PGR afirma ter reunido provas para condenar acusados de mandar matar Marielle Franco; veja argumentos

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter reunido provas suficientes para a condenação dos acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco (Psol) e o motorista Anderson Gomes. A execução ocorreu em março de 2018. Na ocasião, a assessora Fernanda Chaves, que estava com as vítimas, sobreviveu. Nesse caso, as provas da PGR também se referem à tentativa de homicídio da assessora. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar na terça-feira (24) se condena ou absolve os acusados: Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ; João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado; Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ; Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar; e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão. Viúva de Marielle fala em expectativa para julgamento no STF LEIA TAMBÉM: Assassinos de Marielle, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz são condenados pelo Tribunal do Júri Para a PGR, os irmãos Brazão foram os mandantes do assassinato. Rivaldo Barbosa, acusado de ajudar a planejar o crime. Já o policial militar Ronald Paulo de Alves é acusado de acompanhar os deslocamentos de Marielle. E Robson Calixto, conhecido como "peixe", responde por integrar a organização criminosa com os irmãos Brazão. A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos na noite de 14 de março de 2018, no Centro do Rio de Janeiro. O carro em que viajavam foi seguido desde a Lapa, onde Marielle participou de um debate. Em uma esquina no bairro do Estácio, um Cobalt prata emparelhou com o veículo dirigido por Anderson, e do banco de trás partiram vários disparos. Marielle e Anderson morreram na hora. A assessora Fernanda Chaves, que estava ao lado da vereadora, escapou com vida. Em 2019, foram presos pela execução do crime os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. Lessa é apontado como o autor dos 13 disparos que mataram Marielle e Anderson. Élcio de Queiroz dirigiu o Cobalt na noite do crime. Domingos, Rivaldo, Ronald e Robson estão presos preventivamente desde 24 de março de 2024, diante do risco de atrapalharem as investigações. Em abril de 2025, o ex-deputado Chiquinho Brazão deixou o presídio e foi para prisão domiciliar porque a defesa apresentou diagnóstico de múltiplas doenças graves. Ao longo do processo, as defesas negaram a participação dos acusados no crime, sustentaram falhas processuais e apontaram que não há provas do envolvimento nas mortes. Os réus negaram, em interrogatório no Supremo, qualquer ligação com os assassinatos. Em mais de 200 páginas, a Procuradoria afirmou que os irmãos Brazão e Robson formaram uma organização criminosa voltada para atividades de milícias. Essa organização, diz a PGR, tinha o objetivo de explorar ilegalmente atividades imobiliárias, por “grilagem” de terras, com o uso do poder informal das milícias, bem como o de constituir currais eleitorais nas áreas dominadas pela facção. Segundo a acusação, a execução de Marielle foi motivada pela atuação política da vereadora para atrapalhar interesses dos irmãos Brazão, entre eles, a regularização de áreas comandadas por milícias na Zona Oeste do Rio. O ponto de partida da investigação foi a delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle e Anderson. Entre as provas, a Procuradoria usou depoimentos, dados de celulares, dados de geolocalização, documentos da polícia do Rio e da CPI das Milícias, além de quebras de sigilo bancário. De acordo com a Polícia Federal (PF) e a PGR, testemunhas ouvidas foram "enfáticas" ao apontar que a atuação da vereadora prejudicava os interesses dos irmãos Brazão. A investigação afirma que o planejamento do atentado começou no segundo semestre de 2017 e foram contratados dois serviços: o assassinato, praticado pelo ex-policial militar Ronnie Lessa; e a "garantia de impunidade", uma promessa de Rivaldo Barbosa. A PGR disse que a PF reuniu elementos indicando intensa comunicação entre Ronald e um informante infiltrado no Psol nos dias que antecederam os homicídios e no próprio dia da execução, além de informações sobre o monitoramento da vereadora para o crime. "Dois dias antes do crime, mais especificamente em 12 de março de 2018, Lessa se utilizou de um cadastro na plataforma CCFácil para, com o CPF de Marielle, realizar busca de seus dados cadastrais, visando confirmar seus endereços residenciais", afirmou a Procuradoria. Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos no dia 14 de março, no Rio de Janeiro Reprodução/TV Globo Investigações A investigação lista uma série de ações desencadeadas para atrapalhar a elucidação do crime, como o desaparecimento de provas e até uma falsa testemunha plantada para acusar um miliciano, o que acabou descartado depois. Durante cinco anos, a investigação dos assassinatos de Marielle e Anderson ficou centralizada na polícia do RJ, que nunca apontou quem encomendou as mortes. "Além da falsa incriminação de terceiros, a apuração do caso Marielle reproduziu as mesmas estratégias de sabotagem peculiares às investigações da DH [Delegacia de Homicídios], aqui exemplificadas na ausência de coletas de imagens de circuitos de monitoramento, desaparecimento de provas e diligências ineficientes". O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, afirmou que os irmãos Brazão decidiram matar Marielle Franco "com objetivo de eliminar o obstáculo". "No exercício de sua pauta parlamentar na esfera de habitação e urbanismo, Marielle ameaçou os currais eleitorais dos irmãos, apresentou uma perspectiva de regularização fundiária que contrariava o já consolidado padrão de poder territorial das milícias por meio de “grilagem” de terras e criou obstáculos à tramitação de projetos de lei que interessavam à organização criminosa", argumentou. “O crime foi praticado mediante promessa de recompensa e por motivo torpe, pois os agentes visavam manter a lucratividade de seus negócios ilícitos. Da execução, resultou perigo comum, caracterizado pelos múltiplos disparos efetuados em via pública, a partir do interior de um veículo, em direção a espaço aberto", prosseguiu. O vice-procurador-geral da República também destacou o fato das vítimas estarem desarmadas no interior do automóvel e o fato de não terem notado a aproximação dos atiradores.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/24/prg-afirma-ter-reunido-provas-para-condenar-acusados-de-mandar-matar-marielle-franco-veja-argumentos.ghtml


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