Tarifaço de Trump: cooperativa de mel do PI com mais de 800 famílias liga máquinas após queda de taxa
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Exportadores de mel celebram derrubada do tarifaço por Suprema Corte dos EUA
As máquinas de produção de mel da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos (PI), voltaram a ser ligadas após dois meses de portas fechadas. A retomada aconteceu na sexta-feira (20), após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço de 50% do presidente Donald Trump.
📈 Em resposta à Suprema Corte, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% e, no sábado (21), aumentou a alíquota para 15%. Especialistas apontam que o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros.
TARIFAÇO DE TRUMP: Entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil
O grupo de cooperativas é formado por 840 famílias. Segundo o diretor Sitonho Dantas, apesar do otimismo em relação às tarifas, os produtores e exportadores aguardam o desenrolar das negociações para retomar as vendas.
✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp
"Não conseguimos até agora renovar os contratos devido à dificuldade da questão da tarifa, que onera muito o mel brasileiro", explicou o diretor.
Sitonho afirmou que as últimas vendas foram concluídas no fim de 2025, a partir de contratos firmados no início do ano passado.
"Só não foi pior porque somos os maiores produtores de mel orgânico. Há três anos fornecemos 90% do mel orgânico que os EUA compram no mundo. Eles não encontraram outros países produtores com esse valor, por isso se submeteram a comprar com tarifa", destacou.
Outro problema são as chuvas irregulares, que atrasaram o início da safra de mel em 2026. O diretor destacou que a seca extrema afetou em cheio a produção da Casa Apis, que registrou uma queda de 35% — de 10 mil toneladas para 6,5 mil toneladas.
"Agora é torcer pela redução das tarifas e distribuição das chuvas", completou Sitonho, que espera que as exportações retornem ainda este mês.
Mel tinha ficado de fora
Duas decisões anteriores já haviam retirado alguns itens da lista do tarifaço imposto por Trump, mas o mel não havia sido contemplado.
Agora, o produto e outros itens brasileiros como o café solúvel, a uva e os pescados podem ser beneficiados.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, disse ao g1 que acredita que a retirada das tarifas pode destravar as negociações de compra enfrentadas pelo setor e que os efeitos da decisão podem começar a serem perceptíveis já em março.
"A queda traz de volta a competitividade ao mel brasileiro e nos coloca novamente numa posição de igualdade perante os concorrentes que temos", declarou Renato.
Veja a cronologia do tarifaço de Trump:
Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 — instrumento separado da Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA).
Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções.
Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Lula (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232.
No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes.
Em 21 de fevereiro, o republicano anunciou o aumento da taxa para 15%, com o objetivo de corrigir, segundo ele, “décadas de práticas comerciais injustas” que prejudicaram a economia americana.
Tarifaço de Trump: exportadores de mel voltam a ligar máquinas após dois meses
Sávio Magalhães/TV Clube
VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube