Selena Gomez diz que estava viciada em vape e que nicotina mudou sua voz; entenda riscos
22/10/2026
(Foto: Reprodução) Selena Gomez relata vício em vape e diz que nicotina mudou sua voz
A cantora Selena Gomez compartilhou um vídeo em suas redes sociais no qual conta que esteve viciada em cigarro eletrônico por muito tempo e que ele mudou a sua voz.
“Não vou conseguir mudar a minha voz. Eu usei muito cigarro eletrônico com nicotina”, disse em um trecho do vídeo.
No vídeo, ela conta que parou de usar cigarro eletrônico recentemente, mas que deixar de usar nicotina foi muito difícil.
A nicotina tem alto potencial de causar dependência e, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), não existe quantidade segura para o consumo. Para os especialistas, é ela que prende o usuário ao cigarro, seja o comum ou o eletrônico.
Nos vapes, a substância aparece na forma de sal de nicotina, que chega ao organismo em concentrações até 20 vezes maiores.
Para se ter uma noção: um cigarro comum tem cerca de 1 mg de nicotina. A carga de um vape tem por volta de 50 mg, e algumas marcas passam disso. Quem consome uma carga por dia recebe o equivalente a 50 cigarros.
“Quero dizer que, se você está passando por isso, ou se está pensando em começar a usar, saiba que simplesmente não vale a pena. É uma grande bobagem, e isso acabou alterando a minha voz. Então, se vocês não gostam de ouvir a minha voz, é totalmente compreensível”, disse a cantora.
Como o vape pode afetar as cordas vocais?
As cordas vocais são duas pequenas dobras de tecido que ficam na laringe, na entrada da traqueia. Elas vibram com a passagem do ar e produzem o som da fala e do canto. Qualquer inflamação nessa região altera essa vibração e muda a voz.
O aerossol do vape passa por ali a cada tragada. Além da nicotina, ele leva aromatizantes, propilenoglicol e substâncias que, aquecidas a cerca de 250 °C, viram partículas ultrafinas.
A frequência agrava a exposição. Um fumante de cigarro comum dá, em média, 200 tragadas por maço. Usuários de vape podem chegar a mil ou até 3 mil por dia, o que acelera os processos inflamatórios nas vias respiratórias.
Médicos relatam aumento de casos de inflamação na laringe entre usuários frequentes, muitas vezes com perda temporária da voz. No Brasil, a cantora Solange Almeida, ex-Aviões do Forró, e a influenciadora Vanessa Lopes, ex-participante do BBB, já contaram ter tido problemas graves nas cordas vocais ligados ao vape, com risco de ficar sem voz.
A cantora Selena Gomez contou ter sido viciada em nicotina
Reprodução/Instagram
Vape pode viciar mais rápido que o cigarro comum
Os cigarros eletrônicos chegaram ao mercado em 2005, com aromas e sabores agradáveis e a promessa de serem uma opção menos agressiva para quem já dependia de nicotina.
O argumento é que o cigarro comum queima tabaco e libera monóxido de carbono. O vape funciona por vaporização, sem combustão, e por isso faria menos mal.
Os especialistas contestam essa ideia. O dispositivo reúne mais de 2 mil substâncias, várias delas tóxicas e cancerígenas, como formaldeído, acetaldeído, acroleína, acetona, glicerol e propilenoglicol. E a maioria contém mais nicotina que o cigarro tradicional, o que encurta o caminho até o vício.
Um estudo do Instituto do Coração (Incor), feito com a Vigilância Sanitária e o Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Medicina da USP, analisou mais de 400 usuários de cigarro eletrônico. Os níveis de nicotina no organismo deles chegaram a ser seis vezes maiores que os de fumantes de cigarro comum.
A velocidade da dependência também chamou a atenção. No cigarro tradicional, o quadro costuma levar anos para se instalar. No eletrônico, muitos jovens relataram dependência intensa entre três e seis meses de uso. Cerca de 70% dos participantes tinham entre 18 e 25 anos e nunca haviam fumado antes do vape.
Vape é proibido no Brasil
Nos Estados Unidos, onde Selena vive, os cigarros eletrônicos são permitidos, e a FDA, agência reguladora americana, passou a incluir também os vapes com sabor.
No Brasil, a Anvisa proíbe a venda dos dispositivos desde 2009. Apesar disso, há dispositivos circulando no mercado. A agência alerta que eles são ilegais.
O risco do uso desse tipo de dispositivo é que não é possível nem mesmo saber como é feita sua produção, qual é a quantidade de cada substância e que tipo de substância há nesses dispositivos.