Preço do gás de cozinha sobe e botijão chega a R$ 140 em Ribeirão Preto, SP; entenda o motivo
11/04/2026
(Foto: Reprodução) Gás de cozinha sobe e pode ficar ainda mais caro
O consumidor de Ribeirão Preto (SP) já começou a sentir no bolso o reflexo do aumento do gás de cozinha. Com um reajuste de R$ 7,11 anunciado para as distribuidoras, o preço do botijão de 13 quilos já sofreu alterações nas revendas da cidade, pressionado pela disparada do petróleo no mercado internacional e por estratégias de venda da Petrobras (entenda mais abaixo).
Para quem depende do produto para o uso doméstico e para garantir a própria renda, a mudança na tabela assusta. Esse é o caso da confeiteira Janaína Araújo, moradora do Jardim Cristo Redentor, na zona norte da cidade.
Com o fogão sempre aceso para derreter chocolate, cozinhar recheios e assar bolos, ela utiliza pelo menos três botijões por mês, gerando um custo de R$ 400.
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A confeiteira Janaína Araújo produz doces no Jardim Cristo Redentor, em Ribeirão Preto (SP); ela relata que o aumento do gás de cozinha afeta o lucro no fim do mês
Reprodução EPTV
O reajuste de R$ 7,11 por unidade representa um gasto extra mensal de R$ 21,33 na produção, um impacto de quase R$ 256 no acumulado de 12 meses.
"A gente acaba gastando em torno de dois a três botijões por mês e isso impacta no nosso operacional. O lucro acaba sendo menor no final do mês", afirma a confeiteira.
Janaína teme a necessidade de absorver esse custo ou de repassá-lo ao consumidor e afastar a clientela.
"Tem esse repasse para o cliente, deixando os doces mais caros, e às vezes ele pode diminuir o consumo. Quem consome todos os dias, vai diminuir para duas a três vezes por semana por causa desse aumento", lamenta.
Novo aumento do GLP atinge o orçamento de famílias e pequenos empreendedores de Ribeirão Preto (SP) nesta semana
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Repasse imediato e frete mais caro
Na distribuidora do empresário Márcio Sestari, o impacto foi imediato. O valor do botijão para retirada saltou de R$ 118 para R$ 125. Para os clientes que precisam que o produto seja entregue em casa, o custo é ainda maior, chegando a R$ 140, reflexo também da alta nos combustíveis.
"Com o aumento no diesel e na gasolina, nós vamos ter que repassar também o preço da entrega. A taxa hoje não sai por menos de R$ 15", explica Sestari.
O empresário alerta ainda que o valor pode não parar por aí.
"Para nós também vai aumentar tudo: imposto, diesel, gasolina. Então nós vamos ter que jogar isso em cima do custo e, automaticamente, ao longo desse mês o gás pode subir mais um pouco ainda", projeta.
Taxa de entrega sofre reflexos da alta do diesel e da gasolina, e preço final do botijão chega a R$ 140 na distribuidora
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Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o valor já vinha em um patamar elevado na cidade.
Em dezembro de 2025, o preço médio em Ribeirão Preto era de R$ 110. Em fevereiro deste ano, a média ficou em R$ 108,81, mas com o valor máximo chegando a R$ 122,99 antes mesmo deste novo reajuste chegar às revendas.
Por que o gás está mais caro?
A alta nas distribuidoras é impulsionada por uma combinação de fatores nacionais e internacionais. No Brasil, o aumento faz parte de uma estratégia da Petrobras, que passou a vender cotas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em leilões com lances e preços até 100% maiores que os cobrados na tabela oficial da estatal.
O governo federal chegou a anunciar a anulação desse leilão, afirmando que a prática ia contra a orientação do próprio governo e da direção da Petrobras.
No entanto, na prática, as cargas leiloadas para este mês de abril já estão em rota de entrega, o que mantém o efeito inflacionário e a alta de preços a curto prazo.
Para tentar frear o impacto de futuros aumentos ao consumidor, o governo sinalizou a intenção de recomprar a BR Distribuidora a partir de 2029, avaliando que o controle sobre a empresa poderia ajudar a segurar a inflação dos combustíveis nas bombas e revendas.
Preço do gás de cozinha sofreu reajuste de R$ 7,11 para as distribuidoras em meio à disparada do petróleo no mercado internacional
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Guerra no Oriente Médio
O cenário externo agrava a situação. O conflito no Oriente Médio, envolvendo o Irã, um dos maiores produtores globais de petróleo e que concentra boa parte da produção da região, gera no mercado o temor de um desabastecimento mundial.
Mesmo que a ameaça de interrupção seja temporária, a especulação faz o preço disparar. Atualmente, o barril de petróleo tipo Brent é negociado na casa dos US$ 90, valor muito superior à média de 2023 e 2024.
Como o gás de cozinha vendido no Brasil é um subproduto do refino do petróleo, quando o barril fica mais caro no exterior, o custo de produção e reposição do GLP sobe automaticamente no país, traduzindo um conflito distante em um botijão mais caro na casa das famílias brasileiras.
Assista à reportagem completa abaixo:
Guerra entre Irã, EUA e Israel já impacta o gás de cozinha
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