Prefeitura de SP avalia intervenção na A2, empresa de ônibus investigada por elo com PCC
17/09/2026
(Foto: Reprodução) Operação em SP revela que PCC se infiltrou em 12 empresas de ônibus da capital paulista
A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (17) que estuda uma intervenção na empresa de ônibus A2 Transportes, após a companhia ser citada em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público que investiga suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas do setor de transporte coletivo. A empresa não é alvo da operação de hoje.
Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que criou um grupo de trabalho formado por representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município (CGM), da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para analisar os elementos reunidos na operação.
O objetivo é avaliar a possibilidade de uma intervenção na empresa, medida semelhante à adotada em 2024 nas concessionárias Transwolff e UpBus, que na época foram alvos da operação Fim da Linha.
Garagem da viação A2 Transportes, na Zona Sul de São Paulo
Reprodução/TV Globo
"A Prefeitura fará um levantamento rigoroso de contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte, adotando imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais que forem necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade dos serviços à população", afirmou a administração municipal em comunicado à imprensa.
À TV Globo, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que deve tomar uma decisão ainda hoje e disse que a operação não coloca em risco o transporte público da capital.
"Não tem empresas do setor operando hoje que estejam nessa operação. O que a gente tem é uma empresa, aonde um dos sócios da A2 tem uma citação e pedido de prisão, mas a empresa em si não está cogitada no processo. Então esse grupo vai analisar juridicamente, tecnicamente e operacionalmente essa questão pra eu tomar a decisão se é o caso de fazer intervenção ou não da A2", disse o prefeito.
Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP
A decisão ocorre após o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizar a prisão temporária de 16 investigados apontados como integrantes ou colaboradores de uma organização criminosa que teria atuado para assumir o controle de empresas de transporte público e influenciar contratos e licitações no setor.
Entre os alvos estão o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que foi presidente da Câmara Municipal durante toda a legislatura passada (2021-2024), e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito da capital paulista.
Em trecho da decisão, o desembargador Sérgio Ribas afirma que as investigações apontam que "12 das 22 empresas de transporte operando o sistema de transporte coletivo da capital são, em tese, controladas pelo PCC".
Alvo de mandado de prisão, empresário Paulo Korek é apontado como proprietário da A2 Transportes
Reprodução
Segundo a investigação, a A2 Transportes aparece em diálogos interceptados pela polícia que indicariam a existência de uma estrutura voltada à infiltração do PCC em companhias de ônibus. A empresa teria sido utilizada em negócios relacionados ao grupo criminoso e mencionam a atuação de dirigentes e empresários do setor.
Entre os alvos dos mandados de prisão está o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, apontado pela investigação como proprietário da A2 e gestor de outras empresas de transporte, além de "testa de ferro" da facção criminosa. O magistrado afirma que há indícios de que ele administraria interesses do grupo no ramo dos transportes.
À TV Globo, o advogado da A2 disse que Paulo Korek classifica as suspeitas como "ilações" e vai esclarecer tudo. Segundo ele, o investigado está propenso a se entregar, mas quer se apresentar na Corregedoria porque afirma ter "algumas coisas para expor".
Também teve a prisão temporária decretada Julio Salvador Filho, diretor da A2. De acordo com a decisão judicial, ele seria interlocutor de investigados ligados ao esquema e participaria da autorização de pagamentos a pessoas apontadas como "laranjas" da organização criminosa.
A decisão menciona ainda conversas atribuídas a Paulo Korek sobre a venda de 63 ônibus da empresa Translider no valor de R$ 1.260.000, com utilização de conta bancária da A2 para movimentação de recursos. Para a polícia, os diálogos reforçam suspeitas de uso de empresas de transporte para operacionalizar negócios vinculados ao grupo investigado.