Supercentenária brasileira completa 115 anos e é a sexta pessoa viva mais velha do mundo; 'É uma data histórica', diz bisneta
22/06/2026
(Foto: Reprodução) Veja os parabéns no aniversário da brasileira de 115 anos, a 6ª mais velha do mundo
Com uma vida que atravessou mais de um século, Beatriz Ferreira Duarte foi reconhecida como a segunda pessoa viva mais velha do Brasil. A supercentenária pernambucana completou 115 anos no domingo (21) em uma festa ao lado de familiares e amigos (veja vídeo acima, que mostra o momento dos parabéns).
Beatriz nasceu em Moreno, no Grande Recife, em 21 de junho de 1911. Ao longo da vida, cuidou da família que construiu ao lado do marido, Amaro Cipriano Duarte, já falecido. Atualmente, a família reúne três filhos vivos de um total de oito, além de sete netos, 12 bisnetos e dois tataranetos, um deles ainda em gestação.
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Beatriz integra um grupo ainda mais restrito. No Brasil, somente uma pessoa é mais velha que ela: a alagoana Yolanda Beltrão de Azevedo, que também tem 115 anos, mas nasceu antes da pernambucana, em 13 de janeiro de 1911.
Os dados são da LongeviQuest, uma organização internacional especializada na validação de registros de pessoas com mais de 110 anos, conhecidas como supercentenárias. Ainda segundo a instituição, apenas cinco pessoas vivas no mundo todo têm idade comprovadamente superior à de Beatriz:
Ethel Caterham, de 116 anos e que nasceu no Reino Unido em 21 de agosto de 1909;
Naomi Whitehead, de 115 anos e que nasceu nos Estados Unidos em 26 de setembro de 1910;
Lucia Laura Sangenito, de 115 anos e que nasceu na Itália em 22 de novembro de 1910;
Yolanda Beltrão de Azevedo, de 115 anos e que nasceu no Brasil em 13 de janeiro de 1911;
Shigeko Kagawa, de 115 anos e que nasceu no Japão em 28 de maio de 1911.
A brasileira Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos e é a 6ª pessoa viva mais velha do mundo
Reprodução/TV Globo
De acordo com a família, a história de Beatriz chegou à LongeviQuest quase por acaso. Tudo começou após a publicação de uma foto dela nas redes sociais, quando tinha 112 anos. A organização entrou em contato com os parentes, que reuniram e enviaram a documentação necessária. A validação foi concluída em 12 de setembro de 2023.
Ao g1, a primeira bisneta de Beatriz, Yslla Duarte, contou que, embora a bisavó não esteja mais lúcida desde os 107 anos, a família celebra o privilégio de ainda conviver com ela.
"Para a gente, é uma alegria imensa, é uma satisfação. A gente tem o privilégio de conviver com ela e aprendeu muito ao longo dessa caminhada, tanto os filhos como os netos e bisnetos. Hoje, de saúde, ela está muito bem. Ela não toma nenhuma medicação, é muito saudável, todas as taxas são boas. Agora, ela não está mais lúcida hoje. Ela esteve até os 106 anos", disse a bisneta de Beatriz.
Moradora de Jaboatão dos Guararapes, também no Grande Recife, Beatriz vive com uma das filhas. A comemoração foi realizada na cidade onde mora. Segundo Yslla, a família costuma celebrar os aniversários de forma simples, em casa, mas, em datas marcantes, como os 100, 105 e agora os 115 anos, organiza festas maiores.
Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos e é a 2ª pessoa viva mais velha do Brasil
Arte/g1
"Nós fizemos a festa de 100 anos, depois comemoramos os 105, sempre com uma festa maior, chamando mais gente. Todo ano, a gente comemora, mas de uma forma mais simples, na casa dela mesmo. Este ano é uma data muito marcante, então preferimos chamar familiares e pessoas mais próximas. Foram cerca de 80 convidados. Alugamos um salão de festas para fazer a comemoração. Tudo muito simples, mas marcante. É uma data histórica", afirmou.
Com o passar dos anos, Beatriz passou a precisar de acompanhamento diário para se alimentar e se locomover, utilizando cadeira de rodas. Ainda assim, mantém características que marcaram sua personalidade ao longo da vida, segundo a bisneta.
"Ela sempre foi uma pessoa de personalidade, muito tranquila, muito destemida. Nunca foi uma pessoa de pressa, de se estressar com as coisas. As notícias ruins chegavam, e ela sempre foi muito equilibrada", disse.
Lembranças
Para a bisneta, as lembranças ao lado de Beatriz são muitas. Uma delas envolve a coordenação motora e a vitalidade que a bisavó mantinha mesmo idosa, em uma cena que ficou marcada na memória da família.
"Tem algumas cenas pra mim que são memoráveis. Ela já bem idosa, por exemplo, isso é sobre saúde, sobre vitalidade, sobre coordenação motora. Ela derramava o café no pires, não era na xícara não, ela derramava no pires e levantava o café quente até a boca e se equilibrava. Isso a gente tá falando dela bem idosa mesmo. É uma cena que é emblemática para toda a família", relembrou.
Outra lembrança marcante, de acordo com Yslla, é a forma serena com que a bisavó encarava a morte e o ciclo da vida, resumida em uma frase que costumava repetir aos familiares.
"Outras coisas que ela dizia também, quando uma pessoa falecia, alguém próximo, às vezes a irmã dela mesma, ela dizia é assim mesmo, ninguém fica para semente. Quem tem que morrer esse ano não morre para o ano", contou.
Beatriz Ferreira Duarte, Amaro Cipriano Duarte e suas quatro filhas
Acervo pessoal
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