Paciente relata ter passado por 3 cirurgias após procedimentos estéticos em clínica investigada no Rio

  • 15/08/2026
(Foto: Reprodução)
Paciente relata sequelas nos seios e braço após cirurgias na Zona Sul do Rio Uma paciente de uma clínica investigada pela Polícia Civil em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, relatou ter passado por três cirurgias para corrigir problemas que, segundo ela, foram causados por procedimentos cirúrgicos e estéticos realizados no braço esquerdo e nos seios. Ao g1, ela contou o resultado depois da cirurgia, feita em outubro do ano passado: "Meu peito ficou torto, ficou horrível de feio. Abriu o ponto todinho do meu braço. Eu só posso subir (o braço) até uma certa altura, que a pele repuxa. Eu já fiz três cirurgias para consertar e não consegue consertar. Os pontos reabriram, virou ferida, eu não dormia e não comia. Gastei o que tinha e o que não tinha", lamentou. Vítima relatou que pontos abriram após problemas em cirurgia realizada em clínica investigada Reprodução Agora, ela avalia entrar com uma ação na Justiça contra a clínica Ênio Serra, comprada pelo grupo de saúde Celita Toledo. A Delegacia do Consumidor (Decon) investiga 14 casos de complicações após procedimentos cirúrgicos e estéticos nas unidades de saúde ligadas ao grupo. Duas mortes estão sendo apuradas. Ao g1, a paciente relatou ter feito os seguintes procedimentos: Mastopexia, que remove o excesso de pele, reposiciona a auréola e o tecido mamário caído com uma prótese de silicone; Braquioplastia, feita para tirar o excesso de pele e de gordura da parte interna dos braços. Ela disse que sofre com dores até hoje e que foi tratada com grosseria ao retirar os drenos colocados após a cirurgia. "Quando ele foi tirar os drenos, ele tira com tanta grosseria. Aí eu falei para o doutor: 'Tá doendo muito' e gritando, e ele falava que não ia parar", comentou. Paciente disse que pontos de cirurgia no braço se abriram após cirurgia em clínica investigada Reprodução 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Residentes sem supervisão Após morte e prisão, polícia investiga novos casos de complicações após procedimentos estéticos em clínica O delegado Wellington Vieira, titular da Delegacia do Consumidor, afirmou que as investigações já identificaram que quatro residentes, estudantes de pós graduação em medicina, estavam trabalhando em condições irregulares e sem supervisão na clínica Ênio Serra. A mulher ouvida na reportagem do g1 também citou que acadêmicos de medicina realizavam procedimentos na clínica, muitas vezes chegando a seis cirurgias por dia. " O residente só pode atuar com supervisão, ou seja, é um aluno que só pode atuar com supervisão do professor, e dentro do ambiente acadêmico. Esses quatro residentes estavam atuando fora do ambiente acadêmico. E nós temos mais cinco identificados que atuavam no grupo Celita Toledo e estão sendo investigados", falou o delegado responsável pelas investigações. "Já tem médicos atuando para ajudar a Delegacia do Consumidor a entender até que ponto o uso de residentes pode ter sido um fator que agravou esse quadro", acrescentou. Clínica investigada por complicações em procedimentos estéticos; uma mulher morreu Reprodução/TV Globo Os relatos da paciente ouvida pela reportagem e de outras mulheres que passaram por procedimentos no local apontam para falhas graves na realização das intervenções: "Muitas mulheres, segundo as fotos que eu vi, ficaram visivelmente deformadas. Mulher sem mamilo, mulher sem umbigo. Isso aí são erros crassos que um cirurgião talentoso e acostumado no trato da sua técnica não comete." O delegado disse ainda que investiga se a clínica realizou o descarte ilegal de resíduos das cirurgias das pacientes. Pelo menos três pacientes contaram que foram cobradas em R$ 200 para que o hospital fizesse o descarte da gordura retirada durante os procedimentos cirúrgicos. "Se não quisesse pagar, a vítima era intimidada a descartar os restos por conta própria. Uma pessoa trouxe inclusive fotografias de um saco transparente, com o próprio tecido adiposo dentro desse saco, e disse que levou para casa", disse o delegado. O descarte indevido de resíduos e de fluidos orgânicos em locais inadequados ou na rede de esgoto sem o devido tratamento configura crime ambiental de poluição. Segundo Wellington Vieira, Celita Toledo, dona do grupo de saúde que administra as unidades em Laranjeiras, foi intimada duas vezes, mas ainda não compareceu à Delegacia do Consumidor para prestar depoimento. O Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio) afirmou ao g1, em nota, que lavrou dois autos de infração contra as unidades de saúde na rua Soares Cabral: uma por insumos e medicamentos com prazo de validade expirado. A outra foi por condições higiênico-sanitárias inadequadas de conservação e infraestrutura. Procurada, Celita Toledo não respondeu às solicitações do g1, que também procurou os representantes da Clínica Ênio Serra, sem obter nenhuma resposta até a publicação desta reportagem. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/08/15/paciente-relata-cirurgias-procedimentos-esteticos-clinica-investigada.ghtml


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