Reta final do 2º turno: Lula aposta em medidas populares para virar, e Flávio quer reforçar que manterá programas sociais

  • 18/10/2026
(Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em atos de campanha. Reuters Na última semana antes do segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25), as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apostam nos debates e na mobilização nas ruas, principalmente nos estados do Sudeste, que concentram os maiores colégios eleitorais do país, para conquistar votos na reta final da disputa. Enquanto o petista pretende explorar medidas de apelo popular para tentar reverter a vantagem de Flávio, que recebeu mais votos no primeiro turno, o senador prepara uma ofensiva para rebater os ataques do adversário e intensificar a divulgação de suas propostas e reforçar que manterá programas sociais. A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostrou Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 45%, em situação de empate técnico. O levantamento da Quaest, divulgado na quarta-feira (14), também apontou empate técnico: 46% para o candidato do PL e 44% para o presidente. Diante desse cenário, a campanha de Lula avalia que há espaço para uma virada. Já os aliados de Flávio Bolsonaro, embora confiantes na vitória, reconhecem a necessidade de intensificar a mobilização para assegurar a vantagem. Flávio Bolsonaro prepara respostas e divulgação de propostas O candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), faz campanha no bairro do Sarandí, uma das áreas mais atingidas pelas enchentes históricas de 2024, em Porto Alegre, Brasil, em 14 de outubro de 2026 REUTERS/Diego Vara Na campanha de Flávio Bolsonaro, integrantes da equipe ouvidos pelo g1 afirmam que o senador pretende intensificar as respostas aos ataques de Lula e explorar nas redes sociais trechos dos debates entre os dois candidatos previstos para a reta final da disputa. O último será realizado pela TV Globo, na sexta-feira (23). Nos últimos dias, parte da propaganda eleitoral e das publicações do senador se concentrou em rebater acusações de que, se eleito, cortará benefícios sociais. Agora, os aliados querem reforçar a divulgação de respostas a informações que classificam como falsas e, ao mesmo tempo, dar mais espaço às propostas do candidato. O plano de governo do senador não prevê cortes em programas sociais. A campanha de Lula, porém, associa esse risco às declarações de Flávio em defesa da redução dos gastos do Estado. Na avaliação da campanha, uma abordagem mais propositiva pode ajudar o candidato do PL a conquistar eleitores menos ideológicos, uma vez que os apoiadores mais alinhados à candidatura já estariam mobilizados. Agora no g1 Fim da escala 6x1 pressiona campanha do senador Uma das principais apostas de Lula na reta final da disputa também se tornou um ponto de atenção para a campanha de Flávio: o fim da escala 6x1, promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16) após aprovação no Senado. Depois de terminar o primeiro turno com cerca de 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro (uma diferença de 1,87 ponto percentual), o presidente atuou para acelerar a aprovação da proposta, que tem o apoio de 61% dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta semana. Na avaliação de interlocutores das duas campanhas, a discussão tem potencial para mudar votos e ampliou o espaço dedicado às propostas dos candidatos. Flávio Bolsonaro, que criticava a iniciativa, mudou de posição e votou a favor. A campanha de Lula passou, então, a explorar essa mudança para acusar o adversário de oportunismo. Na reta final, a campanha de Flávio também pretende reforçar a mobilização nas ruas, com atos em cidades consideradas estratégicas e planeja participar no sábado (24) de um ato em Belo Horizonte organizado por Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado reeleito com recorde de votos. Depois, seguirá para o Rio de Janeiro. Neste domingo (18), o senador também estará ao lado de Nikolas na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato é visto pela oposição como uma resposta à manifestação realizada no mesmo local, em apoio a Lula, na semana passada. A campanha também avalia promover atividades em cidades do Nordeste, região onde os aliados de Lula buscam reduzir a vantagem do presidente. Lula aposta em debates e mobilização nas ruas O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, gesticula durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, em 16 de outubro de 2026 REUTERS/Pilar Olivares Integrantes do PT ouvidos pelo g1 resumem a estratégia de Lula para a reta final do segundo turno em duas frentes: “debate e rua”. A campanha do PT deve manter o ritmo de mobilização, e o presidente pretende manter a agenda de viagens pelo país, com prioridade para o Sudeste. Para encerrar a campanha, o partido anunciou um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado (24), véspera da votação. Nos debates, a aposta é destacar medidas de apelo popular, como a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana, o fim da escala 6x1 e o projeto que amplia o limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs) e prevê o perdão de dívidas da categoria. Lula também prometeu criar um programa Pé-de-Meia para universitários caso seja reeleito. Na avaliação de aliados, a campanha do presidente conseguiu assumir a iniciativa no debate político. Eles apontam como fatores positivos o desempenho nas redes sociais, o apoio de artistas e as mudanças na coordenação da campanha. Também consideram favorável a perda de espaço de temas como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master na discussão pública. “Isso aí não mexe com a vida do povo”, afirmou Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT, em referência a esses assuntos. “Enquanto o outro lado fica montando os gabinetes e os ministérios, a gente está na rua fazendo campanha.” A campanha do segundo turno também foi marcada por uma ofensiva nas redes sociais. Lula passou a gravar vídeos em formato de selfie e reuniu jovens influenciadores eleitos, como Ana Eliza (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), para ampliar sua presença nas plataformas digitais. Outra mudança foi a entrada de lideranças petistas do Nordeste no comando da campanha. O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, assumiu a coordenação política. O senador eleito Rui Costa (PT-BA), ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, ficou responsável pela agenda, enquanto o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a coordenar a comunicação.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/18/reta-final-do-2o-turno-lula-aposta-em-medidas-populares-para-virar-e-flavio-quer-reforcar-que-mantera-programas-sociais.ghtml


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