Pisa: desempenho dos estudantes brasileiros segue abaixo da média dos países mais desenvolvidos
09/09/2026
(Foto: Reprodução) Estudantes brasileiros avançam pouco em avaliação internacional
A principal avaliação internacional da educação mostrou que o Brasil avançou pouco nos últimos dez anos.
O Pisa é aplicado em 91 países. A prova, realizada a cada três anos, avalia o desempenho de estudantes de 15 anos de idade e mede, principalmente, a capacidade de usar o conhecimento adquirido nas escolas para resolver problemas do cotidiano e gerar inovação.
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Em 2025, o Brasil atingiu a mesma pontuação em matemática do ano de 2015. Nesse mesmo intervalo, o país cresceu só um ponto em leitura. O maior avanço foi em ciências. Apenas 28% dos estudantes alcançaram o nível mínimo esperado para matemática. Por exemplo, resolver situações simples como comparar a distância total entre duas rotas ou converter preços para uma moeda diferente.
Nas três áreas, o Brasil ficou abaixo da média da OCDE, organização internacional que reúne principalmente países desenvolvidos. Entre todos os países ou regiões analisados, o Brasil ficou na posição 71 em matemática, em 52 em leitura e em 67 em ciências.
O Ministério da Educação afirmou que o Brasil foi um dos países que mais avançaram no desempenho dos estudantes nos últimos 20 anos. Os resultados do Pisa mostram uma queda nos países mais ricos do mundo, que tiveram o pior desempenho da história, principalmente em leitura e matemática.
Pisa: desempenho dos estudantes brasileiros segue abaixo da média dos países mais desenvolvidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Pela primeira vez, o Pisa avaliou a capacidade dos alunos de resolver problemas usando ferramentas digitais, como a programação. Nessa nova categoria, o Brasil obteve 406 pontos, também abaixo da média dos países da OCDE, de 500 pontos.
O diretor do Todos pela Educação, Gabriel Correia, disse que a década sem avanço mostra que o Brasil precisa de mudanças profundas no ensino.
“Valorizar e melhorar a formação dos professores e todo o apoio que é dado para esses profissionais em sala de aula, melhorar a gestão das escolas e pensar na política pública para que o trabalho de sala de aula, para que a pedagogia, para que o ensino seja de melhor qualidade, é muito importante. O Brasil conseguiu resolver, nas últimas décadas, o problema do acesso, de garantia de vaga. Agora é a hora da aprendizagem”, diz Gabriel Correia, diretor de Políticas Públicas do Todos pela Educação.
Uma escola pública em Brasília criou clubes de leitura e de matemática para os estudantes, uma iniciativa para fixar o conteúdo além da sala de aula.
“O estudante que tem apreço pela literatura vai ter um vocabulário melhor, vai se portar de maneira mais sagaz mesmo, uma pessoa mais observadora, porque quando ela lê, cria capacidade de abstração do que aquele que não lê”, afirma Brenda Lopes da Silva, professora de Língua Portuguesa.
“A leitura é um hábito que faz a gente praticar mais a paciência, a atenção. Então, acho que leitura é meio de nós aliviarmos mais a ansiedade que está tão presente na nossa sociedade, principalmente com nós, jovens. Eu acho que a leitura me ajuda bastante a dar essa relaxada, a espairecer”, diz a estudante Júlia Souza.
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