Surto de ebola na África: OMS e agência africana de saúde mobilizam US$ 518 milhões

  • 05/06/2026
(Foto: Reprodução)
Funcionário verifica a temperatura dos passageiros no Aeroporto de Bunia, no leste da República Democrática do Congo, em 3 de junho de 2026. GLODY MURHABAZI / AFP A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, agência de saúde pública da União Africana, lançaram nesta sexta-feira (5) um plano conjunto de 518 milhões de dólares (R$ 2,6 bilhões) para combater o surto de ebola na África central. A agência da ONU e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África anunciaram que o plano será implementado de junho a novembro, destaca a agência France Presse. O surto foi declarado em 15 de maio no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), mas acredita-se que a rara cepa Bundibugyo do vírus ebola estava se espalhando sem ser detectada há algum tempo. Segundo os dados mais recentes da OMS, há 381 casos confirmados na RDC, incluindo 64 mortes. Agora no g1 O surto atingiu três províncias do país, com o epicentro em Ituri, onde, segundo a agência de saúde africana, estão concentrados 90% dos casos confirmados e 76% das mortes. Do outro lado da fronteira nordeste, em Uganda, foram confirmados 16 casos, incluindo uma morte. “O plano concentra-se em áreas-chave: coordenação de emergência, vigilância, testes laboratoriais, prevenção e controle de infecções, assistência clínica e mobilização comunitária”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa. "É um plano prático. Ele descreve o que devemos fazer agora, juntos, para conter o surto atual e reduzir o risco de propagação", acrescentou. “É um plano com prazo definido, que abrange o período de junho a novembro deste ano”, explicou o funcionário, acrescentando que “tem um orçamento de 518 milhões de dólares”. O surto atual é maior do que os dois surtos anteriores de Bundibugyo, registados em 2007 e 2012, segundo a agência de saúde africana. Sem vacina aprovada para a cepa Bundibugyo, EUA retomam apoio à aliança de vacinação O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse na última terça-feira (2) que o país voltará a se envolver com a aliança global de vacinas Gavi, em meio ao surto de Ebola em vários países africanos, de acordo com a agência Reuters. A Gavi é uma organização que reúne atores públicos e privados com o objetivo de acelerar os esforços de vacinação em todo o mundo. Rubio declarou ao Comitê de Relações Exteriores do Senado que a decisão de voltar a participar da aliança foi tomada há algumas semanas, depois que o governo Trump retirou o financiamento da Gavi no ano passado. A OMS falou nas últimas semanas sobre as dificuldades financeiras na resposta ao surto de Ebola. Segundo a representante da organização no Congo, Anne Ancia, a redução global de recursos para saúde teve impacto direto nas operações da organização no país. Ela citou a saída oficial dos Estados Unidos da OMS em janeiro e os cortes em financiamento internacional promovidos pelo governo do presidente Donald Trump. Apesar disso, a representante afirmou que a cooperação técnica entre os EUA e a OMS continua funcionando. O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou ter recebido apenas 34% dos R$ 7,9 bilhões (US$ 1,4 bilhão) solicitados para ações humanitárias no Congo neste ano. Segundo o órgão, mais da metade dos recursos recebidos veio de Washington. Ainda não há vacina aprovada para a variante Bundibugyo do Ebola Ainda não existe vacina aprovada especificamente para a variante Bundibugyo, do vírus Ebola. Mas especialistas já avaliaram recentemente a possibilidade de usar a vacina Ervebo, da farmacêutica Merck, aprovada contra a cepa Zaire do Ebola e que apresentou sinais de proteção cruzada em estudos com animais. A decisão sobre eventual uso emergencial de vacinas cabe aos governos do Congo e de Uganda. A aliança internacional Gavi informou nas últimas semanas que já mantém 2 mil doses de vacinas contra Ebola no Congo caso os especialistas recomendem iniciar testes ou campanhas emergenciais. Especialistas afirmam que surtos causados pela variante Bundibugyo são incomuns e imprevisíveis, o que dificulta o desenvolvimento de vacinas específicas e protocolos rápidos de resposta. Além disso, pesquisadores alertam que a situação de segurança no leste do Congo — marcada por conflitos armados e dificuldades logísticas — pode dificultar tanto a contenção da doença quanto a realização de estudos clínicos. Empresa amplia produção de testes A BioFire Defense, ligada à empresa francesa bioMérieux, afirmou nas últimas semanas que está ampliando a produção de um teste aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) capaz de detectar diferentes variantes do Ebola, incluindo a Bundibugyo. Segundo a companhia, o teste — chamado BioFire Global Fever Special Pathogens Panel — consegue identificar múltiplas espécies do vírus. “A BioFire Defense está em contato ativo com autoridades de saúde pública e parceiros internacionais para monitorar a evolução do surto e avaliar possíveis necessidades de apoio”, afirmou um porta-voz da empresa. Moderna já anunciou parceria para desenvolver vacina contra cepa Bundibugyo Nesta segunda-feira (1°), a farmacêutica Moderna anunciou uma parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) para desenvolver uma vacina contra a cepa Bundibugyo do vírus ebola, responsável pelo surto em curso no leste da República Democrática do Congo (RDC). A Cepi é uma fundação internacional que financia projetos independentes de pesquisa de vacinas contra ameaças epidêmicas e pandêmicas. Ela destinará até US$ 50 milhões para financiar o desenvolvimento pré-clínico e os primeiros testes da candidata da Moderna. A organização também investirá em outras duas vacinas experimentais desenvolvidas por pesquisadores da Universidade de Oxford e da International AIDS Vaccine Initiative. A iniciativa ocorre enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda priorizar medicamentos e vacinas experimentais para prevenção e tratamento da doença. Segundo a OMS, o diagnóstico precoce e o acesso rápido aos cuidados de saúde aumentam as chances de recuperação. Nesta terça, a OMS informou que o número de casos suspeitos de ebola monitorados na África Central caiu nos últimos dias, após a exclusão de centenas de notificações que inicialmente eram investigadas como possíveis infecções. Em 31 de maio, a organização contabilizava 116 casos suspeitos na República Democrática do Congo (RDC), abaixo dos 906 registrados no fim da semana anterior. Segundo a OMS, a redução ocorreu porque muitos pacientes investigados tiveram outras doenças diagnosticadas ou apresentavam febre sem relação com o ebola.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/06/05/oms-e-agencia-africana-de-saude-lancam-plano-de-us-518-milhoes-para-combater-surto-de-ebola.ghtml


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