'Para os amigos tudo, para os inimigos o rigor da lei', diz coronel em foto ao lado de suspeito de integrar o PCC
28/07/2026
(Foto: Reprodução) "Podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais", diz um coronel da PM a um suposto integrante do PCC.
Uma fotografia compartilhada em um grupo de mensagens criado para comemorar o aniversário da esposa de um coronel da Polícia Militar passou a integrar a investigação do Ministério Público de São Paulo sobre a relação entre policiais e suspeitos de atuar em esquemas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na imagem, segundo os investigadores, aparecem lado a lado o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins e Cleber Azevedo dos Santos, apontado pelas autoridades como um dos principais operadores financeiros do grupo investigado.
Viagens, favores e suspeitas de propinas: os bastidores da relação entre coronéis da PM e integrantes do PCC
De acordo com o relatório, a foto foi encontrada entre as mensagens analisadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público durante o aprofundamento das apurações sobre supostos pagamentos de propina, favorecimentos e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da facção criminosa e agentes públicos.
Após o compartilhamento da imagem, uma mensagem atribuída ao coronel chamou a atenção dos investigadores.
"Como sempre, para os amigos tudo, para os inimigos o rigor da lei!!! Abraços!!!"
A frase aparece em meio às conversas que, segundo o Ministério Público, ajudam a demonstrar a proximidade entre o oficial da reserva e investigados por ligação com o PCC. O material faz parte de um conjunto de mensagens que inclui convites para viagens, hospedagens em colônias de férias destinadas a oficiais da PM, contatos frequentes e pedidos de favores.
'Para os amigos tudo, para os inimigos o rigor da lei', diz coronel em foto ao lado de investigado do PCC
Reprodução/TV Globo
Segundo os promotores, Cleber Azevedo dos Santos mantinha trânsito entre integrantes da facção e policiais militares, sendo apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema investigado. Já o coronel Pereira Martins é descrito em relatório como alguém que teria relação próxima com investigados e que, em determinadas situações, aparecia oferecendo auxílio ou contatos dentro da corporação.
A fotografia do aniversário ganhou relevância para a investigação justamente por registrar um momento de convivência pessoal entre os dois. Para os investigadores, o conteúdo reforça os indícios de amizade já identificados em outras conversas encontradas nos celulares analisados ao longo da apuração.
As mensagens vieram à tona após uma investigação da Polícia Federal sobre doleiros. Ao identificar possíveis relações entre policiais e suspeitos ligados ao PCC, a PF encaminhou o material ao Ministério Público paulista, que segue apurando o caso.
O Ministério Público informou que não comentará o andamento das investigações. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos. O coronel Luiz Carlos Pereira Martins não respondeu aos contatos mencionados no material da investigação.
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