Quem come carne realmente tem mais chance de viver até os 100 anos? Entenda o que diz estudo

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem de carne bovina tirada em La Reja, Argentina. José Ignacio Pompé/Unplash Pessoas que não comem carne podem ter menos probabilidade de chegar aos 100 anos do que aquelas que comem carne, segundo um estudo recente. Mas, antes de reconsiderar sua dieta baseada em plantas, há mais nesses resultados do que parece à primeira vista. A pesquisa acompanhou mais de 5.000 adultos chineses com 80 anos ou mais que participaram do Chinese Longitudinal Healthy Longevity Survey, um estudo nacional representativo iniciado em 1998. Até 2018, aqueles que seguiam dietas sem carne tinham menor probabilidade de se tornarem centenários em comparação com os consumidores de carne. À primeira vista, isso parece contradizer décadas de pesquisas que mostram que dietas à base de plantas fazem bem à saúde. Dietas vegetarianas, por exemplo, têm sido consistentemente associadas a menores riscos de doenças cardíacas e AVC, diabetes tipo 2 e obesidade. Esses benefícios vêm, em parte, da maior ingestão de fibras e do menor consumo de gordura saturada. Então, o que está acontecendo? Antes de tirar conclusões definitivas, há vários fatores importantes a considerar. VEJA TAMBÉM: Mal passada, ao ponto ou passada: Existe um ponto certo para comer carne As necessidades do seu corpo mudam com a idade Este estudo se concentrou em adultos com 80 anos ou mais, cujas necessidades nutricionais diferem bastante das de pessoas mais jovens. À medida que envelhecemos, mudanças fisiológicas alteram tanto a quantidade que comemos quanto os nutrientes de que precisamos. O gasto energético diminui, enquanto a massa muscular, a densidade óssea e o apetite frequentemente caem. Essas mudanças aumentam o risco de desnutrição e fragilidade. A maior parte das evidências sobre os benefícios das dietas sem carne vem de estudos com adultos mais jovens, e não com populações idosas e frágeis. Algumas pesquisas sugerem que idosos que não consomem carne podem ter maior risco de fraturas devido à menor ingestão de cálcio e proteína. Na fase mais avançada da vida, as prioridades nutricionais mudam. Em vez de focar na prevenção de doenças de longo prazo, o objetivo passa a ser manter a massa muscular, evitar a perda de peso e garantir que cada refeição forneça muitos nutrientes. Os achados do estudo podem, portanto, refletir os desafios nutricionais da idade avançada, e não problemas inerentes às dietas baseadas em plantas. É importante destacar que isso não diminui os benefícios já bem estabelecidos dessas dietas para adultos mais jovens e saudáveis. Peso corporal faz diferença Um detalhe crucial: a menor probabilidade de chegar aos 100 anos entre os que não comiam carne foi observada apenas nos participantes com baixo peso. Essa associação não foi encontrada entre idosos com peso considerado saudável. Estar abaixo do peso na velhice já está fortemente associado a maior risco de fragilidade e morte. O peso corporal, portanto, parece ser um fator-chave para explicar esses resultados. Também vale lembrar que este foi um estudo observacional, ou seja, ele mostra associações, mas não estabelece causa e efeito. O fato de duas coisas ocorrerem juntas não significa que uma cause a outra. Os resultados também estão alinhados com o chamado “paradoxo da obesidade” no envelhecimento, no qual um peso corporal levemente mais elevado costuma estar associado a melhor sobrevivência na idade avançada. É importante destacar que a menor probabilidade de chegar aos 100 anos entre os que não comiam carne não foi observada naqueles que incluíam peixe, laticínios ou ovos na dieta. Esses alimentos fornecem nutrientes essenciais para manter a saúde muscular e óssea, incluindo proteína de alta qualidade, vitamina B12, cálcio e vitamina D. Idosos que seguiam essas dietas tinham a mesma probabilidade de viver até os 100 anos que os consumidores de carne. Os pesquisadores sugeriram que incluir quantidades modestas de alimentos de origem animal pode ajudar a prevenir a desnutrição e a perda de massa magra em idades muito avançadas, em comparação com dietas estritamente baseadas em plantas. LEIA MAIS: Gordura da picanha no churrasco: tirar ou comer? Entenda quando o nutriente pode ser saudável e os riscos Estudo controverso aponta que carne vermelha previne câncer; entenda a polêmica científica O que isso significa para o envelhecimento saudável Em vez de focar se uma dieta é universalmente melhor que outra, a principal mensagem é que a alimentação deve ser adaptada à fase da vida. As necessidades energéticas diminuem com a idade (devido à redução do gasto energético em repouso), mas algumas necessidades de nutrientes aumentam. Idosos ainda precisam de quantidades adequadas de proteína, vitamina B12, cálcio e vitamina D — especialmente para preservar a massa muscular e prevenir a fragilidade. Na velhice, prevenir a desnutrição e a perda de peso muitas vezes se torna mais importante do que a prevenção de doenças crônicas de longo prazo. Dietas baseadas em plantas continuam podendo ser escolhas saudáveis, mas podem exigir planejamento cuidadoso e, em alguns casos, suplementação para garantir adequação nutricional, especialmente em fases mais avançadas da vida. Em resumo, nossas necessidades nutricionais aos 90 anos podem ser muito diferentes das que temos aos 50 — e as orientações alimentares devem refletir essas mudanças ao longo da vida. O que funciona para você hoje pode precisar de ajustes no futuro — e isso é perfeitamente normal. *Chloe Casey é professora em Nutrição e Comportamento na Bournemouth University. **Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/12/entenda-se-quem-come-carne-realmente-tem-mais-chance-de-viver-ate-os-100-anos.ghtml


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