Patroa que agrediu empregada grávida no MA já foi condenada por falsa acusação de roubo contra ex-babá

  • 06/05/2026
(Foto: Reprodução)
Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) por suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses, já havia sido condenada em outro caso por falsa acusação de roubo contra uma ex-babá. A condenação ocorreu em outubro de 2025, pelo crime de calúnia, após Carolina acusar a funcionária de roubar uma pulseira de ouro do filho. Apesar de a sentença prever prisão, a pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade, por se tratar de ré primária e com condenação inferior a um ano. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Procurada pelo g1, a empresária Carolina Sthela afirmou, por meio de nota, que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Ela também declarou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso é apurado (veja mais abaixo a nota na íntegra). LEIA TAMBÉM: Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica grávida no MA: 'Não era pra ter saído viva' Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que tentou proteger bebê durante ataques: ‘Não se importavam’ Áudio foi usado como prova em processo por falsa acusação A produção da TV Mirante conversou com Sandila Souza, ex-babá que denunciou a mesma mulher em outro processo. Ela contou que começou a trabalhar na casa da suspeita quando tinha 17 anos e que, atualmente, não mora mais no Maranhão. De acordo com os autos do processo, o caso começou em janeiro de 2024, após o desaparecimento de uma pulseira de ouro do filho da empresária durante um passeio em um parque aquático, segundo depoimento da ex-babá à Justiça. Ainda assim, segundo ela, passou a ser cobrada para ressarcir o valor. A vítima disse que decidiu deixar o emprego após se recusar a pagar pela pulseira e afirmou que a acusação foi uma forma de retaliação pela saída. “Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela viu saindo com as minhas malas e falou que ela ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela [...]. Eu falei, eu não roubei a pulseira do seu filho, mas se você quiser ir lá, você pode ir, que tem câmeras em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas", disse. Segundo a ex-babá, o pagamento pelo serviço era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa. Após sair da casa, ela contou que recebeu um áudio em que a empresária a acusava de roubo. Segundo decisão do juiz Samir Araújo Mohana Pinheiro, Carolina foi condenada a seis meses de detenção, em regime aberto. A pena, no entanto, foi substituída por prestação de serviços à comunidade. A Justiça também fixou indenização de R$ 4 mil por danos morais, valor que, segundo a ex-babá, ainda não foi pago. Empresária é investigada por agredir doméstica grávida Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA Três semanas após a agressão, a empregada doméstica de 19 anos ainda se recupera dos traumas emocionais. A jovem denunciou ter sido espancada pela empresária Carolina Sthela após ser acusada de roubar joias da ex-patroa. Grávida de cinco meses, disse que tentou proteger a barriga durante os golpes. As agressões aconteceram em 17 de abril, na casa onde a vítima trabalhava, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís.Segundo a jovem, ela foi puxada pelos cabelos, derrubada no chão e agredida com socos e murros. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse. Após mais de uma hora de procura, a joia que motivou a acusação foi encontrada no cesto de roupas da casa. Mesmo assim, as agressões continuaram, segundo a vítima. "Eu, graças a Deus, não levei nenhum chute, porque fiquei protegendo minha barriga o tempo todo, mas o restante do corpo ficou todo marcado”, relatou. Suspeita de agredir doméstica grávida no MA diz em áudio que não foi levada à delegacia por conhecer policial Áudios enviados pela própria empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos das agressões e foram anexados ao inquérito, de acordo com a Polícia Civil. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva” (ouça os áudios no vídeo acima). “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthela. Nos áudios, a mulher contou que teve ajuda de um homem, ainda não identificado, para pressionar a empregada de forma violenta. Na manhã do dia 17 de abril, ele foi armado até a casa de Carolina. “Eu acordei era 7h30. Aí eu (disse): ‘Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, ‘que eu vou receber um amigo meu aqui em casa’. Aí ele chegou e eu disse ‘entra, amigo’. Ele (o homem) já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava." Empresária diz que não foi presa por conhecer policial A empresária Carolina Sthela é suspeita de agredir a ex-funcionária de 19 anos na Grande São Luís Reprodução/TV Mirante Em áudios enviados pela empresária, ela afirma que não foi levada para a delegacia após as agressões porque o policial que atendeu à ocorrência era seu amigo. Em um dos áudios, Carolina relata que, ao ser abordada por uma equipe da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA), percebeu que um dos policiais na viatura era seu amigo. Segundo ela, o agente, que não foi identificado, teria dito que, devido aos hematomas visíveis no corpo da vítima, Carolina deveria ter sido conduzida à delegacia. Entretanto, mesmo diante da situação, ela não foi presa. “Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”, afirmou Carolina. O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Carolina Sthela não foi presa nem indiciada até o momento. Segundo a Polícia Civil, ela é alvo de mais de dez processos. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil informou que prepara um relatório sobre os processos envolvendo a suspeita. A entidade também acompanha o caso registrado na semana passada. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que, até o momento, não há confirmação sobre a veracidade das informações divulgadas em conteúdos não oficiais, tampouco, sobre o eventual envolvimento de agentes. A secretaria afirmou que, uma vez formalizada a denúncia, o caso será rigorosamente apurado pelas instituições competentes. O que diz a empresária "Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito. Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal. Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal. Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos. Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual. Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça. Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026. Carolina Sthela Ferreira dos Anjos" .

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/05/06/patroa-que-agrediu-empregada-gravida-no-ma-ja-foi-condenada-por-falsa-acusacao-de-roubo-contra-ex-baba.ghtml


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