R$ 4 milhões em propina: veja o que se sabe sobre operação que investiga corrupção em prefeituras e câmaras
15/10/2026
(Foto: Reprodução) Polícia Civil cumpre 70 mandados contra suposto esquema de corrupção em 11 cidades do TO
A Polícia Civil do Tocantins investiga um suposto esquema de corrupção que teria movimentado mais de R$ 10,3 milhões em recursos públicos entre 2021 e 2025. Segundo a investigação, mais de R$ 4 milhões teriam sido pagos como propina a agentes públicos em troca de favorecimento em contratos municipais.
A Operação ÔM3GA cumpriu 70 mandados de busca e apreensão em 11 cidades nesta quarta-feira (14). A Polícia Civil também apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e fraude em contratações públicas.
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Veja abaixo o que se sabe sobre a operação:
O que é a Operação ÔM3GA?
A Operação ÔM3GA foi desencadeada pela Polícia Civil para investigar um grupo suspeito de atuar em prefeituras e câmaras municipais do Tocantins por meio de contratos públicos.
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Divulgação
Quem são os investigados?
Entre os investigados estão quatro prefeitos em exercício, um ex-prefeito, vereadores que presidem câmaras municipais, advogados, contadores, empresários, secretários e servidores públicos. Também há pessoas investigadas por possível participação em lavagem de dinheiro.
A Secretaria da Segurança Pública não divulgou os nomes dos alvos nem quais municípios são investigados.
Como funcionava o suposto esquema de corrupção?
Segundo a investigação, o grupo utilizava contratos de contabilidade para se aproximar das administrações municipais. Após conquistar espaço dentro das prefeituras e câmaras, empresas ligadas aos investigados obtinham novos contratos em áreas como engenharia, digitalização de documentos, sistemas de gestão e locação de veículos.
A investigação apontou possíveis pagamentos de vantagens indevidas a agentes políticos, secretários, vereadores, servidores públicos e procuradores municipais em troca do favorecimento das empresas investigadas.
Qual valor foi desviado ou movimentado?
As investigações apontam que empresas de contabilidade ligadas ao grupo receberam mais de R$ 10,3 milhões provenientes principalmente de prefeituras, câmaras municipais e fundos públicos. Desse valor, mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados como propina.
Em quais cidades a operação foi realizada?
Ao todo, mais de 100 policiais civis cumpriram 70 mandados de busca e apreensão relacionados a 41 alvos em Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D'Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.
As buscas foram realizadas em residências, empresas, escritórios de advocacia, além de cinco prefeituras e cinco câmaras municipais.
Além dos mandados de busca, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) autorizou a quebra do sigilo bancário dos investigados e determinou a suspensão de todos os contratos públicos vigentes mantidos com órgãos estaduais por 14 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado. A decisão também proíbe a celebração de novos contratos com a administração pública.
Quais provas são analisadas pela polícia?
Entre os elementos analisados estão processos licitatórios, pareceres jurídicos, minutas de contratos e propostas de empresas concorrentes.
Outro elemento citado pela polícia é uma planilha encontrada em arquivos digitais de um dos investigados. O documento, datado de março de 2021, apresentaria o controle de repasses de valores a agentes públicos, identificados pelo próprio grupo como "voltas".
A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro. Entre as suspeitas estão saques e depósitos em dinheiro feitos de forma fracionada para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras, além do uso de empresas e terceiros para circular recursos.
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