tinha mais panelas pra gente colocar. Eu falei que nunca mais a gente ia passar por isso. E depois que surgiu a Deise do Tombo, eu fui em redes de TV, na Globo, SBT, Record, apareci em todas as emissoras, viralizou na internet, fechei publicidades com marcas grandes e daí eu tive a minha renda e na época a Paula até todo mundo sabe que meu sonho era ter uma moto. Inclusive consegui realizar esse meu sonho através da internet também. E aí a Paula até chegou a falar comigo: ‘seu sonho é ter uma moto, quando esse dinheiro sair da vaquinha eu vou te dar o dinheiro para você comprar a moto’. E eu falei para ela ‘não, Paula, esse dinheiro é seu, você tem que fazer as suas coisas, cuida de você, faz o que você quiser com o seu dinheiro’. Deise e mãe Arquivo pessoal Se eu tiver que ter qualquer coisa nessa vida, Deus vai me dar, porque Deus em primeiro lugar na minha vida e eu sei que tudo é um propósito, sabe? De eu ter caído na casa dela, porque ela falou que quando eu caí que eu fui pedir desculpas, ela falou pra mim assim ‘Ah, é normal’. E quando ela falou normal, não foi por eu ter caído, foi porque outras pessoas também já caíram da mesma forma lá na casa dela. A diferença é que estavam me gravando e o vídeo viralizou. E aí a gente usou isso ao nosso favor. Fizemos do limão uma limonada, né? Então, assim, o tombo veio não só para ajudar ela, mas me ajudou também." Você pretende sair da comunidade? "Através dessas parcerias de publicidades e lugares que eu fui, eu consegui ter a minha renda. E as pessoas falam muito “ganhou dinheiro tem que sair do morro’, eu não acho. Eu acho que a gente tem que manter a nossa raiz, independente da nossa condição. Sim, evoluir com certeza, sempre, porque a gente quer sempre o melhor. Mas não se pode esquecer de onde a gente vem, a gente não pode virar as costas de onde a gente veio, sabe? E aí eu falei ‘mãe, você quer sair daqui ou quer fazer obra?’ Minha mãe falou ‘Não, quero fazer a obra que essa casa sempre foi o meu sonho’. Hoje em dia minha casa está maravilhosa, fizemos uma laje lá atrás, que é onde a gente faz nosso churrasco. Minha mãe adora comer churrasco, a gente faz nossa bagunça ali, eu boto o meu sonzinho, sento ali e fico vendo a vista do morro que lá em casa é bem top, sabe? E eu admiro muito. Eu gosto muito disso, sabe? E hoje em dia quando chove eu falo ‘Deus, muito obrigada por eu ter o meu teto, muito obrigada por não chover dentro da minha casa’. Eu sei que muitas pessoas ainda não podem ter essa oração de agradecimento, mas hoje eu estou podendo ter. Então assim o tombo veio pra somar pras duas. O dinheiro da vaquinha foi todo para ela, mas através do tombo, através da solidariedade, solidariedade, através da boa ação, Deus também proveu na minha vida. E hoje em dia eu vou vivendo disso. Não é que eu não pretendo sair da comunidade, mas hoje em dia é tanta violência e tantos lugares que onde eu moro em um lugar bem tranquilo, por mais que seja dentro da comunidade, o beco onde eu moro é um beco muito tranquilo, até em dia de tiroteio. Eu moro aqui há 26 anos, nunca pegou um tiro na minha casa, sabe? Então, se fosse sair daqui seria para um lugar melhor. Mas aonde? Me diz um lugar melhor nos dias de hoje? Tá difícil. Realmente está tudo muito violento." Deise e família Arquivo pessoal Hoje você faz faculdade, certo? "Sempre estudei, sempre gostei de estudar. Quando eu estava fazendo o ensino médio, fazia um curso de gestão empresarial. Depois fui para faculdade de contabilidade, fiz quatro períodos, vi que não era aquilo que eu queria. Estou na faculdade de Publicidade e Propaganda, estou fazendo o que eu gosto no momento. Gosto muito de estar buscando novos conhecimentos, sempre aprendendo mais. Conhecimento nunca é demais. Hoje em dia eu faço publicidade, ganhei uma bolsa de 100% na UNISUAM, sou bolsista e estou aproveitando bem isso."

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/07/07/tem-queda-que-faz-a-gente-voar-a-historia-de-deise-do-tombo-que-virou-influencer-do-complexo-do-alemao-apos-viralizar-como-meme.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes