Técnica de enfermagem é presa por vender remédios desviados de hospital público e canetas emagrecedoras no interior de SP
Uma técnica de enfermagem de 29 anos foi presa, em Campinas (SP), por suspeita de vender medicamentos desviado do Hospital Municipal Ouro Verde, além de canetas emagrecedoras ilegais. De acordo com a Polícia Civil, a investigada atuava como intermediadora em uma organização criminosa.
A EPTV, afiliada da TV Globo, apurou com exclusividade que Isabella Caroline dos Santos atraía clientes dentro da unidade hospitalar onde trabalhava e fazia as vendas por meio de um aplicativo de mensagens. Ela, inclusive, contava com um motoboy para fazer a entrega dos remédios para os compradores.
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Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (16) na casa da suspeita e nos hospitais Mário Gatti e na Maternidade Municipal. No endereço residencial foram encontrados diversos medicamentos, incluindo um opioide, classificado como entorpecente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e seringas.
A profissional de saúde vai responder pelos crimes de falsificação, corrupção, adulteração de produtos medicinais e tráfico de drogas. A Rede Mário Gatti informou em nota que a mulher era funcionária de empresa terceirizada e que pediu o afastamento dela. Uma sindicância também deve ser aberta para apurar o caso.
A reportagem tenta localizar a defesa de Isabella para pedir uma posição.
Como funcionava o esquema
A reportagem teve acesso a uma das conversas da suspeita com uma pessoa interessada em comprar os medicamentos. Em uma das mensagens, ela explica que o valor da caneta emagrecedora é de R$ 500 e que a ampola permite cinco aplicações. Depois, envia o link de vídeo explicativo de como o produto deve ser usado (assista na reportagem acima).
Em determinado momento, o cliente pergunta se o remédio é fabricado no Brasil. Isabella diz que a caneta é do Paraguai e pressiona: "vai querer ou não? É para falar logo". A técnica de enfermagem ainda detalha que só aceita pagamento em dinheiro e que a entrega seria feita na rua de trás da maternidade, em frente a um cartório.
As negociações eram feitas pelo celular da investigada, que foi apreendido para perícia, como explicou o delegado Marcelo Fehr da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). "Encontramos uma série de conversas dela, demonstrando que, de maneira permanente, ela vinha fazendo essas vendas dessas ampolas emagrecedoras, todas vindas de fato do exterior, por um preço médio de R$ 1,2 mil".
"Então eram várias entregas que ela fazia, várias encomendas que ela recebia, deixando muito clara a existência de uma estrutura organizada para a prática desses crimes. Havia pessoas de quem ela comprava esse medicamento, os fornecedores dela, e também uma cadeia logística de distribuição", detalha. Ainda segundo Fehr, seringas eram oferecidas como brinde.
Suspeita alegou ter esquecido seringas no bolso
No momento da abordagem para cumprimento dos mandados de busca, Isabella teria tentado apagar mensagens do celular, segundo a Polícia Civil, e tentou dar explicações de porque os medicamentos e seringas estavam sob sua posse. Parte dos produtos apreendidos tinham nomes de pessoas escritos à mão, no verso, ou identificações dos hospitais de origem, relatou o delegado.
"Alegou que é comum na atividade de enfermagem que eles coloquem as seringas, os medicamentos, no bolso do avental e quando encerram a jornada de trabalho esquecem de devolver e, por isso, ficou na casa dela. Uuma prática, obviamente, que é totalmente contrária às normas sanitárias. Ela não poderia estar armazenando na casa dela esses produtos que foram, obviamente, subtraídos".
"[Na casa dela] tinham muitos medicamentos que não são controlados, mas que estavam em poder dela, além dessas seringas, tudo pertencente a esse hospital, e também tinha um medicamento especificamente que é um analgésico opioide, ou seja, um medicamento absolutamente controlado pela Anvisa. Então ela foi presa em flagrante também pelo crime de tráfico de drogas".
O que dizem os citados
A Rede Mário Gatti informa que não tinha conhecimento do caso e que a profissional é uma técnica de enfermagem terceirizada e não contratada pela rede. Assim que soube da ação policial, imediatamente, a diretoria do hospital solicitou e a empresa contratante da profissional informou que vai abrir uma sindicância para apuração dos fatos. Ao final da sindicância, uma das penalidades poderá ser o desligamento da profissional pela empresa com a qual mantém contrato. A Rede Mário Gatti está à disposição da polícia para colaborar com as investigações. A Rede Mário Gatti solicitou para a empresa o afastamento da profissional da função dela no hospital.
O Hospital Maternidade de Campinas informa que, até o momento, não foi procurada pelas autoridades e que, caso seja demandada, irá colaborar integralmente com os órgãos competentes, esclarecendo ainda que a pessoa citada não integra seu quadro de colaboradores.
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