Paciente sobrevive mais de 48 horas sem pulmões após médicos criarem sistema artificial antes de transplante

  • 31/01/2026
(Foto: Reprodução)
Radiografias mostram os pulmões novos (à esquerda) e os pulmões antigos (à direita) Northwestern Medicine Cirurgiões nos Estados Unidos conseguiram fazer um paciente sobreviver por mais de 48 horas sem pulmões. Após uma infecção grave, os médicos removeram o órgão e criaram um sistema artificial para mantê-lo vivo até o transplante. 🫁 O caso pode mudar o tratamento de infecções graves, em que o transplante não é uma indicação hoje, mas pode ser a única forma de salvar o paciente. A cirurgia aconteceu em um hospital nos Estados Unidos, e os médicos publicaram o caso em um artigo nesta quinta-feira (29), na revista científica Med. Da infecção grave ao colapso dos pulmões O paciente, que não teve a identidade revelada, tinha 33 anos quando desenvolveu uma infecção grave causada por uma gripe. O quadro evoluiu rapidamente e levou à síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), um tipo de insuficiência respiratória que provoca acúmulo de líquidos nos pulmões e redução do oxigênio no sangue. 🔴 Em pouco tempo, a função pulmonar entrou em colapso, e outros órgãos, como coração e rins, começaram a falhar. O estado dele era crítico. O coração parou assim que chegou. Tivemos que fazer reanimação cardiopulmonar. Cirurgiões removeram os pulmões infectados de um paciente e ele permaneceu vivo sem pulmões por 48h Northwestern Medicine Segundo o médico, quando a infecção é tão severa que o tecido pulmonar começa a se deteriorar de forma extensa, os danos se tornam irreversíveis. “É aí que os pacientes morrem”, afirma. Os pulmões estavam tão comprometidos que, além de não funcionarem mais, continuavam alimentando a infecção. Ao mesmo tempo, o organismo estava debilitado demais para receber imediatamente órgãos de um doador. 🔴 A equipe médica se viu diante de um impasse: remover os pulmões era necessário para controlar a infecção, mas, biologicamente, uma pessoa não consegue sobreviver sem eles. 48 horas sem os pulmões Atualmente, pacientes com esse tipo de quadro são mantidos vivos com o auxílio da ECMO, sigla para oxigenação por membrana extracorpórea. A tecnologia oxigena o sangue fora do corpo e remove o dióxido de carbono, funcionando como um suporte temporário. Só que isso é feito enquanto os pulmões se recuperam. 🫁No caso dele, isso não era possível, já que os pulmões estavam agravando o quadro e deteriorando o organismo. Para resolver o problema, os cirurgiões desenvolveram para o paciente um sistema de pulmão artificial capaz de substituir temporariamente todas as funções pulmonares. Os médicos retiraram os dois pulmões e instalaram o dispositivo, que oxigenava o sangue, removia o dióxido de carbono e mantinha o fluxo sanguíneo necessário para o coração e o restante do corpo, permitindo que o paciente permanecesse vivo enquanto se recuperava da infecção sistêmica. O resultado surpreendeu a equipe médica. Assim que os pulmões foram removidos, o homem começou a apresentar melhora. A pressão arterial se estabilizou, outros órgãos passaram a funcionar melhor e a infecção cedeu. Em dois dias, o quadro clínico mudou completamente, e ele pôde receber o transplante. Hoje, cerca de dois anos após o procedimento, leva uma vida normal. O que essa descoberta muda Atualmente, o transplante de pulmão é reservado a pacientes com doenças crônicas, como fibrose cística ou doença pulmonar intersticial. Em casos agudos de SARA, a estratégia costuma ser manter o suporte intensivo na expectativa de que os pulmões se recuperem. 🔴 O estudo, no entanto, sugere que essa lógica pode não se aplicar a todos os pacientes. Ao analisar os pulmões removidos, os pesquisadores encontraram cicatrizes extensas e sinais de dano imunológico em nível molecular. Esses achados indicam que o tecido havia atingido um estágio irreversível, sem capacidade de regeneração. Ou seja, o que os médicos descobriram ao analisar os pulmões do paciente é que a síndrome havia causado danos irreversíveis e que, sem a retirada do órgão infectado e o transplante, ele não teria se recuperado. Segundo os pesquisadores, isso pode acontecer com outros pacientes em situações semelhantes. De acordo com Bharat, é a primeira vez que evidências biológicas mostram de forma clara que, em alguns casos, o transplante duplo de pulmão é a única alternativa possível para a sobrevivência. O médico, que é especialista nesse tipo de procedimento, afirma que pacientes jovens com danos pulmonares graves morrem com frequência porque o transplante nem sequer é considerado uma opção. “Para danos pulmonares graves causados por vírus ou infecções respiratórias, mesmo em situações agudas, um transplante de pulmão pode salvar vidas”, diz.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/31/paciente-sobrevive-mais-de-48-horas-sem-pulmoes-apos-medicos-criarem-sistema-artificial-antes-de-transplante.ghtml


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