Organização investiga denúncia de injúria racial contra menino de 12 anos em partida de futsal em Itapetininga
28/10/2026
(Foto: Reprodução) Prefeitura Municipal de Itapetininga (SP)
Diogo Del Cistia/g1
A organização de um campeonato de futsal feito entre escolas particulares de Itapetininga (SP) investiga uma denúncia de injúria racial cometida contra um atleta de 12 anos durante uma partida. O caso ocorreu em 2 de outubro, mas o g1 teve acesso aos documentos nesta quarta-feira (28).
Segundo a mãe do menino, que não será identificada nesta reportagem, o atleta concorreu na Copa Skill.Ed pelo terceiro ano. A partida em que o caso ocorreu foi realizada no Clube dos Bancários.
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"É o terceiro ano seguido que ele participa, mas, nas duas vezes anteriores, ele estava competindo por outra escola diferente. Nesta, ele trocou de escola devido à bolsa atleta que ele ganhou", conta.
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Naquela partida, o menino enfrentou antigos colegas de sala da escola onde estudava. Durante o torneio, os outros jogadores passaram a ofendê-lo, com o objetivo de desestabilizá-lo emocionalmente, segundo a mãe.
"Alguns alunos do time que estavam jogando contra, que eram da escola que estudavam, começaram a provocar ele. De início, chamaram ele de 'traíra' e 'Judas', para tentar desconcentrá-lo durante o jogo. Depois, eles começaram com palavras mais agressivas", detalha.
Segundo a mãe, durante a partida, os jogadores ofenderam o filho com insultos racistas, como “macaco” e “gorila”. Uma professora que acompanhava os alunos interveio e pediu que eles parassem, mas também foi alvo de xingamentos.
"Uma professora escutou e foi falar com esses meninos que, até então, ela disse que eram alunos dela também. Ela pediu para eles pararem e eles começaram a agredi-la também. O CEO da copa entrou em campo, afastou meu filho com o braço e disse que resolveria a situação. Ele nos disse que fez isso como uma forma de sanar a confusão", lembra.
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A mãe, apesar de não estar presente no local no momento das ofensas, afirma que os jogadores não foram retirados do campo, mesmo após o ataque. Mas, segundo ela, as agressões verbais diminuíram após a conversa.
"Ele não deu muito ouvido ao que meu filho estava falando. Os meninos continuaram no mesmo lugar, mas as agressões diminuíram. O jogo não foi parado e os meninos não foram retirados. Eles também precisam ser ensinados ou ter uma conduta de correção", lamenta.
A mulher afirma que não registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. Entretanto, um depoimento escrito, ao qual o g1 teve acesso, foi feito junto à organização do evento para a formalização do registro.
Em nota, a organização da Copa Skill.Ed afirma que recebeu uma comunicação formal em de outubro e que, no mesmo dia, instaurou uma apuração com acompanhamento jurídico para investigar o caso.
A organização afirma que ouviu o atleta, os responsáveis, testemunhas e equipes de arbitragem presentes na partida. As instituições de ensino envolvidas foram comunicadas e tiveram acesso aos documentos do procedimento.
Ainda conforme a nota, a apuração está em fase final e, assim que concluída, será encaminhada à junta disciplinar da competição, que analisará os fatos e as responsabilidades nos termos do regulamento do campeonato.
A Copa Skill.Ed ainda afirma que, devido ao episódio, uma palestra sobre respeito, bullying e discriminação foi feita pelo delegado seccional de Itapetininga, destinada a atletas, comissões técnicas e representantes das escolas.
A organização ressaltou que repudia qualquer forma de racismo e discriminação e reafirma seu compromisso com o esporte escolar como espaço de respeito e formação.
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