Presidente da Colômbia muda regras de resposta a protestos na véspera de manifestações contra o governo

  • 14/10/2026
(Foto: Reprodução)
Agora no g1 O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, assinou um decreto que estabelece novas regras para a atuação das forças de segurança durante protestos no país. A medida foi oficializada na última terça-feira (13) e deve ser aplicada já nesta quarta-feira (14), durante uma jornada de manifestações convocadas contra o governo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o Decreto 1.525 de 2026 altera regras sobre o uso legítimo da força pública e modifica uma norma de 2021 que orientava a atuação das autoridades em manifestações. De La Espriella afirmou que o governo respeita o direito à manifestação pacífica, mas não tolerará atos de violência, vandalismo ou bloqueios que, segundo ele, prejudiquem os direitos de outros cidadãos. O presidente também classificou como um possível caso de "terrorismo urbano" os episódios registrados na tarde de terça na avenida Circunvalar, em Bogotá. Vídeos mostraram pessoas encapuzadas ateando fogo nas ruas e provocando tumulto e bloqueios. A circulação de veículos foi afetada nas proximidades da Universidade Distrital. O sistema de transporte público TransMilenio desviou algumas linhas para garantir a segurança dos passageiros. De acordo com o presidente, os suspeitos de participar dos atos violentos fugiram após a chegada das autoridades. "Quando a polícia chegou, esses bandidos saíram correndo para se esconder", afirmou o presidente, em publicação no X. Em outra postagem, Espriella disse que o decreto busca garantir o direito de quem protesta pacificamente e estabelecer limites para a atuação das autoridades diante de episódios de violência. "O direito de protestar não está acima do direito de trabalhar, estudar, circular e viver em paz", escreveu. Abelardo De La Espriella presta continência após tomar posse como novo presidente do país durante a cerimônia de posse, em Cali, Colômbia, em 7 de agosto de 2026 REUTERS/Luisa Gonzalez O que muda com o decreto O Decreto 1.525 altera uma norma de 2021 que regulamenta a atuação das forças de segurança durante marchas e concentrações públicas. Entre as mudanças, o texto prevê que policiais acompanhem as manifestações a uma distância de quatro metros dos participantes. A norma também amplia a lista de condutas consideradas violentas. A relação inclui o lançamento de objetos, danos ao patrimônio público ou privado, porte ou uso de armas e explosivos e retenção de pessoas contra a vontade delas. O decreto permite que as autoridades usem a força de forma legítima contra responsáveis por atos violentos sem precisar esgotar antes todas as etapas de diálogo. A intervenção, segundo o texto, deve ser direcionada aos indivíduos que praticarem essas ações. LEIA TAMBÉM Trump expande influência na América do Sul com 8 presidentes alinhados a ele; Flávio Bolsonaro pode se tornar o 9º Rubio promete 'reconstruir' relação entre EUA e Colômbia após 'erros' da esquerda Presidente da Colômbia exibe corpos ao celebrar sucesso de operações contra guerrilheiros Protestos acontecem nesta quarta Centenas de pessoas se reuniram em diferentes pontos da Colômbia para se manifestar nesta quarta contra o governo Espriella, na primeira onda de protestos contra seu governo. Convocados pela oposição - liderada pelo ex-presidente de esquerda Gustavo Petro -, sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e feministas se concentraram em várias cidades. A apenas dois meses de ter assumido o poder, Espriella enfrenta diversas críticas: Ferir os Direitos Humanos com suas políticas de linha dura contra o narcotráfico Reestabelecer as relações diplomáticas com Israel, rompidas durante o mandato de Petro Reaproximação com os Estados Unidos, com risco para a soberania nacional. Petro, o primeiro presidente de esquerda na história da Colômbia, ampliou o acesso gratuito à universidade pública, promoveu aumentos recordes do salário mínimo e concedeu benefícios aos trabalhadores, como o pagamento de adicional noturno. Os manifestantes temem ser alvo de repressão após a edição da nova regra.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/14/presidente-da-colombia-muda-regras-de-resposta-a-protestos-na-vespera-de-manifestacoes-contra-o-governo.ghtml


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