Roraima tem taxa de violência psicológica contra mulheres 21 vezes acima da média nacional
23/07/2026
(Foto: Reprodução) Roraima tem maior taxa de violência psicológica contra mulheres do país pelo 5º ano seguido
Nino Caré/Pexels/Arquivo
Roraima registrou a maior taxa de violência psicológica contra mulheres do Brasil em 2025, com 1.173,5 casos a cada 100 mil mulheres. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O índice é 21 vezes maior que a média nacional, de 55,6.
É o quinto ano consecutivo em que Roraima aparece com a maior taxa de violência psicológica contra mulheres do país. Em números absolutos, segundo o estudo, 4.266 mulheres foram vítimas de violência psicológica no estado em 2025.
O número representa uma redução de 27,6% em relação ao ano anterior, quando a taxa foi de 1.620,3 casos por 100 mil mulheres. Apesar da queda, o índice do estado continua acima da média brasileira.
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🔎 A violência psicológica inclui ações que causam dano emocional ou prejudicam a autoestima da vítima. Entre os exemplos estão ameaças, humilhações, constrangimentos, manipulação, isolamento, perseguição e chantagens. O crime passou a ser previsto na legislação brasileira em 2021.
Em todo o Brasil, foram registrados 60.830 casos de violência psicológica contra mulheres. Além de Roraima, outros cinco estados tiveram taxas acima da média nacional:
Mato Grosso: 192,3
Amazonas: 176,6
Distrito Federal: 142,5
Amapá: 132,2
Santa Catarina: 117,5
No outro extremo do ranking, Rondônia informou não ter registrado casos de violência psicológica em 2025 e teve a menor taxa do país. Pernambuco e Ceará também apresentaram índices menores, com 19,0 e 22,9 casos por 100 mil mulheres, respectivamente.
Um dos casos em Roraima envolve um primeiro-sargento do Exército, de 43 anos, suspeito de violência física e psicológica contra a companheira, de 33 anos, e a filha, que tem um ano de idade. Segundo a investigação da Polícia Civil, os crimes teriam ocorrido durante quase dez anos de relacionamento, em Boa Vista, no Rio de Janeiro e em Manaus (AM).
Outro caso envolve o administrador de empresas Bruno Brandão Bispo, de 37 anos, condenado por tortura, agressão e violência psicológica contra a ex-companheira, em Boa Vista. Segundo a denúncia, ele obrigou a vítima a beber óleo corporal e ameaçou queimar o rosto dela com um ferro de passar roupas, em 2025.
A violência psicológica é apontada como uma das formas de agressão que podem anteceder casos de feminicídio. Em Roraima, apesar da redução nos registros entre 2024 e 2025, outros indicadores continuam elevados, como o descumprimento de medidas protetivas de urgência.
➡️ Em 2025, a taxa desse crime no estado foi de 90,6 casos por 100 mil habitantes, também acima da média nacional, de 61,9.
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O anuário também aponta que Roraima teve redução de 20,6% nos casos de stalking, crime conhecido como perseguição, em 2025 na comparação com o ano anterior. A taxa caiu de 169,7 para 134,7 casos por 100 mil habitantes.
Assim como a violência psicológica, o stalking passou a ser considerado crime no Brasil em 2021. A prática pode ocorrer tanto no ambiente físico quanto no digital.
O crime ocorre quando a perseguição interfere na rotina da vítima. Pela lei, a prática precisa ser repetida, ou seja, acontecer de forma contínua.
Nesse cenário, Roraima seguiu na contramão da tendência nacional. O crime de stalking cresceu na maior parte do país. Além do estado, apenas Mato Grosso do Sul registrou redução, de 7,8%.
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