Superlotação e excesso de ambulantes dificultam desfiles no carnaval de rua; blocos cobram mais planejamento

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Músicos tentam deixar Santa Teresa depois de interromperem cortejo do Carmelitas Reprodução O do carnaval de rua do Rio em 2026 foi marcado por blocos superlotados, desfiles interrompidos e dificuldades de circulação provocadas pelo grande número de ambulantes, autorizados ou não, espalhados pelas ruas. Organizadores e representantes da categoria cobram mais planejamento da prefeitura para os próximos anos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Milhões de pessoas foram às ruas. Em vários pontos da cidade, havia mais foliões do que o espaço comportava. Carmelitas interrompe cortejo pela primeira vez em 36 anos Em Santa Teresa, o tradicional bloco das Carmelitas encerrou o desfile mais cedo na última sexta-feira (13), pela primeira vez em 36 anos, diante da grande concentração de público nas ladeiras estreitas do bairro. Em Laranjeiras, o bloco Laranjada precisou interromper o cortejo por alguns minutos para tentar dispersar a multidão. Em nota, a organização afirmou ter sido surpreendida pelo público acima do esperado. "Buscaremos junto a prefeitura, Riotur e órgãos competentes soluções e alternativas para o carnaval", disseram os organizadores em nota. No Aterro do Flamengo, um dos principais pontos de concentração neste ano, 12 blocos oficiais desfilaram, além de cortejos espontâneos. Mesmo com a dimensão do parque, o volume de pessoas gerou preocupação. Em situações de superlotação, banheiros químicos se mostram insuficientes e há relatos de falta de operadores de trânsito e segurança. Sargento Pimenta no Aterro do Flamengo, com um mar de guarda-sóis de ambulantes Wagner Meier/Riotur A presidente da Sebastiana, associação que representa 14 blocos, Rita Fernandes, afirmou que o público superou todas as previsões. "Foi muto maior do que a gente imaginava. Eu acho que a cidade já estava percebendo um fluxo enorme de turistas e de pessoas chegando. A gente não esperava que fossem tanta gente para os mesmos blocos", disse a presidente. "Mesmo tendo mais de 500 blocos na cidade, ainda sim a gente percebeu que os espaços não deram conta. A prefeitura não deu conta, os blocos não deram conta e muitos desfiles foram interrompidos sem conseguir avançar", completou Rita. Ambulantes sem orientação Além da superlotação, o excesso de ambulantes dificultou a movimentação em alguns blocos. A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes, defendeu maior ordenamento por parte do poder público. "A prefeitura da a autorização, vende o carnaval para a Ambev, são sorteados 15 mil ambulantes e cada um pega a sua caixa e vai pra onde quer. É muito difícil", afirmou. Tapumes na Praça da República prejudicaram a circulação do público e de ambulantes. Emily Santos/g1 Questionada se há controle sobre a concentração de vendedores em determinados blocos, ela respondeu que o certo seria a prefeitura orientar para onde cada ambulante deveria ir. "Ninguém tem controle. Eu acho que foi isso que deu essa confusão grande no carnaval. A gene cobra muito da prefeitura. A gente quer muito que a prefeitura direcione as pessoas. Dar o credenciamento e direcione". "Nós somos o garçom da festa, a gente faz essa festa ficar maravilhosa. imagina o bloco das Carmelitas sem os camelos na concentração? O bloco nem tinha se concentrado por causa do sol que tinha. A gente tava ali pra servir os foliões, mas tinha muito folião e muito garçom na festa", comentou. Carnaval não oficial pressiona estrutura Outro fator apontado por organizadores é o crescimento dos blocos não oficiais, que não solicitam autorização prévia à Prefeitura e, por isso, não contam com estrutura de trânsito, banheiros ou limpeza programada. O bloco Boi Tolo, que tradicionalmente desfila no domingo de carnaval, reuniu uma multidão na entrada do túnel que liga Botafogo a Copacabana. Para Rita Fernandes, esses blocos precisam ser incorporados ao planejamento da cidade. "A prefeitura tem que dialogar com esses blocos e tem que entender e mapear esses blocos. O Boi Tolo tudo mundo sabe que ele sai, de onde sai e quanta gente leva. Então, mesmo que seja um bloco não oficial, ainda assim, ele se torna um bloco oficial da cidade porque sempre acontece", afirmou. "O planejamento de trânsito por exemplo para o Boi Tolo, independente dele ser oficial, tem que ser feito. A prefeitura tem que considerar o Boi Tolo, como outros grandes blocos não oficiais, como parte de calendário de carnaval da cidade", completou Rita. Bloco e Paixão leva multidão para o Largo de São Francisco, no Centro do Rio, na manhã deste domingo (8) Alex Ferro / Divulgação Riotur A Riotur estimava que 8 milhões de pessoas participassem do carnaval de rua, com impacto de quase R$ 6 bilhões na economia da cidade. A ocupação hoteleira chegou a 99%, sem contar imóveis de aluguel por temporada. Apesar dos problemas registrados, a programação segue até domingo, com quase 40 blocos oficiais ainda previstos para desfilar na cidade. O que diz a Prefeitura do Rio Em nota, a Prefeitura do Rio informou que o planejamento é realizado com meses de antecedência e que, desde agosto, são conduzidos estudos técnicos para dimensionamento de público e definição de estrutura. Sobre os blocos não cadastrados, a administração municipal afirmou que se tratam de manifestações espontâneas, sem solicitação formal, o que impossibilita planejamento específico. A prefeitura informou ainda que, ao fim da operação, os relatórios técnicos serão consolidados e os organizadores serão ouvidos para aprimorar o planejamento dos próximos anos. Superlotação e excesso de ambulantes dificultam desfiles no carnaval de rua; blocos cobram mais planejamento Reprodução TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/carnaval/2026/noticia/2026/02/20/superlotacao-e-excesso-de-ambulantes-dificultam-desfiles-no-carnaval-de-rua-blocos-cobram-mais-planejamento.ghtml


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