Pai solo reconstrói a vida após perder a esposa na véspera de Natal em Uberlândia

  • 09/08/2026
(Foto: Reprodução)
Pai solo reconstrói a vida após perder a esposa na véspera de Natal em Uberlândia Na véspera de Natal de 2024, Marcel Zanata recebeu a notícia que mudaria para sempre a vida dele e do filho Breno. A esposa, Geovana Melo Nunes, morreu aos 36 anos após complicações causadas por uma embolia durante a recuperação de uma cirurgia para corrigir uma escoliose grave. O procedimento havia sido bem-sucedido e a família já se preparava para voltar para casa quando tudo mudou. Em poucas horas, o marido que dividia a criação do menino passou a enfrentar sozinho a missão de ser pai de uma criança de 3 anos. Quase dois anos depois, Marcel, hoje com 37 anos, diz que ainda não encontrou respostas para a perda, mas encontrou um propósito: criar o filho da forma que acredita que a esposa gostaria. "O foco principal sempre foi ele. Eu precisava me manter firme por causa do Breno", resumiu. Neste Dia dos Pais, a história de Marcel é marcada pela ausência, mas também pela capacidade de reconstruir a vida. Entre consultas médicas, reuniões na escola, aulas de natação, viagens de trabalho e noites em claro, ele aprendeu a ocupar espaços que antes pertenciam à companheira com quem dividiu 14 anos de relacionamento. "No começo foi desespero. Quando a gente perde uma referência, perde muito o chão. Eu tinha escolhido ela para ser essa pessoa com quem eu viveria e criaria nosso filho. De repente, precisei assumir tudo". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Aprender uma nova forma de ser pai Marcel e o filho Breno Reprodução/Redes Sociais Marcel sempre participou da criação de Breno, mas como acontece em muitas famílias, era Geovana quem concentrava boa parte da rotina do filho: acompanhava a escola, organizava consultas médicas, conhecia cada detalhe do desenvolvimento da criança. Depois da morte dela, todas essas responsabilidades passaram para ele. "Foi uma reinvenção. Eu tive que aprender muita coisa que ela fazia naturalmente. Correr atrás de médico, entender mais da escola, organizar a rotina dele. Passei a ser a referência principal", relembrou. Mais do que aprender uma nova rotina, Marcel precisou desenvolver uma sensibilidade que, segundo ele, nunca havia experimentado. "Comecei a prestar atenção em coisas pequenas. Se ele respirava diferente durante a noite, eu levantava para ver. Passei a entender quando alguma tristeza ou irritação não era normal. Comecei a compreender um pouco desse olhar que as mães têm naturalmente". Hoje, é ele quem acompanha o filho em praticamente todas as atividades. Leva Breno para a escola, para as aulas de natação, acompanha atividades complementares, prepara refeições, organiza horários e tenta estar presente em cada etapa da infância do menino. O luto de uma criança Quando Geovana morreu, Breno ainda não tinha completado quatro anos. Em meio ao próprio luto, Marcel decidiu que não esconderia do filho o que havia acontecido. Desde os primeiros dias, optou por falar sobre a morte da esposa com sinceridade, mas de uma forma que a criança pudesse compreender. "Nunca menti. Eu disse que a mamãe não estava mais com a gente e que morava no céu. Acho que isso ajudou ele a entender as coisas da maneira dele". Breno e a mãe no pós cirúrgico Reprodução/Redes Sociais A perda também transformou o comportamento do menino. Durante cerca de um ano, Breno foi acompanhado por uma psicóloga depois de se tornar mais introspectivo e evitar conversar sobre tristeza. Aos poucos, voltou a recuperar a espontaneidade e a personalidade comunicativa que sempre teve. Mesmo tão pequeno quando perdeu a mãe, ele ainda guarda lembranças dos momentos que viveram juntos. Marcel faz questão de manter essas memórias vivas, falando frequentemente sobre Geovana e relembrando histórias da família. "Ele fala que a mamãe levava ele para o Praia Clube, dava banho, levava para a escola. Eu faço questão de falar dela. Quero que ele saiba quem foi a mãe dele." Geovana quando estava grávida de Breno Reprodução/Redes Sociais A força da rede de apoio Conciliar a criação de Breno com a rotina de supervisor regional de vendas, que exige viagens frequentes, logo se tornou um dos maiores desafios de Marcel. Sem uma rede de apoio, ele percebeu que seria impossível dar conta do trabalho e, ao mesmo tempo, acompanhar de perto o crescimento do filho. Foi então que decidiu voltar a morar com os pais. Hoje, dividem a mesma casa Marcel, Breno e os avós, Marcelo e Beatriz. Segundo ele, a presença deles foi essencial para que conseguisse reorganizar a vida sem abrir mão da convivência com o menino. "Sou muito grato a eles. Sem essa ajuda eu não conseguiria trabalhar da forma que trabalho e, ao mesmo tempo, estar presente na vida do Breno." Marcel voltou com Breno para a casa dos pais onde passou a contar com uma rede de apoio Reprodução/Redes Sociais A mudança também trouxe um aprendizado que, por muito tempo, ficou em segundo plano: a necessidade de cuidar de si para conseguir cuidar do filho. Marcel conta que só depois de voltar para a casa dos pais percebeu a importância de reservar alguns momentos para descansar, praticar exercícios e recuperar o fôlego em meio à nova rotina. "Percebi que eu também precisava de um tempo para respirar, para ir à academia, fazer uma caminhada. A gente precisa continuar vivendo", afirmou. Breno e avós Reprodução/Redes Sociais LEIA TAMBÉM: Gari transforma rotina de trabalho em mensagens de gratidão nas redes Confira a programação de aniversário de 138 anos de Uberlândia Ponte Quinca Mariano é fechada e muda rota de motoristas entre MG e GO Continuar vivendo Quase dois anos depois da perda, Marcel diz que ainda não encontrou uma explicação para a morte da esposa. Nos primeiros dias, chegou a questionar a própria fé e passou horas tentando entender por que a tragédia havia acontecido justamente com a família dele. Com o tempo, porém, escolheu deixar as perguntas sem respostas e concentrar as energias na criação do filho. "Tem dias difíceis? Tem. Mas hoje eu tento ser o mais positivo possível. Não quero viver como vítima", afirmou. Ao falar de Geovana, Marcel prefere lembrar da mulher que, segundo ele, dedicava a vida ao filho e foi fundamental para a formação da família que construíram juntos. É dessa lembrança que tira forças para seguir em frente e criar Breno da maneira que acredita que ela gostaria. "Ela foi uma mãezona. E eu sinto que estou continuando o legado dela, cuidando muito bem do Breno." Às vésperas do Dia dos Pais, ele diz que a maior recompensa não está na data comemorativa, mas em perceber o crescimento do filho. Ver Breno se desenvolver, ser elogiado pela educação e pela forma como se relaciona com as pessoas é, para Marcel, a confirmação de que o esforço diário tem valido a pena. Por isso, ao olhar para a própria trajetória, ele resume o que aprendeu desde que precisou assumir a criação do menino. "Ser pai não é só colocar comida dentro de casa ou pagar as contas. Ser pai é estar presente todos os dias, conhecer o filho, saber quando ele está feliz, triste ou nervoso. É participar da vida dele. É isso que faz a diferença", finalizou. Marcel diz que a maior recompensa não está na data comemorativa, mas em perceber o crescimento do filho Reprodução/Redes Sociais VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/08/09/pai-solo-reconstroi-a-vida-apos-perder-a-esposa-na-vespera-de-natal-em-uberlandia.ghtml


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