Presidente da Câmara de Boa Vista e coronel da PM são denunciados por esquema de compra de votos

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
Presidente da Câmara de Boa Vista é cassado por compra de votos e abuso de poder econômico O presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, vereador Genilson Costa e Silva (Republicanos), e o coronel da Polícia Militar, Francisco das Chagas Lisboa Júnior, foram denunciados à Justiça Eleitoral por um esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Boa Vista. A ação é do Ministério Público (MP) Eleitoral e foi protocolada nesta quinta-feira (12). Além dos dois, outras 14 pessoas também foram denunciadas. Todos são suspeitos de integrar o "esquema estruturado" de crimes eleitorais em 2024. De acordo com o MP, os investigados são suspeitos de organizar e executar "uma complexa associação criminosa voltada à corrupção eleitoral, com o objetivo de garantir a reeleição de Genilson Costa." Procurado, o coronel da PM informou que ainda não foi notificado da denúncia. O presidente da Câmara também foi contatado, mas não enviou resposta até a última atualização. O esquema funcionava de forma hierarquizada, com divisão de tarefas entre líderes, coordenadores e operadores de campo, além do uso de recursos financeiros não declarados à Justiça Eleitoral, caracterizando a prática de “caixa dois”. Caixa dois na eleição é quando um candidato ou partido recebe ou gasta dinheiro na campanha sem declarar à Justiça Eleitoral. Vereador e presidente da Câmara de Boa Vista, Genilson Costa (Republicanos) e o coronel da PM, Francisco Lisboa Reprodução Como funcionava o esquema As investigações do MP indicam que o grupo aliciava eleitores mediante o pagamento em dinheiro, que variavam, em regra, entre R$ 100 e R$ 150, em troca do compromisso de voto. Como forma de controle, os eleitores eram orientados a gravar vídeos ou tirar fotos, portando material de campanha do candidato, comprovando a promessa de voto. O esquema utilizava planilhas, listas escritas à mão e grupos de mensagens instantâneas para organizar o pagamento, o cadastro de eleitores e a prestação de contas interna. Também foi identificado o transporte irregular de eleitores no dia da votação, além da atuação de integrantes responsáveis por monitorar ações de fiscalização e repassar informações sigilosas ao núcleo de comando do grupo. As apurações indicam que milhares de eleitores teriam sido cooptados, com movimentação de valores que, segundo as investigações, ultrapassariam milhões de reais, todos à margem da contabilidade oficial da campanha. "As anotações capturadas no celular de Genilson sugerem que o montante global movimentado pela associação criminosa ultrapassa a cifra de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), valor seis vezes superior ao patrimônio declarado pelo candidato", narra trecho da Denúncia. O MP Eleitoral requer que a Justiça receba a peça acusatória e dê prosseguimento à ação penal, com a responsabilização dos envolvidos pelos crimes apontados. Na ação, a promotoria pediu que a Justiça, além de condenar Genilson pelos crimes, determine o afastamento imediato do cargo de vereador como medida cautelar, para interromper o modus operandi do grupo e evitar a repetição das condutas ilícitas. Quanto a Francisco das Chagas Lisboa Júnior, ação pediu que ele seja afastado do cargo de coronel da Polícia Militar, "diante do uso indevido da função para acesso e repasse de informações sigilosas". Além disso, o MP pediu o envio de cópia integral do processo à Justiça Militar, ao Ministério Público Militar e à Corregedoria da PM para adoção das providências cabíveis. Lisboa também deve responder por violação de sigilo funcional. À época dos crimes eleitorais, ele era vice-vomandante-geral da PM e, segundo do MP, usou o cargo para "acessar o sistema de denúncias da Polícia Militar." "Documentos extraídos de seu celular mostram que ele capturou telas do sistema "Disk 190" que continham denúncias contra Genilson e as repassou imediatamente ao candidato, permitindo que o grupo criminoso se esquivasse da fiscalização", destacou o MP. No curso das investigação, foi identificado que Lisboa era "homem de confiança" de Genilson Costa dentro da Polícia Militar. Segundo o inquérito, ele mantinha relação de proximidade com o vereador e teria repassado informações sigilosas sobre denúncias envolvendo o esquema de compra de votos, o que, para os investigadores, indica atuação estratégica e alinhada aos interesses do parlamentar. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/02/12/presidente-da-camara-de-boa-vista-e-coronel-da-pm-sao-denunciados-por-esquema-de-compra-de-votos.ghtml


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