Professora que largou cargo em escola pública diz conseguir dormir à base de remédio controlado após agressão de alunos: 'Às vezes choro'

  • 17/06/2026
(Foto: Reprodução)
Professora deixa cargo após ser agredida por alunos em escola pública em Olímpia Uma professora que desistiu do cargo após ser mordida e chutada por alunos em uma escola municipal de Olímpia (SP) conta que, mais de um ano depois de sofrer as agressões, ainda faz uso de medicamento controlado para conseguir dormir. Heloisa Barbara Cevada Esperandio, de 67 anos, foi alvo da violência enquanto trabalhava em uma sala de aula em fevereiro de 2025. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Ela, que mesmo aposentada decidiu continuar as atividades, carrega sequelas do episódio. À época, a professora foi agredida por dois alunos do 2º ano do ensino fundamental. Em um dos desentendimentos entre os estudantes, a docente tentou separá-los e foi atingida por chutes e mordidas. Heloisa Barbara Cevada Esperandio, de 67 anos, foi agredida por alunos em uma escola de Olímpia (SP) Arquivo pessoal Ao g1, Heloisa disse ter atuado no funcionalismo público por 31 anos. Mesmo com a vasta experiência, as consequências da decisão de deixar a atividade na escola de Olímpia e das agressões ainda não foram totalmente superadas. “O emocional até hoje é delicado e às vezes choro. Eu já fiz terapia, já passei por psiquiatra e psicóloga. Este ano, fui fazer psicanálise e, infelizmente, ainda não senti o resultado”, conta. Professora pede exoneração após ser agredida por alunos em escola de Olímpia (SP) Arquivo pessoal A Secretaria Municipal de Educação de Olímpia esclareceu que, na ocasião, as medidas administrativas cabíveis foram adotadas; dentre elas o registro, a averiguação e o monitoramento da queixa, o acolhimento dos envolvidos, os direcionamentos pedagógicos e o monitoramento da equipe multidisciplinar. (Confira a íntegra da nota abaixo.) A professora também relatou que fez uso de antidepressivo por um longo período. Atualmente, ela só consegue relaxar e descansar durante a noite se ingerir um medicamento capaz de auxiliar na indução do sono. “Parei com o antidepressivo por minha conta, mas faço uso de remédio pra dormir. Eu não consigo dormir sem ele”, finaliza a profissional. Professora pede exoneração após ser agredida por alunos em escola de Olímpia (SP) Arquivo pessoal 6 a cada 10 professores são agredidos A situação de Heloisa não é considerada um caso isolado. Uma pesquisa realizada neste ano pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) com docentes mostrou que 65,6% dos entrevistados já sofreram algum tipo de agressão dentro das escolas públicas no estado de São Paulo. Heloisa Barbara Cevada Esperandio, de 67 anos, foi agredida por alunos em uma escola de Olímpia (SP) Arquivo pessoal A pesquisa desenvolvida pelo CPP em janeiro de 2025 ouviu 1.440 docentes no estado de São Paulo. Desse total, 65,6% relataram já terem sofrido algum tipo de agressão dentro da escola. LEIA MAIS: Mãe denuncia à polícia que filha teve costelas quebradas após ser agredida por alunas em escola estadual Adolescente lança fogos de artifício contra base da polícia e publica vídeo com frase: 'Só foi um aviso' Adolescente autista e com deficiência intelectual tem braço quebrado ao ser agredido por alunos em escola estadual, denuncia mãe Entre os entrevistados, 50% atuam na rede estadual, 40,2% em escolas municipais e 7,9% na rede particular. “A violência psicológica é hoje uma das maiores preocupações dos professores porque ela acontece de forma constante e muitas vezes passa despercebida por quem está de fora. Os relatos costumam envolver empurrões, agressões durante conflitos em sala de aula, arremesso de objetos, tentativas de intimidação física e, em casos mais graves, agressões diretas praticadas por alunos”, comentou o presidente do CPP, Silvio dos Santos Martins. Silvio dos Santos Martins é diretor do CPP no estado de São Paulo Arquivo pessoal A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que acompanha diariamente a rotina das escolas estaduais por meio do Programa para Melhoria da Convivência e Proteção Escolar. A iniciativa estabelece estratégias de apoio e acompanhamento às equipes docentes e dirigentes no processo de ensino-aprendizagem. Confira os detalhes abaixo. Ainda segundo a pesquisa do CPP, cerca de 66% dos entrevistados estão na faixa etária entre 45 e 74 anos. “Quando um profissional passa a trabalhar com medo, isso afeta sua saúde mental, sua autoestima e sua qualidade de vida. Recebemos relatos de educadores que desenvolveram ansiedade, estresse, esgotamento emocional e até precisaram se afastar da profissão. Muitos levam essa preocupação para dentro de casa, afetando também a convivência familiar. O mais grave é que esse cenário acaba desestimulando a permanência na carreira docente”, finaliza Silvio. Professora pede exoneração após ser agredida por alunos em escola de Olímpia (SP) Arquivo pessoal Vulnerabilidade de gênero O levantamento pontuou que a sensação de insegurança é maior entre as mulheres e menor entre os homens dentro das instituições de ensino. As professoras também lideram o ranking de agressões sofridas, sendo submetidas à violência psicológica, moral e verbal. Professora pede exoneração após ser agredida por alunos em escola de Olímpia (SP) Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/06/17/professora-que-largou-cargo-em-escola-publica-diz-conseguir-dormir-a-base-de-remedio-controlado-apos-agressao-de-alunos-as-vezes-choro.ghtml


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