Oruam trocou de tornozeleira em dezembro, e equipamento substituído tinha ‘dano eletrônico’ por possível ‘alto impacto’, diz Seap
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Cantor Oruam foragido: Justiça decreta prisão novamente
O cantor de funk e trap Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, trocou de tornozeleira no dia 9 de dezembro após uma série de defeitos. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o equipamento substituído foi encaminhado à perícia técnica, que constatou “dano eletrônico, possivelmente decorrente de alto impacto”.
Oruam está foragido desde esta terça-feira (3), depois que a juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, assinou um novo pedido de prisão, em consequência da revogação de um habeas corpus pelo ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na segunda (2).
Essa nova tornozeleira, diz a Seap, está desligada desde domingo (1º).
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Oruam de tornozeleira após deixar a cadeia; Seap fala em 66 violações
Reprodução
66 violações
Desde a instalação, foram pelo menos 66 violações — 21 delas só em 2026.
A secretaria informou que o 1º equipamento foi instalado no fim de setembro e que em novembro já foram constatadas irregularidades. A Justiça foi comunicada de violações nos dias 1º, 4 e 11 de novembro e 1º e 5 de dezembro. Depois, veio a troca.
Segundo o STJ, o cantor descumpriu reiteradamente o monitoramento eletrônico, deixando a bateria da tornozeleira descarregar por longos períodos, o que, para a Corte, inviabilizou a fiscalização judicial e demonstrou risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Ao g1, a Polícia Civil do RJ informou que realiza diligências em diferentes endereços ligados ao cantor para cumprir o mandado de prisão. Ele não foi encontrado na casa dele, na Freguesia de Jacarepaguá.
No ano passado, por considerar que a prisão preventiva foi mantida com base em fundamentação insuficiente e vaga, Paciornik havia mandado soltar o artista.
Oruam é acusado de duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação no Rio. A decisão revogou a liminar que havia substituído a prisão preventiva por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
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Após instalar o equipamento, cantor publicou uma foto do equipamento na perna
Reprodução
No entanto, o advogado Fernando Henrique Cardoso, que faz a defesa do cantor, afirma que “não houve qualquer desligamento proposital da tornozeleira.”
De acordo com Cardoso, o equipamento de monitoramento usado por Oruam estava apresentando problemas e ele foi chamado na Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para trocar o dispositivo.
“Fomos atrás dos dados telefônicos e eles mostram que, em dezembro, já havia registro de problema no equipamento. No dia 9 de dezembro, Mauro foi convocado a comparecer à Seap para avaliar a tornozeleira, e os técnicos constataram falha de carregamento. O equipamento foi trocado naquele momento. Temos um documento oficial da Seap que especifica esse defeito e a substituição realizada”, salienta a defesa.
Caso envolve ataque a policiais durante operação
Policiais tentam apreender menor na casa de Oruam
Reprodução/TV Globo
O caso investigado remonta ao dia 22 de julho de 2025, quando policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumpriam um mandado de busca e apreensão de um adolescente suspeito de integrar o Comando Vermelho, no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio.
Segundo a denúncia, Oruam e outros envolvidos teriam arremessado pedras de grandes proporções contra os agentes, a partir de um andar superior da residência, colocando em risco a vida de um delegado e de um oficial de cartório da Polícia Civil. Após a ação, o grupo teria fugido em direção ao Complexo da Penha e feito postagens nas redes sociais desafiando as autoridades.
O artista foi denunciado por duas tentativas de homicídio qualificadas.
Defesa alegou problemas técnicos e pediu prisão domiciliar
No recurso apreciado pelo STJ, a defesa argumentou que as falhas no uso da tornozeleira eletrônica se deram por problemas pontuais de carregamento, sem intenção de descumprir as medidas impostas.
Também alegou que o cantor é primário, tem residência fixa, exerce profissão lícita e pediu, de forma subsidiária, a substituição da prisão por prisão domiciliar humanitária, sob a justificativa de problemas de saúde.
No entanto, na decisão, o ministro afirmou que o descumprimento reiterado das cautelares demonstra a inadequação de medidas menos gravosas e autoriza o restabelecimento da prisão preventiva, conforme previsto no Código de Processo Penal.
Segundo o relator, a prisão não configura antecipação de pena, mas é necessária para garantir a efetividade do processo penal e preservar a credibilidade das decisões judiciais.
Segundo a defesa, o objetivo é demonstrar ao STJ que a tornozeleira eletrônica apresentava problemas recorrentes de carregamento. "O fato foi demonstrado pela própria Seap. Tanto é assim que o equipamento foi substituído e a tornozeleira original encaminhada para perícia, o que ocorreu em data posterior aos supostos descumprimentos atribuídos à defesa”, diz Cardoso.