Sem divulgação pela prefeitura, novo censo aponta população em situação de rua no Rio cresceu 4,2%: são 8,2 mil sem-teto
14/01/2026
(Foto: Reprodução) Novo censo de pessoas em situação de rua da prefeitura do Rio aponta 8 mil sem-teto
O novo censo que contabiliza pessoas em situação de rua da prefeitura do Rio, feito em 2024, mostrou um aumento de 4,2% em relação ao anterior, que usava dados de 2022. O total atualizado, segundo a pesquisa, é de 8.195 mil pessoas sem-teto.
O levantamento não chegou a ser divulgado. O estudo foi publicado no site do Data Rio, o portal de dados da prefeitura, mas na página principal do site não há qualquer menção à nova pesquisa. O destaque ainda era para o censo de 2022, como mostrou o RJ2.
Na página da Secretaria de Assistência Social, que sofreu uma queda de R$ 7 milhões no orçamento e está com a menor marca dos últimos 10 anos, também não há menções ao estudo.
De acordo com o novo censo, são mais de 8 mil pessoas em situação de rua, mas 2.438 delas em instituições de acolhimento.
Já um levantamento feito fora do Rio, pela Universidade Federal de Minas Gerais, com dados de 2025 registrou quase o triplo de pessoas em situação de rua 23.431. O estudo usa como base o CadÚnico, cadastro do governo federal para políticas públicas sociais.
Novo censo da prefeitura do Rio sobre pessoas em situação de rua
Reprodução/TV Globo
No censo de 2024 da prefeitura, o Centro foi a região da cidade onde mais pessoas foram abordadas, seguido por Botafogo e Copacabana:
Centro: 1.330
Botafogo: 495
Copacabana: 359
Méier: 306
Ramos: 287
Bangu: 239
Jacarepaguá: 231
Perfil
O censo mostra que a maioria dos entrevistados era do sexo masculino (82%) e mais de 70% estavam na faixa etária entre 18 e 49 anos – sendo que 83% dos entrevistados se autodeclararam pretos ou pardos.
A maioria (60%) disse ter ensino fundamental incompleto - 16% completaram o ensino médio e 10% não sabiam ler um bilhete simples.
Metade (53%) respondeu que mantém contato com a família e quando questionados sobre os motivos de dormir na rua, a causa principal citada foram conflitos familiares (36%). Em seguida, vem alcoolismo ou uso de drogas (23%).
Perguntados sobre o que precisam para sair das ruas, a maioria (36%) respondeu emprego, 17% disse moradia e 10% dinheiro.
Pessoa em situação de rua
Reprodução/TV Globo
A grande maioria (82%) declarou não possuir residência fixa e apenas 1% relatou estar na rua ou em abrigo para ficar mais perto do trabalho.
No que diz respeito à segurança alimentar, 45% dos entrevistados afirmaram depender de doações e 2% haviam recorrido ao lixo para comer. Perguntados se tinham ficado um dia inteiro sem comer na última semana, mais de 30% informaram que sim.
Desde 2024, o Ministério Público Federal (MPF) solicita à prefeitura os dados deste censo. Até então, os procuradores não receberam qualquer informação.
Uma ação do MPF pede intervenção urgente da Justiça Federal e acusa o governo municipal de grave omissão na política para a população em situação de rua.
Procurada, a prefeitura do Rio disse que o censo 2024 está publicado no site "Data Rio" desde 2 de janeiro e que o censo é uma atuação integrada entre o Instituto Pereira Passos, a Secretaria Municipal de Assistência Social e a Secretaria Municipal de Saúde, com foco no aprimoramento das políticas públicas destinadas à população em situação de maior vulnerabilidade social.
A prefeitura enviou outras informações sobre a metodologia usada, mas não respondeu por que demorou tanto para publicar o censo de 2024, nem por que não divulgou os dados.
A prefeitura também deixou de explicar por que não respondeu aos questionamentos do ministério público federal.
Em relação à redução de orçamento da secretaria de assistência social, a prefeitura disse todos os serviços e projetos foram mantidos ou ampliados, após a realização de planejamento e otimização dos recursos.