Perícia inicia investigação após vazamento de gás ser contido em empresa do Distrito Industrial, em Manaus
20/07/2026
(Foto: Reprodução) Peritos do Amazonas chegam à Innova para realização de perícia após vazamento de gás em Manaus
Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) iniciaram, nesta segunda-feira (20), os trabalhos de perícia na Unidade 4 da Innova, no Distrito Industrial de Manaus, quase cinco dias após o vazamento de monômero de estireno, substância considerada tóxica, de um dos tanques de armazenamento do produto. A perícia busca esclarecer as causas e as circunstâncias do incidente, que é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
O vazamento foi registrado às 17h36 da última quarta-feira (15), na Unidade IV da Innova, após o monômero de estireno armazenado no reservatório apresentar elevação anormal de temperatura. A empresa classificou a ocorrência como uma "emergência química".
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), nesta primeira etapa os peritos fazem uma avaliação preliminar da área e utilizam drones para registrar imagens e levantar informações que auxiliem na investigação.
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O órgão informou que os trabalhos terão continuidade nos próximos dias e que todas as hipóteses relacionadas ao caso serão avaliadas tecnicamente. O laudo pericial não tem prazo para ser concluído.
Vazamento de gás contido: bombeiro confirmou a ausência de resíduos e liberou atividades
Em nota, a SSP-AM também destacou que o prazo para conclusão da perícia dependerá do volume de informações e dos vestígios que ainda serão analisados.
“O laudo não possui prazo para conclusão, em razão do volume de informações que ainda serão levantadas e analisadas em conjunto com os vestígios encontrados no local”, disse a secretaria.
Paralelamente, a Polícia Civil instaurou um inquérito policial, conduzido pelo 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP), para apurar todas as circunstâncias do caso. A corporação informou que, por enquanto, não divulgará outras informações para não comprometer as investigações em andamento.
Vazamento contido
O Corpo de Bombeiros informou, na tarde deste domingo (20), que as equipes que atuavam no local desde a última quarta-feira (15) conseguiram conter o vazamento do gás considerado tóxico. Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, as medições realizadas no local indicaram que não há mais emissão do gás estireno.
"Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno
Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. De acordo com o comandante, o trabalho de retirada do produto armazenado e de desativação da estrutura poderá durar meses.
Ainda na noite do domingo, equipes do órgão, Defesa Civil e técnicos da empresa fizeram uma nova análise da qualidade do ar acerca da presença do gás estireno em escolas e empresas do entorno, que não detectou a presença do gás. O monitoramento na região continuará de forma preventiva.
Comitê libera atividades em fábricas no Distrito Industrial
Um comitê formado por órgãos estaduais, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), decidiu liberar o retorno das atividades nas indústrias do Polo Industrial, além de escolas da rede estadual e serviços públicos a partir desta segunda-feira (20).
Com a decisão do comitê, as escolas estaduais que tiveram as atividades suspensas na região do Distrito Industrial retomam as aulas nesta segunda-feira (20). O Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 também volta a funcionar normalmente.
As indústrias do Polo Industrial de Manaus que haviam interrompido as atividades por precaução também estão autorizadas a retomar a operação.
Falta de orientação
Na última sexta-feira (17), Rosivete Ferreira, de 63 anos, afirmou ao g1 que a população que vive no entorno da Innova nunca recebeu qualquer orientação sobre como agir em caso de acidentes químicos envolvendo a indústria.
Ela contou que só descobriu que havia risco de um incidente desse tipo depois do vazamento. A doméstica relatou, ainda, que apresentou sintomas compatíveis com os efeitos da exposição ao monômero de estireno apontados pela chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, horas após a ocorrência.
“Eu senti náuseas, muito enjoo, um aperto na garganta e dor de cabeça. Meu olho ficou parecendo que estava cheio de pimenta, ardendo demais”, relatou a moradora.
INFOGRÁFICO - Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus.
g1