STJ determina abertura de processo disciplinar contra Buzzi, ministro acusado de assédio
14/04/2026
(Foto: Reprodução) O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (14) abrir um processo disciplinar contra o ministro Marco Buzzi, alvo de denúncias de importunação sexual. Buzzi nega as acusações.
O plenário do STJ analisou o relatório de uma sindicância interna que concluiu pela gravidade dos fatos imputados ao ministro.
O documento também defende a manutenção do afastamento de Buzzi até que o caso seja totalmente encerrado.
Além da sindicância no STJ, o ministro também é alvo de uma apuração no STJ e de um inquérito no Supremo Tribunal Federal que foi aberto nesta terça pelo ministro Nunes Marques (veja mais abaixo).
A defesa do magistrado tem dito, em manifestações enviadas à imprensa, que Buzzi "não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória". E que as alegações apresentadas contra o ministro "carecem de provas concretas" (leia a íntegra aqui).
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Buzzi é alvo de duas denúncias de importunação sexual. A primeira é de uma jovem de 18 anos que passou as férias de janeiro com a família na casa do ministro em Santa Catarina.
A outra é de uma mulher que trabalhou no gabinete dele. O caso teria ocorrido em 2023 e ela teria relatado episódios reiterados de assédio.
As duas vítimas foram ouvidas pelo Conselho Nacional de Justiça, que compartilhou informações.
Em decisão unânime, STJ afasta o ministro Marco Buzzi, investigado por importunação sexual a duas mulheres
Jornal Nacional/ Reprodução
Um processo disciplinar pode levar a punição máxima de aposentadoria compulsória.
Em fevereiro, por unanimidade, o STJ decidiu afastar Buzzi do cargo enquanto durar a apuração. O ministro está, inclusive, impedido de entrar nas dependências do tribunal.
Inquérito no STF
Nesta terça-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal Nunes Marques determinou a abertura de um inquérito para investigar a conduta do ministro Marco Buzzi, que está afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de assediar sexualmente uma jovem de 18 anos.
🔎A abertura de inquérito representa o início formal de uma fase de apuração para verificar a existência de um crime e a respectiva autoria. Esse procedimento é autorizado quando há indícios mínimos de irregularidades, servindo como uma ferramenta essencial para que se possa verificar a veracidade das suspeitas levantadas. A abertura da apuração não constitui uma condenação antecipada e não confirma a prática de atos ilícitos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à abertura de inquérito para apurar a conduta de Buzzi.
"Há elementos suficientes para instauração do inquérito", afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em documento enviado no dia 31 de março ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Em fevereiro, por unanimidade, o STJ decidiu afastar Buzzi do cargo enquanto durar a apuração. O ministro está, inclusive, impedido de entrar nas dependências do tribunal.
O inquérito aberto por Nunes Marques no STF também deve apurar os relatos dessa ex-assessora do ministro. Ela denunciou os supostos episódios de assédio ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O CNJ, por sua vez, compartilhou provas com o STF.
Nota
Leia a íntegra da nota da defesa do ministro Marco Buzzi:
A defesa do ministro Marco Buzzi repudia a campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa, marcada por vazamentos seletivos, distorções e ausência deliberada do direito básico de defesa.
Os reveses jurídicos pontuais desta fase inicial não alteram a realidade dos fatos: o ministro não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória. As alegações apresentadas até o momento carecem de provas concretas.
Chama atenção que parte dessas narrativas tenha origem em advogada com interesses diretos em processos e decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o que agrava ainda mais a necessidade de cautela e responsabilidade na divulgação dessas informações.
É inaceitável que, sob o pretexto de uma causa relevante, se promova um verdadeiro linchamento moral, baseado em ilações, contra um magistrado com mais de quatro décadas de atuação irrepreensível e sem qualquer mácula em sua trajetória.
Maria Fernanda Ávila
Paulo Emílio Catta Preta