O sexo para a mulher depois dos 50: o que muda e como lidar com as transformações do corpo 

  • 13/02/2026
(Foto: Reprodução)
O sexo para a mulher depois dos 50: o que muda e como lidar com as transformações do corpo Apesar de o envelhecimento não eliminar a capacidade da mulher de sentir prazer ou ter orgasmo, mudanças hormonais e físicas comuns após os 50 anos alteram a resposta do corpo aos estímulos sexuais. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, muitas mulheres passam a evitar o sexo nessa fase não por falta de desejo, mas por dor, desconforto e dificuldade de excitação — problemas que têm tratamento e não devem ser vistos como parte inevitável do envelhecimento. É comum, por exemplo, que o corpo precise de mais tempo e mais estimulação para responder sexualmente, além de apresentar menor sensibilidade genital. Em mulheres na menopausa que não fazem reposição hormonal ou não utilizam hidratantes íntimos ou lubrificantes, sintomas como ressecamento vaginal, dor durante a relação e dificuldade de excitação são frequentes. Sexo depois dos 50: o que muda e como lidar com as transformações do corpo Adobe Stock Queda hormonal e impacto no corpo Esses sintomas estão relacionados principalmente à redução do estrogênio, hormônio que influencia diretamente a saúde da mucosa vaginal. A queda hormonal provoca afinamento e maior fragilidade da mucosa, diminui a lubrificação natural e reduz o fluxo sanguíneo para a região genital, explica a obstetra e presidente da Comissão Nacional Especializada de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Fabiene Vale. “Isso pode causar ressecamento, ardor e dor durante a relação, mas existem tratamentos eficazes e seguros. A mulher não precisa aceitar a dor como algo normal do envelhecimento”, afirma a médica. Segundo Vale, muitas mulheres continuam tendo orgasmos em todas as fases da vida, desde que estejam bem orientadas, com sintomas tratados e inseridas em um contexto de bem-estar físico e emocional. Apesar das mudanças hormonais, muitas relatam que, após os 50 anos, se sentem mais seguras, mais livres, com menos pressões sociais e maior autoconhecimento, o que também pode favorecer a vivência da sexualidade. Doenças que interferem na vida sexual A sexualidade depende de boa saúde vascular e metabólica. Entre os principais problemas de saúde que interferem na vida sexual após os 50 anos estão depressão, ansiedade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade, distúrbios da tireoide, dor crônica, câncer e os efeitos de seus tratamentos. Doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares comprometem a circulação sanguínea, os nervos e o funcionamento dos vasos, interferindo diretamente na excitação, na lubrificação e na resposta sexual. Além disso, a saúde do parceiro também influencia de forma significativa a vivência sexual da mulher nessa fase da vida. Medicamentos e efeitos colaterais Medicamentos de uso comum após os 50 anos também podem prejudicar a libido ou a resposta sexual. “Antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, medicamentos para dor crônica e alguns tratamentos hormonais ou neurológicos podem reduzir o desejo, dificultar o orgasmo e diminuir a lubrificação. Por isso, é importante sempre revisar as medicações quando surgem queixas sexuais”, explica Vale. Quando investigar causas hormonais ou emocionais A investigação médica é indicada quando há queda persistente do desejo, dificuldade de excitação ou de atingir o orgasmo, dor durante a relação e ausência de satisfação sexual, especialmente quando esses sintomas estão associados a sofrimento significativo da mulher. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, sempre que há sofrimento, é indicada a investigação das causas hormonais, físicas e psicológicas. Terapia hormonal: quando é indicada A terapia hormonal pode ser segura para melhorar a vida sexual após os 50 anos, desde que seja bem indicada e individualizada. O estrogênio vaginal, por exemplo, é considerado muito seguro para a maioria das mulheres e altamente eficaz no tratamento do ressecamento vaginal, na melhora da lubrificação e na redução da dor durante a relação, segundo Vale. Em casos selecionados — especialmente quando a mulher apresenta outros sintomas do climatério, como fogachos, insônia e labilidade emocional associados à disfunção sexual — a terapia hormonal sistêmica pode ser indicada, sempre após avaliação médica criteriosa. “É fundamental ressaltar que a terapia hormonal deve ser prescrita exclusivamente após avaliação individualizada pelo médico, em especial pelo ginecologista, utilizando apenas medicamentos aprovados pela Anvisa e comercializados em drogarias convencionais”, afirma Vale. A médica alerta ainda que produtos conhecidos como “bioidênticos”, implantes ou “pellets” não são recomendados, por não apresentarem comprovação adequada de eficácia e segurança. O uso de testosterona pode ser considerado apenas para mulheres na pós-menopausa com diagnóstico de transtorno do desejo sexual hipoativo, após afastar causas biológicas, psicológicas, sociais e relacionais. Atualmente, porém, não existe no Brasil nenhum produto de testosterona aprovado pela Anvisa especificamente para uso feminino. Histerectomia: quando a remoção do útero é necessária e quais problemas ela pode trazer para a saúde física e mental Reposição da testosterona em homens: entenda os riscos do uso abusivo Fatores emocionais e relacionais Além dos fatores biológicos, aspectos emocionais e relacionais também afetam a sexualidade após os 50 anos. Entre eles, estão: eventos emocionais negativos, relacionamentos de longa duração, com acúmulo de ressentimentos; ansiedade; depressão; burnout e estresse. Em alguns casos, a mediação de um terceiro profissional pode ajudar o casal a compreender e elaborar as queixas, segundo a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas, Carmita Abdo. “O terapeuta não dá soluções. Ele ajuda a pensar. Às vezes, a pessoa é desatenta em todas as suas relações e começa a enxergar isso também com outros olhos”, explica a sexóloga. Desejo espontâneo e desejo responsivo No início deste século, a pesquisadora canadense Rosemary Basson demonstrou que, independentemente da idade, de 80% a 90% das mulheres iniciam o ato sexual sem desejo espontâneo, mas passam a sentir desejo conforme recebem estímulos. Apenas até 20% das mulheres mantêm vontade espontânea de fazer sexo de forma regular, inclusive antes da menopausa. Segundo Abdo, essa descoberta mudou a forma de compreender a queixa de falta de desejo. “A maioria das mulheres não terá desejo espontâneo por características próprias. O importante é que tenham o desejo responsivo. Se ele não aparece e a mulher deseja tê-lo, é necessário acompanhamento. Não tratamos mulheres que têm desejo responsivo”, afirma. Lubrificantes, hidratantes e estrogênio tópico Quando a mulher não pode fazer reposição hormonal sistêmica, o estrogênio tópico vaginal é uma opção segura, sem risco de absorção significativa pela corrente sanguínea. O estrogênio por via oral, por sua vez, não é suficiente para hidratar a mucosa vaginal. Além disso, o uso de hidratantes íntimos em dias alternados ao longo da semana melhora a mucosa vaginal. Esses produtos costumam ser aplicados à noite, após o banho, com aplicador, e ajudam a evitar rachaduras e até infecções. Já o lubrificante vaginal é indicado apenas para o momento da relação sexual. “O maior erro é não avaliar de onde vem essa falta de desejo — imaginar que é apenas um problema relacional e não cuidar da saúde física ou mental”, destaca Abdo. Existe idade limite para o sexo? A sexualidade não tem prazo de validade. O que determina a possibilidade de uma vida sexual ativa é a saúde, o desejo, o vínculo e o cuidado com o corpo e com as emoções. Segundo Vale, há mulheres sexualmente ativas aos 70, 80 e até 90 anos. No Brasil, a menopausa ocorre, em média, por volta dos 48 anos — cerca de dois anos antes do que em países nórdicos. Especialistas explicam que fatores climáticos e culturais dos países latinos estimulam o início mais precoce da vida sexual, o que antecipa a menarca, geralmente por volta dos 12 anos. Quanto mais cedo ocorre a primeira menstruação, mais cedo tende a ocorrer a menopausa. Para os especialistas, independentemente da idade, o principal recado é que dor, sofrimento e silêncio não devem fazer parte da vida sexual da mulher — e buscar informação e ajuda médica é um passo fundamental para manter prazer, conforto e qualidade de vida ao longo dos anos. LEIA TAMBÉM: Terapia hormonal na menopausa não altera risco de demência, aponta análise com mais de 1 milhão de participantes Estudo aponta que masturbação pode ajudar a aliviar sintomas da menopausa Menopausa e saúde mental: alterações hormonais podem levar a pensamentos suicidas, aponta pesquisa Risco de bipolaridade em mulheres dobra com menopausa, mostra estudo Menopausa: hábitos e tratamentos para uma vida sexual melhor Reposição hormonal ameniza sintomas da menopausa e melhora a qualidade de vida, mas não é para todas as mulheres

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/13/o-sexo-para-a-mulher-depois-dos-50-o-que-muda-e-como-lidar-com-as-transformacoes-do-corpo.ghtml


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