Sem citar Flávio, Lula diz que nunca buscou 'Lei Daniel Vorcaro' para financiar artistas brasileiros
21/05/2026
(Foto: Reprodução) Sem citar o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nominalmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (21) que nunca foi atrás do que chamou "Lei Daniel Vorcaro" para financiar artistas brasileiros.
"Como a verdade não falha, nós nunca fomos atrás da 'Lei Daniel Vorcaro' para financiar nenhum artista brasileiro", afirmou.
"Quem imaginava que aquele menino [Flávio Bolsonaro], que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro, estaria pegando milhões de dólares para fazer o filme do pai?", questionou o presidente.
Lula concorrerá à reeleição neste ano e Flávio Bolsonaro é o principal adversário no pleito, com pequena diferença nas pesquisas de intenção de votos (leia mais abaixo).
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A fala do petista foi feita durante um evento em Aracruz, no Espírito Santo, para anunciar ações para cultura no estado.
A declaração de Lula ocorre após polêmicas envolvendo pedidos de financiamento privado feitos por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro chamado "Dark Horse".
As conversas revelaram proximidade entre os dois e cobranças por pagamentos.
O caso ganhou repercussão porque Vorcaro é investigado por fraudes bilionárias, e o senador inicialmente negou, mas depois admitiu o contato e as negociações, negando irregularidades.
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Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidatos à Presidência
Andressa Anholete/Agência Senado e SEAUD/PR
Relação com Trump
Na ocasião, Lula citou a relação com o presidente norte-americano Donald Trump. Segundo Lula, a visita a Washington, no início do mês, serviu para resolver divergências com diálogo.
“Eu disse a ele: ‘Não adianta. Não quero guerra com você. Quero mostrar, com números, que você está errado e o Brasil está certo’”, afirmou.
Lula também falou sobre combate ao crime organizado e disse ter cobrado cooperação dos Estados Unidos.
Ele citou o empresário Ricardo Magro, apontado em investigações como envolvido em fraudes no setor.
“Aquele Ricardo Magro, falsificador de combustível, maior devedor de dinheiro público, está em Miami. Eu entreguei o endereço e pedi: ‘me manda esse aí de volta’”, afirmou.
O presidente disse ainda que a Polícia Federal está preparada para atuar e que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional.
Por fim, o presidente afirmou que o país não deve se intimidar diante de posicionamentos internacionais duros.
“A gente não tem que ter medo de quem fala grosso, mas de quem fala sério. Foi assim que aprendi a fazer o Brasil ser respeitado no mundo”, concluiu.
Lula em evento no Espírito Santo.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Celulares roubados
No mesmo evento, Lula afirmou que o governo tem conhecimento de mais de 2 milhões de celulares roubados e que já sabe onde estão os aparelhos e com quem estão.
Segundo o presidente, o governo estuda uma forma de recuperar os celulares e punir os responsáveis pelos roubos.
Lula, no entanto, afirmou que há preocupação também com pessoas que compraram os aparelhos sem saber da origem ilegal dos produtos.