Suzane Richthofen vai cuidar de patrimônio de R$ 5 milhões do tio, mas Justiça proíbe venda de bens

  • 07/02/2026
(Foto: Reprodução)
Suzane von Richthofen tem direito à herança do tio? O que diz a lei Suzane von Richthofen, condenada por mandar matar os pais em 2002, foi nomeada nesta semana pela Justiça de São Paulo como inventariante do espólio deixado pelo tio materno, o médico Miguel Abdalla Netto, cujo patrimônio é estimado em mais de R$ 5 milhões. A nomeação foi assinada pela juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, no processo que vai tratar da divisão dos bens de Miguel, encontrado morto em 9 de janeiro, dentro da casa onde morava no Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. A polícia investiga a morte dele como suspeita, mas a principal hipótese é de infarto. Por isso, aguarda os resultados dos laudos periciais. A decisão, porém, impõe limites: embora passe a administrar e preservar os bens durante o inventário, Suzane não poderá vender, transferir ou usufruir dos dois imóveis, contas bancárias, carro e demais itens até que a partilha seja definida judicialmente — e terá de prestar contas à Justiça sobre qualquer ato de gestão. Na decisão, a magistrada apontou três razões principais para escolher Suzane: as regras do direito sucessório; o fato de o outro possível herdeiro não ter se manifestado; e a falta de comprovação, até agora, de união estável por parte de uma terceira interessada. Suzane, que tirou o sobrenome Richthofen; Miguel Netto, seu tio; e Carmem Magnani, prima dele Reprodução/Luara Leimig/TV Vanguarda e Arquivo pessoal Miguel morreu solteiro, sem filhos, sem irmãos e sem testamento, o que, pela lei, dá prioridade aos sobrinhos na administração do espólio. Além de Suzane, o único sobrinho vivo é Andreas von Richthofen, mas ele não se habilitou no processo; por isso, a juíza concluiu que Suzane era “a única pessoa apta” para cuidar do patrimônio. Suzane disputava a função com a empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, que tenta reconhecimento judicial de união estável com Miguel. A juíza, no entanto, afirmou que Carmem ainda não demonstrou a relação no âmbito do inventário — e que essa discussão corre em outra ação, ainda sem sentença. A magistrada também observou que, mesmo sendo parente, Carmem está atrás na ordem sucessória como possível herdeira, enquanto os sobrinhos são terceiro grau estão na frente neste momento. A defesa de Carmem informou que vai recorrer, alegando que a decisão saiu antes do fim do prazo — até 10 de fevereiro — para apresentação de documentos que, segundo as advogadas, comprovariam a união estável. O g1 tenta contato com a defesa de Suzane. A advogada de Andreas já havia dito que não comentaria o caso. À esquerda, portão do sobrado onde Miguel Netto morava e foi encontrado morto; à direita, sala do apartamento onde sua prima, Carmem Magnani, morou Reprodução/Google Maps/Arquivo pessoal Em paralelo à disputa no inventário, Carmem registrou boletim de ocorrência acusando Suzane de retirar da casa de Miguel, sem autorização judicial, itens como um carro e móveis; também relatou o desaparecimento de documentos e dinheiro. A Polícia Civil apura se houve invasão e furto, e a morte do médico segue sob investigação — peritos trabalham com a hipótese de infarto, mas o caso continua classificado como suspeito. Além disso, tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei (PL) do deputado Fernando Marangoni (União Brasil‑SP) que propõe alterar o artigo 1.814 do Código Civil para impedir que condenados por crimes dolosos contra parentes de até terceiro grau — como tios e sobrinhos — recebam herança. Se aprovado, o texto pode impactar diretamente a disputa envolvendo Suzane. O caso Richthofen Relembre o caso Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais em 2002 Há 23 anos, o engenheiro Manfred von Richthofen, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram assassinados dentro de casa, no Campo Belo. A polícia descobriu que Suzane havia mandado o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem o casal com barras de ferro. Os três tentaram simular latrocínio, mas confessaram e foram presos. Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos, e Cristian, a 38 anos. Suzane deixou a prisão em 2023, vive hoje em Bragança Paulista e adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz após se casar com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho. Daniel saiu da prisão em 2018 e trabalha com customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e também atua com o irmão. Cristian, Daniel e Suzane von Richtofen, na época em que foram presos, em 2002 Reprodução/ Globo News Brasil, São Paulo, SP. 12/11/2002. Reprodução de foto da família Richthofen. Da esquerda para a direita: Suzane von Richthofen, o irmão Andreas Albert von Richthofen e os pais Marísia von Richthofene e Manfred Albert von Richthofen Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/07/suzane-richthofen-vai-cuidar-de-patrimonio-de-r-5-milhoes-do-tio-mas-justica-proibe-venda-de-bens.ghtml


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