Pantanal enfrenta seca, Amazônia muda e crise climática pode estar chegando a um ponto irreversível; entenda

  • 30/07/2026
(Foto: Reprodução)
Pantanal e a Amazônia podem estar chegando no "ponto de não retorno". Reprodução/Jornal Nacional O avanço da crise climática já provoca mudanças nos principais biomas brasileiros. No Pantanal, períodos de seca mais longos têm reduzido a disponibilidade de água e alterado o comportamento de animais e atividades econômicas da região. Na Amazônia, cientistas investigam como o aumento das temperaturas e a redução das chuvas podem levar a floresta a um chamado “ponto de não retorno”. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No Pantanal, a falta de água obrigou fazendeiros a buscar alternativas para garantir a sobrevivência dos rebanhos. A pecuária é a principal atividade econômica da região, que tem aproximadamente 4 milhões de cabeças de gado. “Você não imagina que o lugar que você vai tá seco já”, afirmou o peão de boiadeiro Moisés da Silva, ao relatar situações em que precisou conduzir o gado por longas distâncias em busca de água. Nos últimos anos, aumentou a abertura de poços artesianos nas fazendas do Pantanal. A água subterrânea é retirada com bombas movidas a energia solar para abastecer os animais. “Por enquanto são quatro. Mas estamos planejando mais dois esse ano e assim por diante”, disse Camilla Schweizer, coproprietária e gerente de uma fazenda na região. Segundo ela, a seca tem aumentado o desgaste dos animais. “O gado tem tido um estresse maior porque ele tem tido essa necessidade de percorrer muitos quilômetros para chegar até a água, então estamos furando poços para facilitar a vida deles”, afirmou. Pantanal mais seco Há cerca de 20 anos, as cheias cobriam grandes áreas do Pantanal. Hoje, períodos de seca mais extensos mudaram a paisagem de regiões que antes ficavam alagadas. O fenômeno preocupa cientistas, que estudam o risco de o bioma atingir um “ponto de não retorno”. O conceito não significa que o ambiente desaparece, mas que ele deixa de conseguir se recuperar mesmo com a redução dos impactos. “O ponto de não retorno não é quando acabou tudo. O ponto de não retorno é quando você chega numa situação em que o ambiente não é capaz de se recuperar mesmo que você diminua o impacto que você está tendo”, explicou Tasso Azevedo, especialista em clima. Segundo ele, o Pantanal também depende da água que vem da Amazônia por meio dos chamados “rios voadores”, correntes de umidade que transportam água pela atmosfera. “A Amazônia também está enfraquecendo os chamados rios voadores, ou rios atmosféricos. Então o Pantanal é aquele lugar onde a gente diz: mesmo se você não tivesse nenhuma interferência no Pantanal, nada, não fizesse mais nada, protegesse o Pantanal inteiro e virasse um parque, ele não volta mais à condição anterior”, afirmou. Dados de satélite mostram que, no ano passado, a área coberta por água no Pantanal ficou 56% abaixo da média histórica. Entre os biomas brasileiros, o Pantanal foi o único a registrar essa situação. A redução da água também afeta animais. As queixadas, por exemplo, passaram a mudar o comportamento por causa do aumento das temperaturas. “As queixadas estão se tornando mais noturnas com o aumento da temperatura. Elas são animais diurnos, que têm atividade de manhã e no final da tarde, e quanto mais calor, mais elas se tornam animais noturnos”, disse Maria Luisa Jorge, professora da Vanderbilt University que estuda o Pantanal há 15 anos. A ariranha também sofre com a redução das áreas alagadas. “As ariranhas são semiaquáticas. A superfície de água está reduzindo, vai diminuindo o espaço para esses grupos se organizarem na paisagem”, explicou Caroline Leuchtenberger, bióloga do Projeto Ariranhas. Segundo ela, uma das populações monitoradas no Rio Negro teve redução superior a 50% nos últimos anos. Com menos água, o fogo também se torna uma ameaça maior. Em 2024, o Pantanal registrou recorde de queimadas. “O fogo não está só aumentando como ele está mudando onde ocorre o fogo. O Pantanal está tendo eventos de fogo muito fortes e que tornam ainda mais difícil a situação”, afirmou Tasso Azevedo. Risco também na Amazônia Além do Pantanal, cientistas acompanham o risco de outros biomas brasileiros, como Amazônia, Cerrado e Caatinga, alcançarem o chamado “ponto de não retorno”. Na Amazônia, estudos apontam que o desmatamento combinado ao aumento da temperatura pode transformar a floresta em uma área mais seca, semelhante a uma savana. “Se o desmatamento chegar entre 20% e 25% e o aquecimento global chegar a 2 graus de aquecimento, é impossível manter a Amazônia”, afirmou o cientista Carlos Nobre. Para entender os efeitos da falta de água na floresta, pesquisadores montaram uma estrutura com milhares de painéis de plástico em uma área de floresta nativa em Querência, no Mato Grosso. O experimento reduz pela metade a quantidade de água que chega ao solo para simular períodos extremos de seca. “Medimos, de fato, todos os sinais vitais da floresta com efeito de seca. Medimos o conteúdo de água no solo, a disponibilidade de água nas plantas, nas árvores, o conteúdo de água no tronco, o fluxo da seiva nas árvores”, explicou David Galbraith, professor da Universidade de Leeds. O projeto acompanha como as árvores reagem à falta de água e aos períodos de seca prolongada. “E se o El Niño começar a ficar frequente a cada 3 anos? Há muito tempo atrás, a frequência era 20, 25 anos. Agora, a frequência está 7 anos, daqui a pouco é 5, 3. Pronto, aí a gente vai ter o cenário da devastação total, porque não vai dar tempo de a floresta sobreviver”, disse Galbraith. Para a pesquisadora Beatriz Schwantes Marimon, da Universidade do Estado de Mato Grosso, a falta de água interfere diretamente no funcionamento das árvores. “A fotossíntese, afeta o transporte de água, as árvores começam a morrer mais rapidamente”, afirmou. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional O projeto já recebeu R$ 7 milhões em investimentos. Para o pesquisador Paulo Artaxo, da USP, reduzir a emissão de combustíveis fósseis e zerar o desmatamento são medidas fundamentais para evitar um possível colapso da floresta. “O que nós precisamos fazer? Basicamente acabar com a exploração e consumo de combustíveis fósseis o mais rápido possível e na maior intensidade possível, e segundo, zerar o desmatamento da floresta amazônica o mais rápido possível”, afirmou. Segundo ele, essas medidas podem reduzir o risco de colapso da Amazônia ou limitar a área afetada.

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/07/30/pantanal-enfrenta-seca-amazonia-muda-e-crise-climatica-pode-estar-chegando-a-um-ponto-irreversivel-entenda.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes