Presidente da Samarco projeta fase final de retomada das operações: “Gradual, responsável e segura”
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Vilela diz que rompimento da barragem de Fundão nunca será esquecido.
Samarco/Divulgação
A mineradora Samarco se prepara para entrar na terceira e última fase de retomada para atingir 100% da capacidade produtiva em 2028. A volta gradual iniciou em 2020, cinco anos após o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), e tem sido um marco para a empresa - agora mais segura, responsável e sustentável, nas palavras do presidente Rodrigo Vilela.
“O rompimento provocou uma reflexão profunda sobre o propósito da Samarco”, destaca.
A decisão de operar sem o uso de barragens de rejeitos é uma das principais mudanças. Tem sido assim desde a primeira etapa, quando a mineradora retomou as operações com 26% da capacidade total instalada após um processo robusto de reconstrução e a adoção de novas tecnologias para o tratamento de rejeitos.
Em entrevista, Vilela explica a escolha, considerada a grande virada operacional da retomada, e projeta a conclusão do processo. Em dezembro de 2024, no segundo momento, a companhia atingiu 60% da capacidade produtiva instalada.
Após investir cerca de R$ 732 milhões* no momento um e R$ 1,6 bilhão no momento dois, a empresa continua com o investimento em curso de R$ 13,8 bilhões para a conclusão da retomada. Em paralelo, a Samarco mantém a reparação definitiva dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão entre suas prioridades.
Veja na entrevista abaixo o que diz o presidente e a projeção para os próximos anos**.
A Samarco anuncia investimentos de R$ 13,8 bilhões para retomar 100% da capacidade produtiva até 2028. Como foi o processo de retomada desde 2015 e quais são os próximos passos?
Rodrigo Vilela - O investimento de R$ 13,8 bilhões é o maior da história da Samarco e marca o início da última etapa de um planejamento estratégico estruturado, concebido em 2019. Desde então, seguimos uma retomada gradual, responsável e segura, sem o uso de barragem de rejeitos e baseada em três pilares: engenharia robusta, licenciamento rigoroso e estabilidade operacional.
Avançamos de forma consistente, cumprindo cada fase do planejamento, com foco absoluto em segurança, previsibilidade e confiabilidade. Esta estratégia foi desenhada para resgatar a confiança da sociedade, das autoridades, dos acionistas e dos nossos clientes.
Os próximos passos envolvem a execução das obras, que incluem uma ampla revitalização das plantas de Germano (MG) e Ubu (ES), a implantação de novas plantas de filtragem de rejeitos e a construção de pilhas de estéril e rejeitos, consolidando definitivamente um modelo de mineração sem barragens com plantas modernas e inovadoras.
Fase 3 da retomada prevê novas plantas de filtragem de rejeito.
Samarco/Divulgação
Qual o impacto dessa retomada para a empresa e para as comunidades?
A partir de 2028, com a conclusão desse ciclo, a Samarco retornará à capacidade produtiva pré-2015, com potencial de produzir entre 26 e 27 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano, reposicionando a empresa como a segunda maior exportadora mundial desse produto.
Mais importante do que o volume é como estamos retomando: sem utilizar barragens para disposição de rejeitos, com uso intensivo de tecnologias de controle, com a descaracterização de todas as estruturas alteadas a montante existentes e com um modelo de gestão mais inclusivo e participativo.
Esse movimento gera valor econômico e social concreto para as comunidades, para Minas Gerais, Espírito Santo e para o Brasil, por meio de empregos, renda, arrecadação e melhoria da qualidade de vida.
No pico das obras, serão 12.900 postos de trabalho até 2031, sendo 900 empregados próprios e 12 mil contratados. Atualmente, a Samarco conta com cerca de 20 mil empregados, entre diretos e contratados. Promovemos capacitações e priorizamos a contratação local e a inclusão de grupos historicamente sub-representados, como mulheres, pessoas com deficiência e negros, reforçando nosso compromisso com desenvolvimento social e diversidade.
Após o rompimento, a empresa optou por um modelo de mineração sem barragens. Como o senhor define a Samarco antes e depois de 2015?
A Samarco sempre foi reconhecida por seus elevados padrões técnicos e operacionais, além de uma relação histórica forte com as comunidades e com seus clientes. O rompimento foi um marco trágico, que mudou definitivamente o rumo da nossa história e que jamais será esquecido.
Desde então, estamos reconstruindo a empresa passo a passo, com responsabilidade, transparência e compromisso com o desenvolvimento local e regional. Temos apoio de grande parte da sociedade nesse processo e assumimos integralmente as obrigações de reparação, que se estenderão por, pelo menos, mais 20 anos.
Há um elemento muito forte nesse processo: o engajamento das pessoas. Mais de 19 mil trabalhadores compartilham uma visão comum: reconstruir a empresa e reconstruir relações. Esse senso de propósito coletivo é um ativo poderoso e essencial para a nossa trajetória futura.
4. De que forma o rompimento transformou a Samarco para além das operações?
O rompimento provocou uma reflexão profunda sobre o propósito da Samarco. Para voltar a operar na mesma região, com o mesmo nome, era fundamental ter um propósito claro e legítimo. Reparação e reconstrução passaram a ocupar o centro das decisões estratégicas.
Preservamos fortalezas históricas da nossa cultura, como o rigor técnico e o compromisso ético, mas também enfrentamos, de forma consciente, aspectos que precisavam evoluir, como diversidade, inclusão e escuta ativa. A transformação cultural tornou-se pauta estratégica, com envolvimento direto da liderança, diagnósticos estruturados e programas de desenvolvimento para todos os níveis da organização.
Esse processo contínuo reforça nosso compromisso com uma mineração mais segura, responsável e sustentável.
O Novo Acordo do Rio Doce, firmado em 2024, trouxe avanços relevantes. Quais o senhor destacaria?
O Novo Acordo do Rio Doce representou um salto qualitativo na reparação, ao permitir maior efetividade na execução dos programas pactuados.
Concluímos os reassentamentos, um marco histórico. Avançamos significativamente nas indenizações, com novos modelos que ampliaram o acesso, flexibilizando critérios de comprovação de danos e permitindo alcançar um número muito maior de pessoas.
Também estamos executando um dos maiores programas de reflorestamento do país, com potencial de criar um novo corredor ecológico de Mata Atlântica entre Minas Gerais e Espírito Santo, com impactos positivos que vão além dos danos causados.
Não podemos mudar o que aconteceu, mas temos clareza de que vamos compensar, reparar e indenizar. A qualidade ambiental e as condições socioeconômicas da Bacia do Rio Doce serão superiores às de 2015. Isso não nos orgulha - é simplesmente o necessário, o certo a ser feito.
Entre os avanços, destaco o Programa Indenizatório Definitivo (PID), aberto antecipadamente e posteriormente reaberto a pedido das instituições de justiça, garantindo ampla oportunidade para pessoas físicas e jurídicas elegíveis.
Distrito de Novo Bento Rodrigues integra a reparação.
Samarco/Divulgação
A Samarco caminha para a reparação definitiva. É possível falar em um “fim” da reparação?
O Novo Acordo trouxe um modelo mais claro, objetivo e mensurável, definindo o que deve ser feito, por quem, em que prazo e com quais recursos. Isso permite monitoramento efetivo e maior responsabilização.
As ações sob responsabilidade direta da Samarco têm prazos de até 2039, especialmente para monitoramentos ambientais na Bacia do Rio Doce. A transferência de recursos ao poder público se estende até 2044. A Samarco cumpre e continuará cumprindo integralmente tudo o que foi pactuado.
Não reconstruiremos o passado, mas seguiremos trabalhando, como empresa e como pessoas, para compensar e reparar da forma mais responsável possível.
Como o senhor enxerga o futuro da mineração no Brasil?
A mineração nunca foi tão necessária para a humanidade e, ao mesmo tempo, nunca foi tão questionada. Vivemos um dilema que também é uma grande oportunidade: os minerais são essenciais para a transição energética e para o desenvolvimento sustentável.
Acredito que podemos reescrever a história da mineração no Brasil, transformando o setor em uma verdadeira alavanca de desenvolvimento, como ocorre em países como Austrália, Canadá e Chile, onde os recursos minerais financiam educação, infraestrutura e qualidade de vida.
O Brasil tem enorme potencial em mineração, agronegócio e energia. Usar essas vantagens de forma responsável e sustentável depende de nós - empresas, governos e sociedade. Esse é o desafio e, ao mesmo tempo, a grande oportunidade do nosso tempo.
Toda a linha do tempo desde o rompimento da barragem está disponível em samarco.com.br. Acesse o site e acompanhe a evolução da retomada.
*Não corrigidos
** Números atualizados com fechamento de dezembro de 2025