Policial penal barrada em curso por gravidez passou em concurso da Guarda Civil durante espera
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Mulher barrada no curso de formação por estar grávida toma posse como policial penal 3 anos depois
A persistência marcou a trajetória da policial penal Thainá Santos, de 28 anos. No intervalo de três anos entre ser desligada do curso de formação por estar grávida e finalmente tomar posse no cargo, ela continuou estudando e foi aprovada no concurso da Guarda Civil Municipal de Boa Vista.
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Thainá chegou a ser convocada para assumir a vaga na CGM recentemente. No entanto, ela optou por aguardar e permanecer na Polícia Penal, por se tratar de um cargo estadual. Até a posse definitiva, que ocorreu na última quarta-feira (4), foram oito anos dedicados aos estudos para concursos públicos.
Desligada no curso de formação
A espera e a incerteza começaram após o concurso da Polícia Penal de 2020. Thainá foi aprovada nas primeiras fases e iniciou o curso de formação prática. Porém, quando estava no sétimo mês de gestação, foi desligada do processo por uma decisão administrativa da Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima (Sejuc).
Thainá Santos, de 28 anos, policial penal que tomou posse três anos após ser impedida de finalizar formação
Arquivo
A exclusão ocorreu mesmo com a apresentação de atestados médicos que comprovavam a saúde da mãe e do bebê. A partir daí, ela iniciou uma longa batalha para garantir o direito de concluir as etapas e assumir a vaga.
"Foram noites de choro e desespero. Mas deu certo. Hoje, só quero trabalhar, dar o meu melhor e agradecer a Deus", relembrou a policial.
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O retorno ao curso só foi possível em 2023, após a intervenção da Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher, do Ministério Público de Roraima. O órgão destacou que a eliminação de gestantes fere a Constituição Federal e as leis de proteção à mulher no mercado de trabalho.
Com o acordo firmado entre o MP de Roraima e a Sejuc, Thainá concluiu sozinha as etapas práticas que faltavam, como aulas de tiro e defesa pessoal, quando o filho já estava com 9 meses.
"Acredito que deveria haver adaptação para não prejudicar as mulheres. Um homem não seria desligado por ser pai, e eu fui desligada por ser mãe", refletiu a servidora.
Policial penal Thainá Santos (no meio) e a promotora de Justiça, Lucimara Campaner
Arquivo pessoal
Thainá agora faz parte de um grupo de 74 novos policiais penais empossados. Com o reforço, o quadro efetivo da segurança prisional de Roraima passa a contar com 877 servidores.
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