'Risco Trump': 5 reuniões humilhantes que explicam a tensão de encontros como o de Lula hoje
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Lula e Trump se encontram na Malásia.
Ricardo Stuckert/PR
Um encontro olho a olho com o presidente da maior potência do mundo já pode, por si só, ser motivo de nervosismo. No entanto, quando o anfitrião é Donald Trump, essa tensão pode ser dobrada — isso porque o atual ocupante da Casa Branca costuma fazer declarações ácidas, gerar constrangimentos públicos e momentos desconfortáveis diante de líderes estrangeiros.
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Nesta quinta-feira (7), ao meio-dia, nos Estados Unidos, o presidente Lula terá a terceira reunião com Trump desde que o republicano voltou ao poder.
O retrospecto do norte-americano em reuniões bilaterais adiciona um componente extra de tensão ao encontro com o petista.
Esta reportagem relembra cinco vezes em que Trump se envolveu em polêmicas ou protagonizou situações constrangedoras ao lado de chefes de Estado estrangeiros.
O 'genocídio branco' na África do Sul
O presidente dos EUA, Donald Trump, mostra supostas reportagens sobre 'genocídio branco' na África do Sul enquanto se encontra com o presidente do país, Cyril Ramaphosa
REUTERS/Kevin Lamarque
Em maio do ano passado, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi confrontado por Trump sobre alegações de um suposto "genocídio branco".
Após uma conversa inicial amigável, na qual o republicano elogiou os golfistas sul-africanos e Ramaphosa falou sobre minerais essenciais e comércio, o presidente americano pediu à sua equipe que exibisse vídeos que, segundo ele, mostrariam evidências desse tipo de crime, incluindo túmulos de milhares de fazendeiros brancos.
Ramaphosa assistiu a tudo, sentado ao lado de Trump, em silêncio. Depois, afirmou:
"Gostaria de saber onde fica isso porque nunca vi esses vídeos".
A África do Sul rejeita a alegação de que brancos são desproporcionalmente alvos de crimes. As taxas de homicídio são altas no país e a esmagadora maioria das vítimas são negras.
Quando Ramaphosa apresentou esses dados, Trump o interrompeu e disse:
"Os fazendeiros não são negros".
O presidente sul-africano, então, respondeu em tom apaziguador: "Essas são preocupações sobre as quais estamos dispostos a conversar com você".
Trump acusava o país de confiscar terras de fazendeiros brancos e de fomentar a violência contra eles com "retórica odiosa e ações governamentais".
"As pessoas estão fugindo da África do Sul para sua própria segurança. Suas terras estão sendo confiscadas e, em muitos casos, elas estão sendo mortas", disse ele à época.
Meses depois, Trump disse que não convidaria a África do Sul para a reunião do G20 por causa do suposto "genocídio branco".
Presidente da África do Sul rebate acusações de Trump sobre 'genocídio branco'
Japão: 'Por que não nos avisaram sobre Pearl Harbor?'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Em março deste ano, durante encontro na Casa Branca com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, Trump surpreendeu ao responder a uma pergunta de uma repórter japonesa sobre por que não havia avisado seus aliados a respeito de seus planos para a guerra no Irã.
“Não queríamos dar muitos sinais... queríamos surpreendê-los. Quem sabe mais sobre surpresas do que o Japão? Por que vocês não nos avisaram sobre Pearl Harbor?”
A primeira-ministra nipônica pareceu surpresa com a resposta do presidente norte-americano; logo após a fala, ela franziu os lábios e arregalou os olhos.
No contexto da Segunda Guerra Mundial, americanos e japoneses estavam em lados opostos: os EUA faziam parte dos "Aliados", junto de Reino Unido, União Soviética e França, enquanto o Japão fazia parte do "Eixo", ao lado da Alemanha Nazista e da Itália Fascista.
Atualmente, Takaichi e Trump mantêm alinhamento político e compartilham posições conservadoras.
Trump questiona Japão sobre Pearl Harbor
O bate-boca com Zelensky
Trump e Zelensky batem boca na Casa Branca
Brian Snyder/Reuters
Em meio à guerra entre Ucrânia e Rússia — que se arrasta até hoje — o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi à Casa Branca para negociar a exploração, pelos Estados Unidos, das terras raras do país do leste europeu.
O clima da conversa, no entanto, acabou esquentando.
O bate-boca começou nos minutos finais, quando Zelensky se mostrou desconfiado quanto ao compromisso de Putin de encerrar a guerra e o chamou de "assassino".
O vice-presidente americano JD Vance disse: "Senhor Presidente, com todo o respeito. Acho desrespeitoso da sua parte vir ao Salão Oval e tentar debater isso diante da mídia americana". Quando Zelensky tentou responder, Trump levantou a voz:
"Você está apostando com a vida de milhões de pessoas. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial, e o que você está fazendo é muito desrespeitoso com este país, um país que te apoiou muito mais do que muitos disseram que deveria", afirmou Trump a Zelensky.
"Seu povo é muito corajoso, mas ou vocês fazem um acordo ou estamos fora. E se estivermos fora, vocês terão que lutar sozinhos", disse Trump. Os EUA são aliados da Ucrânia na guerra.
Trump e Zelensky trocam farpas no salão oval
'O Canadá não está à venda'
Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, se reúne com o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca
Leah Millis/Reuters
Em junho de 2025, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também foi ao encontro de Trump na Casa Branca. Naqueles primeiros meses do novo mandato do republicano, ele vinha dando diversas declarações de que o país seria o 51º estado dos EUA.
Na ocasião, o presidente norte-americano disse que a integração do Canadá aos Estados Unidos seria um "casamento perfeito".
Carney rejeitou a ideia com firmeza.
"Não está à venda, não estará à venda — nunca", disse ele.
"Nunca diga nunca, nunca diga nunca", disse Trump.
Canadá não está à venda, diz primeiro-ministro; Trump rebate: 'Nunca diga nunca'
Gaza: 'vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la'
Presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o rei Abdullah 2º da Jordânia no Salão Oval da Casa Branca
Nathan Howard/Reuters
Pouco após tomar posse pela segunda vez na Casa Branca, Donald Trump recebeu o rei Abdullah 2º da Jordânia.
Trump vinha defendendo a anexação da Faixa de Gaza, cuja infraestrutura foi destruída pela guerra entre Hamas e Israel. Pelos planos do republicano, os EUA assumiriam o território para construir uma espécie de "Riviera do Oriente Médio" — os palestinos, por outro lado, não teriam direito de retorno, uma manobra vista como limpeza étnica pela comunidade internacional.
"Não há nada o que comprar", disse Trump, sobre Gaza. "Vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la."
Trump disse que a Jordânia e o Egito acabariam concordando em abrigar os deslocados de Gaza. Ambos os países dependem de Washington para ajuda econômica e militar.
"Acredito que teremos um pedaço de terra na Jordânia. Acredito que teremos um pedaço de terra no Egito", disse Trump. "Podemos ter outro lugar, mas acho que quando terminarmos nossas conversas, teremos um lugar onde eles viverão muito felizes e muito seguros."
Mais tarde, Abdullah disse que reiterou a Trump a posição da Jordânia contra o deslocamento dos palestinos em Gaza ou na Cisjordânia ocupada, que faz fronteira com seu país. "Essa é a posição árabe unificada", disse o rei em postagem no X.
"Reconstruir Gaza sem deslocar os palestinos e lidar com a terrível situação humanitária deve ser a prioridade de todos", disse Abdullah.
Trump fala em comprar e tomar posse da Faixa de Gaza
5 reuniões em Donald Trump humilhou líderes estrangeiros.
Reuters