Sambistas prestam homenagem a Noca da Portela; corpo do artista será velado na terça na quadra da escola
18/05/2026
(Foto: Reprodução) Sambistas prestam homenagem a Noca da Portela
A morte do sambista e compositor Noca da Portela, aos 93 anos, gerou comoção entre músicos, que prestaram homenagens nas redes sociais, em vídeos e durante apresentações. Ele faleceu no último domingo (17). O velório está marcado para a próxima terça-feira (19), na quadra da Portela.
Neguinho da Beija-Flor destacou a importância do artista para o país.
“Meu amigo de longa data, vá com Deus, grande Noca da Portela. Seu legado será lembrado eternamente, não só no samba, mas na cultura do nosso país”, disse Neguinho da Beija-flor.
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Noca da Portela (1932 - 2026) morre no Rio de Janeiro (RJ) aos 93 anos
Divulgação
Durante o show realizado na noite de domingo no Vivo Rio, Pretinho da Serrinha também homenageou o compositor ao interpretar “Caciqueando”, de Noca em parceria com Amauri e Valmir dos Santos, sucesso nas vozes de Beth Carvalho e Fundo de Quintal.
“Obrigado, seu Noca!”, cantou Pretinho da Serrinha.
Xande de Pilares, que trabalhou com o sambista em seu último projeto, também prestou tributo.
“Tive a oportunidade de gravar com ele em seu último trabalho. Que Deus o receba da mesma forma que o enviou à Terra e que o samba bata palmas para ele, como merece. Salve Noca, salve o samba”, falou Xande.
Noca da Portela e Neguinho da Beija-flor
Redes sociais/ Arquivo pessoal/ Neguinho da Beija-flor
O sambista Dudu Nobre ressaltou a grandeza da produção do artista.
"Um dia muito triste para o samba e para a música popular brasileira. A gente está se despedindo de um dos grandes gênios da composição de samba. Um dos grandes sambistas da nossa história. Tive o prazer de gravar 'É preciso muito amor'. E, para a gente, é uma tristeza muito grande quando a gente perde um sambista desse tamanho, é uma nova estrela que vai brilhar no céu", disse Dudu Nobre.
O cantor e compositor Diogo Nogueira também falou da importância de Noca da Portela.
"Mais um sambista que pavimentou toda uma estrada para a gente estar aqui, sustentando essa bandeira e mantendo a chama acesa. Eu quero lembrar desse homem assim, sorrindo e cantando", afirmou Diogo Nogueira.
Família portelense
A musicalidade de Noca da Portela atravessou gerações e influenciou outros artistas da família. Seu neto, Noca Neto, lamentou a perda e ressaltou o legado deixado pelo avô.
“É um momento muito difícil para a nossa família, mas também de muita gratidão por tudo o que ele representou para o samba e para a cultura brasileira. Ele sempre dizia que o samba é união, respeito e amor às pessoas. Agradecemos o carinho que estamos recebendo de amigos, fãs e admiradores”, disse Noca Neto.
Marquinhos de Oswaldo Cruz lembrou da amizade construída a partir de gostos em comum e da admiração.
“Estou muito triste com a partida de seu Osvaldo, o Noca da Portela, tricolor e portelense como eu. Ele fez a ponte entre os primeiros sambistas e a minha geração. Foi um grande amigo, que me fez me apaixonar pela Portela com a canção: ‘Minha Portela querida, és razão da minha vida’”, afirmou Marquinhos.
Morre Noca da Portela aos 93 anos
O sambista Serginho Procópio também ressaltou a relevância de Noca.
“Perdemos um mestre. Um compositor inspiradíssimo e atento ao cotidiano, à vida e à política. A Velha Guarda da Portela está de luto. O samba está de luto. A música popular brasileira está de luto. O Brasil está de luto”, disse Procópio.
Tia Surica, matriarca da Portela e integrante da Velha Guarda, declarou: “Vá em paz, meu amigo Noca. Seguiremos por aqui com a nossa Portela.”
Mauro Diniz, filho de Monarco, outro ícone da Portela, também prestou homenagem.
“Uma referência para todos nós mais jovens. Um exemplo de grande sambista e portelense nato”, afirmou Mauro Diniz.
Portela posta homenagem ao compositor e sambista Noca da Portela
Reprodução
A Portela divulgou nota oficial lamentando a morte:
“Figura querida e sempre presente em nossa quadra, Noca fará muita falta para toda a família portelense. Em nome da presidência do G.R.E.S. Portela, ficam decretados três dias de luto oficial. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e admiradores deste grande artista”, afirmou um trecho do texto.
Trajetória
Nascido em Minas Gerais, Osvaldo Alves Pereira mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Iniciou sua formação musical estudando violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil.
Na década de 1960, foi levado por Paulinho da Viola para a Portela, onde construiu uma trajetória marcante. Autor de sambas-enredo e canções consagradas — como “Virada”, gravada por Beth Carvalho —, integrou o Trio ABC da Portela ao lado de Picolino e Colombo.
Entre suas obras mais conhecidas estão “Portela Querida”, interpretada por Elza Soares, e o samba-enredo “O Homem de Pacoval”, de 1976. Noca venceu sete disputas de samba-enredo na escola, tornando-se um dos maiores vencedores da história da agremiação.
Também figuram entre seus sucessos “Recordar é Viver” (1985), “Gosto que me Enrosco” (1995), “Os Olhos da Noite” (1998) e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015).
O cantor Rixxa, que foi intérprete da Portela, lembrou com orgulho de ter gravado uma de suas composições.
“Perdemos um grande baluarte do samba. Tive a honra de gravar o samba de 1995 que a Portela desfilou brilhantemente. Descanse em paz, mestre”, disse Rixxa.
A morte de Noca da Portela também gerou manifestações de integrantes de outras escolas. Serginho do Porto, da Unidos da Ponte, declarou:
“Recebemos com muita tristeza a notícia. Em nome de toda a diretoria e da nação meritiense, deixo nossas sinceras condolências à família e à comunidade portelense. Descanse em paz, nosso baluarte”, afirmou Serginho.
(Noca relembrou a própria trajetória em entrevista ao Bom Dia Rio em 2009)
Café da Manhã: as histórias de Noca da Portela
Últimos dias
Noca foi internado em 30 de abril, em um hospital de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, com infecção urinária. Durante a internação, recebeu visitas dos netos, que cantavam músicas da coletânea Flores em Vida, lançada em sua homenagem.
A partir de 9 de maio, seu estado de saúde piorou após o desenvolvimento de pneumonia. Desde o dia 10, ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). A causa da morte não foi divulgada.
O artista deixa dois filhos, sete netos e três bisnetos. A Portela decretou três dias de luto oficial. O velório será aberto ao público na quadra da escola, em Madureira, na terça-feira (19), das 8h às 14h.
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Noca da Portela
Reprodução