Senado dos EUA aprova Kevin Warsh como presidente do banco central americano

  • 13/05/2026
(Foto: Reprodução)
Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump para presidir o Federal Reserve, em foto de 21 de abril de 2026 Reuters/Kevin Lamarque O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (13) a indicação de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Federal Reserve. O advogado e financista de 56 anos assumirá o comando no comando do banco central dos EUA, que enfrenta uma alta da inflação, o que pode dificultar cortes nas taxas de juros defendidos por Donald Trump. A votação ficou em 54 a 45 e ficou marcada como a confirmação mais partidária da história para um presidente do Fed no Senado dos EUA. Apenas um democrata, John Fetterman, votou com a maioria republicana. Sua posse para o mandato de quatro anos no comando do Fed e para um mandato simultâneo de 14 anos como diretor do Fed, aprovado pelo Senado na terça-feira (12), aguarda as assinaturas finais da Casa Branca na documentação enviada pelo Senado.  Vídeos em alta no g1 Trump está na China para reuniões com o presidente Xi Jinping e "pretende assinar a documentação o mais rápido possível para restaurar a confiança na tomada de decisões do Fed", disse uma autoridade da Casa Branca. Warsh assumirá no lugar do atual presidente do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina na sexta-feira (15). Powel permanecerá como diretor do banco central americano, enquanto Stephen Miran, atualmente o maior defensor dos cortes nas taxas de juros americanas, dará lugar a Warsh. Com expectativa de presidir a próxima reunião do Fed, em 16 e 17 de junho, Warsh se junta ao banco central num momento em que os formuladores de políticas estão envolvidos em um debate vigoroso sobre a direção das taxas de juros. Algumas autoridades estão preocupadas com o fato de a inflação estar se expandindo, mesmo além do impacto das tarifas do governo Trump e do aumento dos preços do petróleo decorrente da guerra do Irã. Um índice de preços ao produtor, componente-chave da inflação geral, aumentou 6% em abril em relação ao ano anterior, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira. Esse é o ritmo mais rápido desde dezembro de 2022, quando o Fed lutava contra um aumento recorde de 40 anos nos preços com aumentos acentuados das taxas. Os analistas projetam um aumento de 3,8% no índice de inflação PCE em abril, afastando-se ainda mais da meta do Fed de 2%. Divisão partidária A votação apertada sobre Warsh marca um desafio para o Fed, cujos líderes costumam ser aprovados em votações simbólicas ou com amplo apoio bipartidário. Até então, a votação mais partidária sobre um presidente do banco central americano tinha acontecido em 2014, quando Janet Yellen foi aprovada com 56 votos favoráveis e 26 contrários. Na ocasião, 11 republicanos se juntaram à maioria democrata. Trump tem instigado o banco central a reduzir as taxas de juros e empreendeu o que Powell chama de uma "série de ataques legais" sobre o banco central. Isso inclui uma tentativa de demitir a diretora do Fed Lisa Cook, no ano passado. O Departamento de Justiça de Trump também lançou uma investigação criminal contra Powell, que foi abandonada por enquanto, mas deixou a porta aberta para ser retomada. Foram esses ataques que levaram alguns democratas a votar "não", apesar de acharem que Warsh era qualificado para o cargo. "Tenho sérias preocupações sobre se ele conseguirá permanecer totalmente independente diante da pressão política da Casa Branca", disse um desses senadores, Mark Warner. "Espero que, como chairman, ele prove que essas preocupações são infundadas e demonstre claramente que defenderá a independência do Fed, seguirá os dados e colocará a estabilidade de longo prazo da economia norte-americana acima dos caprichos deste ou de qualquer outro presidente." A decisão de Powell de contrariar a tradição e permanecer no Fed além do final de seu mandato de chair, pelo menos até que a investigação do DOJ seja definitivamente encerrada, foi motivada de forma semelhante pela preocupação de que o Fed continue a ser capaz de definir as taxas de juros sem pressões políticas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que se juntou a Trump ao criticar o Fed de Powell, deu as boas-vindas à liderança de Warsh "em uma instituição que precisa de responsabilidade, orientação política sólida e um senso renovado de propósito para ajudar a guiar nossa economia". Trump espera que Warsh defenda taxas mais baixas, e Warsh expressou apoio à opinião de Trump. Ainda assim, ele disse aos senadores em sua audiência de confirmação no mês passado que não havia feito nenhuma promessa em relação às taxas, embora tenha prometido fazer grandes mudanças, incluindo maior cooperação com o governo em questões de política não monetária. Warsh não é estranho à discórdia dentro do Fed. Como diretor do Fed durante o mandato de Ben Bernanke como chair, ele expressou reservas sobre a política, embora tenha deixado a diretoria em 2011 antes de proferir qualquer voto dissidente. Em sua audiência de confirmação, ele disse aos senadores que vê com bons olhos uma "briga de família" no Fed, à medida que os formuladores de políticas elaboram a resposta correta da política monetária às condições econômicas.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/13/senado-dos-eua-aprova-kevin-warsh-como-chair-do-federal-reserve.ghtml


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