Sítio arqueológico de Rajada guarda gravuras rupestres de 6 mil anos no Sertão de PE

  • 13/01/2026
(Foto: Reprodução)
Sítio arqueológico em Rajada reúne arte rupestre, história e belezas naturais Um lugar para esquecer os problemas, contemplar a natureza e ver parte da história da humanidade. Tudo isso pode ser encontrado no distrito de Rajada, que fica a 100 km da sede do município de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Dentro da Caatinga, os visitantes podem ver gravuras feitas pelo homem há mais de 6 mil anos, em rochas que há milhões de anos ajudam a formar o planeta Terra. 📱:Baixe o app do g1 para ver notícias de Petrolina e Região em tempo real e de graça Petrolina 130 anos: conheça cinco locais da cidade que vão te surpreender Em 2015, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou um mapeamento de figuras rupestres encontradas em três sítios arqueológicos de Rajada: Açude das Pedras, Sítio Manteiga e Papai Valério. O que antes era visto pelos moradores como “desenho de índios” passou a ter significado científico graças ao trabalho do professor Genivaldo Nascimento. “Eu mandei fotos dessas gravuras para o professor Juvandi Santos, da Universidade Estadual da Paraíba, ele estuda a Pedra do Ingá, e ele confirmou que eram gravuras. E aí eu entrei em contato com o Iphan, com o Ministério Público e, de 2015 para cá, nós divulgamos do ponto de vista científico essas gravuras”, diz o professor. “O povo sempre soube que aqui tinha esses desenhos, mas nós não sabíamos da importância científica e histórica”, destaca Genivaldo. Professor Genivaldo Nascimento é um dos responsáveis pelo reconhecimento do sítio arqueológico de Rajada Emerson Rocha /g1 Petrolina Um dos moradores de Rajada que sempre se encantou com o Açude das Pedras e via com curiosidade os desenhos cravados nas pedras é Francisco Arion Rodrigues, de 25 anos, que desde criança visita o local. Um hábito que vem passando de geração em geração. “Quando a gente era criança, eu lembro que o meu avô vinha, trazia a gente para um lazer aqui. Ver o açude cheio, quando ele sangra, é uma coisa que não sai da mente. Quando a gente chega assim nesse ponto que ele está mais baixo, que a gente pode ver as rochas perfeitas. É uma coisa que a gente não tem como explicar, que é uma coisa natural da natureza que nenhum ser humano consegue fazer”, descreve Francisco. Francisco Arion visita o sítio arqueológico de Rajada desde criança Emerson Rocha / g1 Petrolina Francisco trabalha como carregador de caminhão e, sempre que pode, vai até o Açude para recarregar as energias. “É um lugar mágico. Quando você chega, pode chegar cansado, exausto, você chega, você fica suave. É como se estivesse no céu. Quando eu estou aqui, eu me sinto mais leve, como se os problemas ficassem lá e eu aqui”, afirma. História das figuras Sítio arqueológico Açude das Pedra, em Rajada Emerson Rocha / g1 Petrolina As rochas que formam o Açude das Pedras guardam inúmeras figuras feitas há milhares de anos. O professor Genivaldo explica que, possivelmente, os desenhos foram feitos por pessoas que saíram do território que hoje é o estado do Piauí em direção ao rio São Francisco. “Antes de Rajada existir, aqui onde nós estamos, por exemplo, por aqui outros povos existiram, habitaram e tal”. Os visitantes precisam fazer um exercício de imaginação para dar significado aos desenhos feitos nas rochas. Segundo o professor, o fato de a ciência não poder explicar o contexto das figuras deixa o sítio arqueológico ainda mais fascinante. “As gravuras têm um contexto e esse contexto se perdeu, nós só podemos construir hipóteses de significados. Que elas têm significado, têm, porque se elas não fossem importantes, se elas não transmitissem alguma mensagem, elas não teriam sido construídas por causa do esforço físico que esses povos utilizaram para fazer essas gravuras. Então, o significado delas, esse significado vai ser para sempre esse enigma, nós só podemos construir hipóteses”. Os desenhos foram esculpidos em rochas magmáticas, que estão entre as mais antigas do planeta. “A rocha magmática tem uma textura que facilita a inscrição, a construção do desenho. Elas são rochas, assim, vamos dizer, mais moles e mudam também de temperatura. Conforme a época do ano, as gravuras podem ser melhores visualizadas, na época mais quente, época mais fria e tal”, diz Genivaldo. Galerias Relacionadas “Essas rochas têm em torno de 650 milhões de anos e ajudam a explicar um pouco a história não apenas da região, mas do planeta Terra. As rochas são testemunhas do que ocorreu, das mudanças que aconteceram no nosso planeta. Então, o sítio arqueológico de Rajada, o Açude das Pedras, tem essa importância geológica também por causa dessas rochas”, completa o professor. Ação do homem põe sítio arqueológico em risco Ação do homem coloca em risco sítio arqueológico em Rajada, na zona rural de Petrolina Emerson Rocha /g1 Petrolina A ação do homem, que há milhares de anos transformou o Açude das Pedras em lugar especial, hoje põe em risco o sítio arqueológico, um problema identificado desde 2015, quando a área foi reconhecida pelo Iphan. Os sinais de sujeira estão por toda parte, com garrafas plásticas, rochas manchadas de tinta e restos de fogueiras. Um problema que o professor Genivaldo tenta enfrentar conscientizando os moradores locais. “Há 10 anos nós começamos esse trabalho aqui de conscientização com a comunidade, com os jovens, com os idosos, com os moradores, no geral, porque esse Açude é um tesouro, só que ele é um tesouro ainda malcuidado e todo tesouro que é malcuidado corre o risco de desaparecer, né?”, afirma. Embora existam duas placas instaladas pela prefeitura na entrada do sítio, uma delas caída há dois anos, alertando que aquela é uma área de preservação e faz parte do Patrimônio Cultural, protegido pela Constituição Brasileira de 1988, que reconhece os sítios arqueológicos como bens da União, e pela Lei 3.924/91 (Lei da Arqueologia), os problemas persistem. Em nota, o Iphan explicou que “recebeu denúncias sobre descarte irregular de lixo e pichações nas proximidades das gravuras rupestres e, diante disso, tem realizado ações de fiscalização para verificar as condições do local, sendo que a última vistoria foi realizada no dia dois de dezembro de 2025”. A nota afirma que “no âmbito de suas ações interinstitucionais, o Iphan comunicou à Agência Municipal de Meio Ambiente de Petrolina sobre as ocorrências registradas e realizou visita técnica conjunta em julho de 2024. Após a fiscalização, o Instituto encaminhou orientações ao órgão municipal, incluindo a manutenção da sinalização, a inclusão do sítio em vistorias regulares e a avaliação de visitação controlada, não havendo, até o momento, retorno formal sobre as medidas adotadas”. “Além disso, o Iphan encaminhou à Polícia Federal, por meio de ofício, os laudos técnicos produzidos, com o objetivo de subsidiar a apuração de possíveis infrações ao Código Penal Brasileiro relacionadas a danos ao patrimônio arqueológico”. O Iphan finaliza a nota dizendo que “permanece atuando dentro de suas competências legais, por meio de ações de fiscalização, articulação institucional e orientação técnica, reforçando que a preservação do patrimônio arqueológico é uma responsabilidade compartilhada, que envolve o poder público, as instituições de preservação e a sociedade”. Ação do homem coloca em risco sítio arqueológico em Rajada, na zona rural de Petrolina Emerson Rocha / g1 Petrolina A prefeitura de Petrolina, através da Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA), informou que fez visita técnica ao Açude da Pedra, em 2024 e 2025, com o objetivo de avaliar as condições do local e adotar medidas de preservação do patrimônio ambiental e histórico. Segundo a a nota, durante a ação, foi realizada a reinstalação da placa de sinalização, reforçando as orientações aos visitantes quanto à importância da conservação da área, que possui relevante valor histórico e cultural, especialmente pelas pinturas rupestres ali existentes. A AMMA também destacou que estão previstas novas ações este ano para o local, entre elas: identificação da área com nova sinalização; cercamento do perímetro a ser protegido, visando evitar danos ao sítio arqueológico e instalação de lixeiras, com o objetivo de reduzir o descarte irregular de resíduos. Genivaldo Nascimento acredita que a preservação pode tornar o sítio arqueológico em um local ainda mais atrativo para turistas e rentável para os moradores de Rajada. “É preciso uma atenção maior da prefeitura, do Iphan, da comunidade, porque a comunidade joga lixo aqui. Esse espaço tem um potencial enorme para se transformar de fato em um lugar de turismo, do turismo rural, isso é importante para a região, porque pode gerar renda, a comunidade vai valorizar mais também”. Vídeos: mais assistidos do Sertão de PE

FONTE: https://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2026/01/13/sitio-arqueologico-de-rajada-guarda-gravuras-rupestres-de-6-mil-anos-no-sertao-de-pe.ghtml


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