Onça-parda atropelada em rodovia de Araçatuba tinha projéteis no crânio, aponta necropsia
02/09/2026
(Foto: Reprodução) Onça-parda macho foi atropelada na segunda-feira (31) à noite, na rodovia SP-463, em Araçatuba
Divulgação
Uma onça-parda macho, adulta, encontrada morta após ser atropelada na noite de segunda-feira (31), na Rodovia Dr. Elyeser Montenegro Magalhães (SP-463), em Araçatuba (SP), apresentava projéteis alojados no crânio, segundo a necropsia realizada pelo setor de Patologia da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp. A análise inicial também identificou lesões na região da face e na cavidade torácica, conforme apurado pela TV TEM.
O atropelamento foi registrado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) por volta das 22h55, na altura do km 55,5 da rodovia, no sentido norte. Uma equipe do órgão recolheu o animal e o encaminhou para a Unesp.
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De acordo com os pesquisadores, os projéteis encontrados no crânio são possivelmente chumbinhos e estavam alojados em tecidos moles. A presença dos fragmentos pode indicar que a onça havia sido atingida anteriormente por disparos e sobreviveu.
Uma radiografia ainda será realizada para verificar se existem outros projéteis ou lesões que não puderam ser identificados durante a avaliação inicial, feita a olho nu.
A causa da morte ainda não foi determinada. Segundo a universidade, quando o corpo chegou ao setor de Patologia, o animal já estava morto horas antes. Os exames complementares devem ajudar os pesquisadores a esclarecer se o atropelamento foi a causa da morte e se outros fatores contribuíram para o óbito.
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Atropelamentos de animais silvestres
Segundo o DER-SP, o trecho entre os quilômetros 42 e 60 da SP-463 registrou redução no número de atropelamentos de animais silvestres nos últimos anos.
Entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2024, foram registradas 20 ocorrências. No mesmo período de 2025, foram 13, uma redução de 35%. Em 2026, foram contabilizados nove casos, queda de 30,8% em relação ao ano anterior e de 55% na comparação com 2024.
O DER informou à TV TEM que utiliza os registros para identificar áreas com maior concentração de atropelamentos. As informações são cruzadas com levantamentos de campo, dados sobre a fauna e características ambientais da região para identificar possíveis pontos críticos.
O órgão também informou que há previsão de execução de obras com medidas para reduzir impactos sobre a fauna. Os locais e tipos de dispositivos ainda serão definidos a partir dos estudos e projetos da intervenção, levando em consideração os registros de ocorrências e as características ambientais de cada trecho.
Entre os quilômetros 42 e 60 da SP-463, há ainda dois radares de fiscalização eletrônica de velocidade. Segundo o DER, os equipamentos têm como objetivo contribuir para a redução de ocorrências, ao favorecer o cumprimento dos limites de velocidade, aumentar o tempo de reação dos motoristas e diminuir a gravidade dos impactos em caso de acidentes.
Agora no g1
Fragmentação de habitats
Pesquisadores da Unesp avaliam que ocorrências envolvendo animais silvestres podem se tornar mais frequentes diante do avanço da ocupação urbana e da redução e fragmentação dos habitats naturais.
A circulação de animais em áreas próximas ou atravessadas por rodovias aumenta o risco de acidentes, principalmente em regiões onde os fragmentos de vegetação ficam separados por estradas e outras áreas ocupadas pelo homem.
No caso da onça-parda encontrada em Araçatuba, a necropsia e os exames complementares poderão fornecer informações não apenas sobre o atropelamento, mas também sobre as condições em que o animal vivia e eventuais impactos anteriores sofridos pela espécie.
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