Professora de MT é finalista de prêmio com projeto que transforma aulas em pesquisa

  • 27/09/2026
(Foto: Reprodução)
Professora de MT chega à final do Educador Nota 10 com projeto de Química Em vez de apenas aprender fórmulas e estruturas, estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), em Cuiabá, são desafiados a descobrir o que podem criar a partir do conhecimento de Química. É assim que funciona o MIPIPEQ – Democratização da Ciência Química e Protagonismo Estudantil, metodologia desenvolvida pela professora Josane Cunha, finalista da 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10, na categoria Inovação e Tecnologia. O projeto é aplicado nas aulas de Química Orgânica do campus Cuiabá – Bela Vista. A cada semestre, os alunos formam grupos e recebem temas relacionados ao conteúdo estudado, como fármacos, neurotransmissores, frutos do Cerrado, inseticidas naturais e biopolímeros. A partir deles, precisam pesquisar e desenvolver um produto, protótipo ou solução relacionada a questões como inclusão, saúde, sustentabilidade ou cultura. “O mais interessante é que os estudantes começam com um conteúdo de Química e são desafiados a pensar: O que podemos criar a partir desse conhecimento e que tenha relevância para a sociedade? A partir daí surgem muitas ideias excelentes”, explica. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Cada proposta é desenvolvida durante cerca de dois a três meses. Nesse período, os estudantes pesquisam, testam ideias, fazem ajustes, produzem um resumo científico e apresentam o trabalho para a turma, enquanto Josane acompanha o processo como orientadora e mediadora. Prêmio Educador Nota 10 A 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10 teve mais de 3,9 mil inscrições e selecionou 12 finalistas, entre professores, coordenadores pedagógicos e gestores escolares. Josane é uma das finalistas na categoria Inovação e Tecnologia com o MIPIPEQ. Os vencedores serão anunciados em 10 de novembro, durante cerimônia na Pinacoteca de São Paulo. Para Josane, a indicação representa o reconhecimento de um trabalho construído ao longo de mais de uma década dentro da escola pública e também dos estudantes que participaram da metodologia. “Então, estar entre os finalistas do Educador Nota 10 é uma alegria enorme, mas também é uma confirmação de que vale a pena continuar. Vale a pena acreditar na educação pública, vale a pena acreditar na Ciência e, sobretudo, vale a pena acreditar no potencial dos nossos estudantes”, afirma. Projetos que ganharam novos caminhos O MIPIPEQ começou a ser desenvolvido em 2013 e passou a ser aplicado de forma sistemática em 2016. A proposta surgiu depois que Josane percebeu que muitos estudantes enxergavam a Química como uma disciplina abstrata, distante da realidade e muito ligada à memorização. Um dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos foi o Cerrado Atômico, um jogo didático de Química Orgânica pensado para estudantes cegos e pessoas com daltonismo. O projeto foi aprimorado e avaliado com participação do público-alvo no Instituto dos Cegos do Estado de Mato Grosso (ICEMAT) e posteriormente apresentado em feiras científicas, entre elas a FEBRACE. O estudante Eduardo Rodrigues, de 18 anos, que participou da criação do jogo, explica como surgiu a proposta de desenvolver uma ferramenta de ensino com esse perfil. “A proposta surgiu da necessidade de criar uma maneira diferente de aprender Química, principalmente para estudantes com deficiência visual e daltonismo”, conta. Outro trabalho desenvolvido a partir da metodologia foi o Química das Emoções: Funções Orgânicas e Saúde Mental, que relacionou conteúdos da disciplina a uma questão próxima da realidade dos estudantes. A pesquisa foi posteriormente aprimorada e apresentada em eventos científicos. A técnica em Química Isadora Carvalho, de 18 anos, que participou do projeto, explica a relação que o grupo buscou estabelecer entre o conteúdo estudado e o tema da pesquisa. Também foram desenvolvidos bioplásticos a partir da casca da manga, jogos sobre inseticidas naturais e produtos feitos com frutos do Cerrado. “A ideia geral era justamente a gente mostrar como que a química tem intrínseca relação com as nossas emoções”, afirma. Atualmente, entre 80 e 90 estudantes participam da metodologia a cada semestre. Josane estima que mais de 1,2 mil alunos tenham passado pelo projeto nos últimos dez anos. Por ano, são desenvolvidos, em média, de 12 a 16 produtos e respectivos trabalhos científicos. Atualmente, entre 80 e 90 estudantes participam da metodologia a cada semestre. Josane estima que mais de 1,2 mil alunos tenham passado pelo projeto nos últimos dez anos. Divulgação/Josane Ferreira Além da disciplina, os alunos que desejam continuar as pesquisas podem integrar o QuiConecta, grupo voltado ao aperfeiçoamento dos projetos, produtos, protótipos e trabalhos científicos. A iniciativa já levou estudantes a eventos como o Congresso Brasileiro de Química, a MECTI (Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação), a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), realizada na Universidade de São Paulo (USP), e a FEBIC (Feira Brasileira de Iniciação Científica). Para Josane, a principal mudança aparece na postura dos estudantes, que passam a pesquisar, tomar decisões, testar possibilidades, lidar com erros, trabalhar em equipe e defender suas escolhas. “Considero que a maior conquista não é a medalha ou o prêmio. É poder ver os estudantes apresentando seus próprios projetos, trocando experiências com jovens de diferentes regiões do Brasil, conversando com pesquisadores, defendendo suas ideias e, principalmente, descobrindo que também podem ocupar os espaços da Ciência”, destaca. Mais de uma década de projeto A metodologia nasceu da vontade de mudar a maneira como os alunos enxergavam a disciplina e mostrar que o conhecimento químico poderia ser usado para compreender problemas e criar soluções. “Eu queria que os estudantes enxergassem a Química para além das fórmulas, das estruturas e das avaliações. Queria que percebessem que aquilo que aprendem pode ajudá-los a compreender o mundo, criar, inovar e transformar a realidade ao seu redor”, afirma. A especialista em educação científica Elane Soares destaca que a metodologia também modifica a forma como os estudantes lidam com o erro e com o próprio processo de aprendizagem. Segundo ela, em uma atividade prática pontual, o aluno geralmente parte de uma situação mais fechada, na qual o resultado esperado já é conhecido. Em um projeto investigativo, por outro lado, é preciso formular hipóteses, testar possibilidades, analisar os resultados e decidir quais caminhos seguir. “Uma prática pontual ensina apenas sobre Química. Um projeto ensina a fazer Química”, pontua. Para Elane, essa diferença também aparece na relação dos estudantes com o conhecimento. Em vez de buscar apenas a resposta correta, eles precisam compreender por que determinada tentativa funcionou ou não e usar essa informação para modificar o caminho da pesquisa. A professora Josane Cunha é finalista da 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10, na categoria Inovação e Tecnologia. Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2026/09/27/professora-de-mt-e-finalista-de-premio-com-projeto-que-transforma-aulas-em-pesquisa.ghtml


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