Piracicaba perde 25 agências bancárias em 10 anos e sindicato aponta cenário de exclusão digital e desemprego

  • 13/04/2026
(Foto: Reprodução)
Bancários de Piracicaba, em agosto de 2025, durante protesto contra a política de demissões e o fechamento de agências SindBan/reprodução Piracicaba (SP) registrou fechamento de 25 agências bancárias nos últimos dez anos. As informações são de um levantamento feito pelo g1 com dados do Banco Central do Brasil (BC). Em março de 2016, a cidade contava com 60 agências bancárias. Já em março de 2026, o número passou para 35 — uma queda de 25 agências, o equivalente a cerca de 42% da rede presencial. No mesmo período, o número de Postos de Atendimento (PAs) passou de 118 para 73. Diminuição de 38,14% na rede física. Diferença 🔎: agência é um ponto completo, com gerente geral, tesouraria e todos os serviços de um banco, enquanto o posto de atendimento é subordinado a uma agência, focado em atendimento comercial ou eletrônico, muitas vezes sem caixas humanos. Além disso, com os fechamentos, um mesmo ponto físico pode abrigar mais de uma agência, o que reduz custos operacionais, mas também pode concentrar o atendimento e aumentar a demanda nas unidades restantes. Desestruturação da rede José Antonio Fernandes Paiva, presidente do SindBan SindBan/reprodução Para José Antonio Fernandes Paiva, diretor do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região (SindBan), o movimento é “elevado e preocupante” e representa uma transformação estrutural do setor financeiro por conta da digitalização dos serviços. No entanto, Paiva avalia que a tecnologia poderia ser implementada de forma complementar, sem a redução “tão intensa” da estrutura física, já que os impactos da mudança são diretos nos empregos, atendimento à população e na presença dos bancos nos municípios. “Muitos clientes, idosos, pessoas com menos poder aquisitivo e aqueles com menor familiaridade com tecnologia enfrentam dificuldades para acessar serviços digitais. Com o fechamento das agências, essas pessoas ficam com menos opções de atendimento, enfrentam filas maiores nas unidades remanescentes e, em alguns casos, precisam se deslocar para outras cidades. Isso gera exclusão financeira e perda de qualidade no atendimento”, informa. Na prática, os impactos já são percebidos pelos clientes. Agnaldo Lourenço, de 58 anos, utiliza de canais digitais bancários. Ele estava, na manhã de sexta-feira (10), à espera de atendimento presencial em uma agência em Piracicaba após tentar resolver problemas por meio do aplicativo do banco e central de atendimento. “Eu estou tentando resolver problemas no meu cartão. Vi pelo aplicativo, pela Central de Atendimento e eles mandaram eu vir para cá [...] É o tipo de problema que só dá para resolver em agência”, informa o cliente. Maria das Dores Pereira, de 70 anos, é outra que recorre ao atendimento presencial. “Não uso nada [de aplicativo]. Venho todo mês aqui na agência e não tenho problemas com o banco”, informa. Sobrecarga de trabalho Fila de atendimento prioritário em banco de Piracicaba (SP) g1 Piracicaba Do ponto de vista trabalhista, o SindBan relatou uma combinação de efeitos: transferências de funcionários, desligamentos (muitas vezes via programas de demissão voluntária) e aumento da sobrecarga para os trabalhadores que permanecem, com acúmulo de funções e metas mais agressivas. Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que a redução do atendimento presencial acompanha a queda proporcional da demanda nas agências. Segundo a federação, não há sobrecarga de trabalho, mas uma adaptação às novas necessidades do setor, com a tecnologia facilitando as atividades dos funcionários. Aposta na digitalização Segundo o BC, o avanço dos canais digitais acompanha a redução da rede física no país. A Febraban afirmou que internet banking e aplicativos já concentram a maior parte das operações. A federação ainda afirmou que as plataformas digitais oferecem praticidade, segurança e autonomia ao cliente, além de funcionarem 24 horas por dia. Também ressaltou que os bancos investem cerca de R$ 5 bilhões por ano em tecnologia da informação voltada à segurança, além de campanhas de conscientização contra fraudes. Canais digitais Reprodução/RPC Inclusão financeira em debate Paiva defendeu a manutenção de uma rede mínima de agências, especialmente em cidades médias e pequenas, além de maior regulação para garantir inclusão financeira. Já a Febraban afirmou que o setor mantém compromisso com a inclusão por meio da digitalização, ampliação do crédito, educação financeira e iniciativas de autorregulação, incluindo ações voltadas a clientes mais vulneráveis. Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/04/13/piracicaba-perde-25-agencias-bancarias-em-10-anos-e-sindicato-aponta-cenario-de-exclusao-digital-e-desemprego.ghtml


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